RESUMO
Lançado em 1967, em plena corrida espacial, o Universal Genève Space-Compax Ref. 885104/02 representa um momento audacioso na história da relojoaria. Posicionado como um concorrente direto do Omega Speedmaster, o seu nome evocava a exploração celestial, mas o seu design contava uma história mais complexa e robusta. Este não era apenas um cronógrafo para astronautas; era um 'tool watch' definitivo, concebido para resistir aos rigores de qualquer ambiente, seja no ar, em terra ou debaixo de água. A sua filosofia de design era agressiva e funcional. A caixa assimétrica protegia a coroa e os inovadores botões revestidos de borracha, uma solução técnica que visava uma resistência à água superior, tornando-o um híbrido fascinante entre um cronógrafo de piloto e um relógio de mergulho. A sua significância reside nesta dualidade: enquanto o seu rival olhava para as estrelas, o Space-Compax mantinha os pés firmemente assentes na Terra, oferecendo uma fiabilidade intransigente para profissionais que exigiam o máximo do seu equipamento. Hoje, é um ícone cult, celebrado pela sua estética única e por encarnar o auge da inovação da Universal Genève na sua era de ouro.
HISTÓRIA
No auge da década de 1960, o mundo estava cativado pela corrida espacial, e o cronógrafo de pulso tinha-se tornado o seu símbolo tecnológico. A Universal Genève, já uma mestra consagrada na arte do cronógrafo com a sua lendária linha 'Compax', sentiu a necessidade de criar uma resposta moderna e robusta ao domínio crescente do Omega Speedmaster. O resultado foi o Space-Compax. A primeira geração, lançada por volta de 1965 (Ref. 885103/01), era um relógio competente mas convencional, com uma caixa redonda clássica. Foi em 1967 que a marca revelou a sua verdadeira obra-prima de design funcional: a segunda geração, a referência 885104/02.
Este novo modelo representou uma rutura radical com o passado. A sua característica mais marcante era a caixa assimétrica de 40mm, uma escolha de design deliberada que se estendia pelo lado direito para formar uma proteção robusta para a coroa e os botões do cronógrafo. Esta não era uma mera escolha estética; era uma solução de engenharia inspirada em relógios militares, projetada para desviar impactos e aumentar a durabilidade em condições extremas. A inovação não parou por aí. Para alcançar um novo patamar de resistência à água, a Universal Genève equipou o Space-Compax com uma coroa rosqueada e botões de cronógrafo revestidos de borracha. Esta combinação permitiu uma classificação de profundidade de 75 metros, transformando um cronógrafo de inspiração espacial num verdadeiro 'tool watch' anfíbio, igualmente à vontade numa cabine de avião ou debaixo de água.
No coração do relógio pulsava o calibre Valjoux 72, um dos movimentos de cronógrafo de corda manual mais respeitados e fiáveis da história, o mesmo motor que equipava ícones como o Rolex Daytona 'Paul Newman' e muitos cronógrafos da Heuer. Esta escolha conferiu ao Space-Compax uma credibilidade mecânica inquestionável. O mostrador mais procurado e icónico é a configuração 'Reverse Panda', com um fundo preto profundo e sub-mostradores brancos contrastantes, oferecendo uma legibilidade excecional. Embora existam variantes mais raras, como o mostrador 'Panda' (branco com sub-mostradores pretos), é a versão 'Reverse Panda' que define a identidade visual do modelo.
Apesar do seu nome e do contexto da sua criação, o Space-Compax nunca alcançou a certificação oficial da NASA nem voou em missões espaciais como o seu rival. O nome foi, em grande parte, uma estratégia de marketing para capitalizar o zeitgeist da época. No entanto, o seu legado não depende da exploração lunar. O Space-Compax 885104/02 é hoje venerado por colecionadores como um dos designs de cronógrafo mais ousados e bem executados da sua era. Representa um momento em que a Universal Genève estava no auge da sua criatividade e capacidade técnica, criando um relógio que não só competia com os melhores, mas que também forjava o seu próprio caminho com soluções de design inovadoras e uma identidade inconfundível.
CURIOSIDADES
Apesar do nome 'Space-Compax', não há provas de que o relógio tenha sido formalmente usado pela NASA. No entanto, o astronauta da Apollo, Tom Stafford, foi fotografado a usar um, conferindo-lhe uma legitimidade espacial autêntica e cobiçada pelos colecionadores.
O relógio é alimentado pelo lendário calibre Valjoux 72, o mesmo movimento de cronógrafo de roda de colunas encontrado na primeira geração do Rolex Daytona 'Paul Newman', o que o torna um parente horológico de um dos relógios mais famosos do mundo.
As braceletes de aço originais para o Space-Compax eram frequentemente fabricadas pela prestigiada casa Gay Frères, o mesmo fabricante que fornecia braceletes para marcas de topo como a Patek Philippe e a Audemars Piguet.
Os botões revestidos de borracha eram uma solução de engenharia inovadora para a resistência à água na década de 1960. Hoje, encontrar um exemplar com as capas de borracha originais e intactas é extremamente raro e aumenta significativamente o seu valor, pois o material tende a degradar-se ao longo do tempo.
A caixa assimétrica não era apenas estética; foi uma resposta de design funcional para proteger a coroa e os botões, rivalizando com as soluções de 'crown guards' vistas em modelos como o Rolex Submariner e o Omega Speedmaster.
Devido à sua estética partilhada (mostrador 'panda' ou 'reverse panda') e ao uso do mesmo calibre base, os Space-Compax são por vezes carinhosamente referidos por colecionadores como o 'Daytona do homem que pensa', oferecendo uma proveniência e qualidade semelhantes por uma fração do preço do seu primo da Rolex.