RESUMO
Lançado em 1994 para comemorar o centenário da Universal Genève, o Golden Janus Cabriolet é mais do que um relógio; é uma declaração de virtuosismo técnico e uma ponte entre o passado glorioso e o futuro almejado pela marca. Posicionado no segmento de alta relojoaria, esta peça não se destinava ao mercado de massas, mas a colecionadores sofisticados e conhecedores da história da marca. A sua filosofia de design é uma celebração da dualidade: uma face evoca a tradição clássica da relojoaria com um mostrador 'guilloché' e numerais Breguet, enquanto a outra face, com a sua complicação de horas saltantes, olha para a inovação mecânica. A sua maior significância reside na reinterpretação do sistema 'Cabriolet' patenteado pela própria Universal Genève em 1928, um conceito de caixa reversível que historicamente precede o mais famoso Jaeger-LeCoultre Reverso. Num período em que a indústria se reerguia da Crise do Quartzo, o Golden Janus foi um 'halo piece' audacioso, demonstrando que a UG ainda possuía a capacidade de criar complicações complexas e designs intemporais, cimentando o seu lugar, ainda que brevemente, entre as manufaturas de elite da época.
HISTÓRIA
Em 1994, a Universal Genève celebrava um século de existência. Sob a égide do grupo Stelux de Hong Kong, a marca, que já fora um pilar da indústria com ícones como o Polerouter e a série Compax, procurava reafirmar a sua relevância no emergente mercado de luxo mecânico pós-quartzo. A resposta a este desafio foi o Golden Janus, uma peça comemorativa que não só celebrava o passado, como também exibia uma proeza mecânica notável. A inspiração fundamental para o Golden Janus remonta a 1928, ano em que a Universal Genève registou uma patente para uma caixa de relógio reversível, denominada 'Cabriolet'. Este design inovador, concebido para proteger o vidro do relógio durante atividades desportivas como o pólo, permitia que a caixa central girasse dentro de uma moldura exterior. Este facto histórico é crucial, pois a patente da UG antecede a do célebre Reverso da Jaeger-LeCoultre, de 1931, tornando a Universal Genève uma pioneira esquecida neste tipo de complicação de caixa. O Golden Janus de 1994 não foi uma reedição literal, mas sim uma reinterpretação luxuosa e modernizada deste conceito. A escolha do nome 'Janus', o deus romano de duas faces que preside aos inícios e às transições, foi genial. Simbolizava a dupla natureza do relógio e o momento da própria marca, olhando simultaneamente para a sua rica herança e para um futuro de renovação. O design da peça é um exercício de equilíbrio Art Déco. A caixa retangular em platina, o metal mais nobre, transmitia exclusividade e sofisticação. A face principal era um tributo à relojoaria clássica, com um mostrador em prata maciça, decoração 'guilloché' e os elegantes numerais e ponteiros Breguet. A segunda face, no entanto, revelava uma alma vanguardista, apresentando uma complicação de horas saltantes numa janela digital, combinada com um ponteiro de minutos central – uma forma poética e mecanicamente complexa de ler o tempo. Este modelo não teve uma evolução geracional; foi concebido como uma edição limitada e definitiva para o centenário. A principal referência é a de platina (Ref. 194.400), produzida numa série extremamente restrita, especulada em 100 unidades. Foram também criadas variantes em ouro amarelo e rosa de 18k, igualmente raras e cobiçadas. O impacto do Golden Janus no mercado foi mais cultural do que comercial. Era uma peça de nicho, de preço elevado, mas serviu como um poderoso embaixador da capacidade técnica da Universal Genève, lembrando ao mundo da relojoaria que o seu génio inovador não se extinguira. Para os colecionadores de hoje, o Golden Janus representa um capítulo fascinante e raro da história da marca, um relâmpago de brilhantismo que encapsula a alma de uma das grandes manufaturas do século XX.
CURIOSIDADES
O Nome Mitológico: O nome 'Janus' é uma referência direta ao deus romano das transições, portões e dualidade, representado com duas faces a olhar para o passado e para o futuro – uma metáfora perfeita para um relógio de dupla face que celebrava um centenário.
A Primazia do 'Cabriolet': Entusiastas da marca defendem que a patente 'Cabriolet' da Universal Genève de 1928 para uma caixa reversível é a verdadeira precursora do género, antecedendo a famosa patente do Reverso em três anos, um ponto de orgulho histórico.
Produção Exclusivíssima: A edição de centenário em platina foi produzida em números extremamente baixos, com fontes a apontarem para apenas 100 exemplares, tornando-a uma das peças mais raras e desejadas da Universal Genève moderna.
Mecânica de Viragem Única: Ao contrário do mecanismo de deslizar e virar do Reverso, o Golden Janus utiliza um sistema mais complexo. Dois botões discretos na lateral da caixa libertam o módulo central, que depois gira sobre uma dobradiça sofisticada, oferecendo uma sensação tátil muito distinta e robusta.
Um Coração com 'Forma': O uso de um calibre retangular (de forma), o UG 42, em vez de um movimento redondo mais comum e barato, foi um sinal de qualidade e compromisso com a integridade do design relojoeiro, algo muito apreciado por conhecedores.
Um Breve Renascimento: O Golden Janus foi a peça central de uma tentativa da Universal Genève, nos anos 90, de regressar ao segmento da alta relojoaria, lançando também outras peças complexas como calendários perpétuos, antes de a marca entrar num longo período de dormência.