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King Seiko 45KS Hi-Beat 1968: O Ápice da Precisão Manual da Daini Seikosha e a Revolução de 36.000 BPH


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O auge da precisão mecânica manual da Daini Seikosha. Equipado com o calibre 4500 operando a 36.000 bph (Hi-Beat), competindo diretamente com os movimentos V.F.A. da Grand Seiko.

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RESUMO

O King Seiko 45KS, introduzido em 1968, é amplamente considerado a 'magnum opus' da Daini Seikosha e representa o auge absoluto da tecnologia de movimentos mecânicos de corda manual japoneses antes da revolução do quartzo. Em um período definido pela intensa rivalidade interna entre as fábricas da Seiko — Suwa e Daini — o 45KS surgiu como a resposta definitiva da Daini para demonstrar superioridade técnica e cronométrica. Equipado com a lendária família de calibres 45 (especificamente o 4500 e o 4502), este relógio opera a uma frequência impressionante de 36.000 vibrações por hora (Hi-Beat), permitindo uma estabilidade de marcha e precisão que rivalizava, e frequentemente superava, os prestigiados cronômetros suíços da época. Diferente de seus contemporâneos automáticos, o 45KS focava na pureza da horologia: um perfil mais fino, uma conexão tátil diária através da corda manual e uma estética governada pela 'Gramática do Design' de Taro Tanaka. Com suas arestas afiadas, polimento espelhado (Zaratsu) e um mostrador de legibilidade imaculada, o 45KS não era apenas um instrumento de tempo, mas uma declaração de que a Daini Seikosha havia atingido o limite físico da precisão mecânica em produção em massa.

HISTÓRIA

A história do King Seiko 45KS é inseparável da lendária 'guerra interna' da Seiko. Durante a década de 1960, a corporação Seiko operava duas subsidiárias de manufatura principais: Suwa Seikosha e Daini Seikosha. Esta competição fomentada pela gestão corporativa visava acelerar a inovação, resultando em avanços rápidos que colocaram o Japão no topo da horologia mundial. Enquanto a Suwa era frequentemente associada à linha Grand Seiko (com o notável 61GS automático), a Daini Seikosha focou seus esforços em refinar a linha King Seiko, culminando na série 45KS em 1968. O 45KS foi o sucessor direto do 44KS, mas representou um salto quântico em engenharia. A Daini decidiu implementar a tecnologia 'Hi-Beat' de 36.000 bph em um movimento de corda manual. A lógica era física pura: uma frequência de oscilação mais alta divide o tempo em incrementos menores (10 vezes por segundo), tornando o balanço menos suscetível a choques e mudanças de posição, resultando em maior precisão. O Calibre 4500 foi projetado com tolerâncias microscópicas. Curiosamente, ao contrário de muitos movimentos da época que utilizavam um sistema de micro-regulação complexo (como o 'swan neck'), o 45KS confiava em uma regulação grosseira extremamente precisa de fábrica, demonstrando a confiança da Daini na estabilidade inerente do calibre. Esteticamente, o modelo é um dos melhores exemplos da 'Gramática do Design' estabelecida por Taro Tanaka. A caixa 45-7000, por exemplo, apresenta superfícies perfeitamente planas e ângulos agudos, polidos com a técnica Zaratsu (polimento de lâmina de estanho) para criar um brilho livre de distorções. O objetivo era fazer o relógio brilhar como uma joia sob qualquer luz, sem facetas curvas que 'suavizassem' o reflexo. Historicamente, o 45KS carrega um tom de melancolia triunfante. Ele foi lançado apenas um ano antes do Seiko Astron (1969), o primeiro relógio de quartzo do mundo. O advento do quartzo tornou a busca obsessiva pela precisão mecânica obsoleta quase da noite para o dia em termos de mercado de massa. Assim, o 45KS permanece como o último grande 'hurrah' da Daini Seikosha na era dourada mecânica: o relógio de corda manual mais avançado, preciso e esteticamente refinado que eles já produziram, encerrando uma linhagem nobre antes que a crise do quartzo mudasse a indústria para sempre.

CURIOSIDADES

O Calibre 45 é famoso por seu câmbio de data instantâneo (no modelo 4502), onde a data muda num 'piscar de olhos' exatamente à meia-noite, uma complicação rara e sofisticada para a época. O medalhão de ouro 'KS' no fundo da caixa é um ponto crítico para colecionadores; devido ao contato com a pele e suor ao longo de décadas, muitos medalhões originais corroeram ou desapareceram, tornando exemplares intactos extremamente valiosos. Embora fosse um King Seiko, a precisão do calibre 45 era tal que a Daini lançou versões 'Chronometer Officially Certified' que passavam pelos mesmos testes rigorosos do Japan Chronometer Inspection Institute (JCII) que os Grand Seikos. A frequência de 36.000 bph gera um movimento do ponteiro de segundos que parece deslizar de forma quase perfeitamente contínua, uma característica hipnótica conhecida como 'varredura Hi-Beat'. Devido ao alto torque necessário para mover o escapamento 10 vezes por segundo, a mola principal do 45KS é notoriamente forte, o que causa maior desgaste nas peças se o relógio não for lubrificado regularmente, tornando a manutenção preventiva crucial para este modelo histórico.

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