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Lord Elgin Electronic (Grade 725): A Revolução Franco-Americana de 1962 e o Menor Movimento Elétrico do Mundo


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Introdução do modelo eletrônico equipado com o Calibre 725, desenvolvido em colaboração com a Lip. Comercializado na época como o menor movimento de relógio elétrico do mundo.

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RESUMO

Lançado em 1962, o Lord Elgin Electronic equipado com o Calibre 725 representa um marco crucial na 'Guerra dos Relógios Elétricos' que definiu a horologia de meados do século XX. Este modelo não foi apenas uma resposta tardia ao Hamilton Ventura de 1957, mas sim uma evolução técnica refinada, nascida de uma colaboração estratégica transatlântica entre a gigante americana Elgin National Watch Company e a inovadora manufatura francesa Lip. O destaque deste relógio residia no seu movimento eletromecânico, o Grade 725, que foi comercializado agressivamente como o menor movimento de relógio elétrico do mundo na época, permitindo designs de caixa mais elegantes e convencionais do que os seus concorrentes volumosos. Diferente dos movimentos puramente mecânicos, o 725 utilizava uma bateria para impulsionar o balanço através de impulsos eletromagnéticos, eliminando a mola principal mas mantendo o conjunto regulador clássico. Esteticamente, o Lord Elgin Electronic capturava o espírito da 'Jet Age', combinando caixas luxuosas (frequentemente em ouro maciço ou gold-filled) com mostradores minimalistas que ostentavam com orgulho o símbolo do átomo ou o raio estilizado. Hoje, é reverenciado por colecionadores não apenas pela sua beleza, mas como um artefato de um período de transição efêmero e fascinante, onde a engenharia mecânica tradicional colidiu com a nascente revolução eletrônica, pouco antes do advento do diapasão e do quartzo.

HISTÓRIA

A história do Lord Elgin Electronic (Grade 725) é um capítulo dramático na saga da sobrevivência da indústria relojoeira americana. No final da década de 1950, a Hamilton chocou o mundo com o Calibre 500 (Ventura), o primeiro relógio elétrico a bateria. A Elgin, outrora a maior fabricante de relógios do mundo, encontrou-se em uma posição precária, atrasada na corrida tecnológica e perdendo participação de mercado. Reconhecendo que o desenvolvimento interno de um calibre elétrico a partir do zero levaria anos que eles não tinham, a Elgin tomou uma decisão pragmática e histórica: buscou uma aliança com a Lip, da França. Sob a liderança do visionário Fred Lip, a empresa francesa já estava avançada no desenvolvimento de seus próprios protótipos elétricos. O resultado dessa colaboração foi o lançamento, em 1962, do Elgin Grade 725. Este movimento era uma versão americanizada e refinada da tecnologia que a Lip lançaria como o calibre R 148. A principal vantagem competitiva do Grade 725 sobre o Hamilton 505 (o padrão da época) era o seu tamanho. A Elgin capitalizou imensamente sobre isso, comercializando o relógio como o 'menor relógio elétrico do mundo'. Isso permitiu que a Elgin oferecesse o relógio na sua linha premium 'Lord Elgin', com caixas que mantinham a elegância clássica e a espessura reduzida, algo que os primeiros relógios elétricos, muitas vezes volumosos e excêntricos, não conseguiam alcançar. Tecnicamente, o Grade 725 era uma maravilha da miniaturização. Enquanto a Hamilton usava uma bobina móvel montada no balanço (o que criava problemas de inércia e fragilidade), o sistema Elgin/Lip utilizava uma bobina fixa no chassi e ímãs no balanço, um sistema mais robusto e fácil de regular. Além disso, incorporava um diodo para reduzir a faísca nos contatos, prolongando a vida útil do sistema, um problema crônico nos primeiros elétricos. No entanto, o reinado do Grade 725 foi curto. O lançamento do Bulova Accutron (diapasão) ofereceu uma precisão muito superior à dos elétricos de balanço, e a iminente chegada do quartzo no final da década de 1960 tornaria a tecnologia obsoleta. Além disso, a própria Elgin estava em declínio financeiro terminal, cessando a fabricação nos EUA poucos anos depois. O Lord Elgin Electronic de 1962 permanece, portanto, como o canto do cisne da inovação da Elgin: um produto de luxo, tecnicamente avançado para o seu ano, fruto de uma globalização precoce e testemunha final da era de ouro da relojoaria americana.

CURIOSIDADES

- A bateria original do Grade 725 era projetada para durar mais de um ano, um feito impressionante para a química de baterias de 1962. - O marketing da Elgin na época incluía diagramas comparando o tamanho do Grade 725 com uma moeda de dez centavos (dime) e com os movimentos concorrentes da Hamilton, enfatizando a miniaturização extrema. - Diferente dos relógios a quartzo modernos, o ponteiro de segundos do Lord Elgin Electronic não 'pula' (deadbeat), mas desliza suavemente, semelhante a um relógio mecânico, embora seja impulsionado por eletricidade. - A parceria Elgin-Lip foi mantida sob certo sigilo estratégico inicial para preservar a imagem de 'Made in USA' da Elgin, embora o design do movimento fosse inegavelmente europeu. - Devido à complexidade de ajustar os contatos físicos microscópicos que regulam o impulso elétrico, poucos relojoeiros contemporâneos conseguem reparar o Grade 725 corretamente. - O diodo utilizado no circuito é um componente histórico; foi uma das primeiras aplicações de semicondutores em relógios de pulso de produção em massa para proteção de contatos.

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