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O Renascimento da Daini Seikosha: Uma Análise Enciclopédica do King Seiko SPB279 e a Consolidação da Linha em 2022


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Diferente da edição limitada SJE083 de 2021, este lançamento marcou o retorno da King Seiko como uma linha de produção permanente e acessível no catálogo global da Seiko, utilizando o calibre 6R31 e caixa de 37mm.

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RESUMO

O lançamento da coleção King Seiko em 2022, liderada pelo modelo de mostrador prateado SPB279, representa um dos marcos mais significativos na horologia japonesa moderna, simbolizando não apenas uma reedição vintage, mas a reestruturação hierárquica do catálogo da Seiko. Diferente da exclusiva e limitada edição SJE083 de 2021, o SPB279 foi introduzido como o estandarte de uma linha de produção permanente, democratizando o acesso à estética lendária da Daini Seikosha. Este modelo captura com fidelidade quase cirúrgica o perfil do King Seiko KSK de 1965 (ref. 44-9990), celebrado por estabelecer a 'Gramática do Design' de Taro Tanaka, caracterizada por superfícies planas e ângulos agudos que interagem com a luz de forma dramática. Equipado com o calibre 6R31, uma variação sem data do robusto 6R35, o relógio preserva a simetria imaculada do mostrador original. Com uma caixa contida de 37mm e um bracelete de sete elos facetados que evoca o glamour dos anos 60, o SPB279 preenche estrategicamente o vácuo entre a linha Presage e a Grand Seiko, oferecendo acabamento superior e importância histórica para colecionadores que valorizam a herança da rivalidade interna da Seiko.

HISTÓRIA

A história do King Seiko SPB279 não começa em 2022, mas sim nas tumultuadas e produtivas décadas de 1950 e 1960 no Japão, enraizada em uma rivalidade corporativa única que impulsionou a excelência horológica. A Seiko, buscando a perfeição mecânica e estética, fomentou uma competição interna feroz entre duas de suas subsidiárias: a Suwa Seikosha (criadora da Grand Seiko) e a Daini Seikosha (criadora da King Seiko). O objetivo era superar a cronometria suíça, e dessa batalha nasceram relógios que definiriam o padrão japonês de luxo. O modelo SPB279 é uma homenagem direta ao 'KSK' de 1965, especificamente a referência 44-9990. O KSK (King Seiko Kisei-Tsuki, ou 'Stop Seconds') foi fundamental por ser o segundo modelo da linha King Seiko, mas o primeiro a incorporar verdadeiramente a filosofia de design que tornaria a marca lendária. Ele apresentava as garras angulares, largas e planas que eliminavam distorções visuais, uma aplicação direta dos princípios de Taro Tanaka. Enquanto a Grand Seiko recebia mais atenção internacionalmente, a King Seiko manteve-se como um segredo de cultuadores, oferecendo qualidade comparável (e por vezes superior em competições de cronometria) a um preço ligeiramente mais acessível. Com a 'Crise do Quartzo' nos anos 70, a linha King Seiko foi descontinuada e a marca adormeceu, tornando-se uma relíquia procurada apenas por historiadores e colecionadores ávidos. Por décadas, a Grand Seiko foi elevada ao status de marca independente de luxo, enquanto o nome King Seiko permaneceu inativo. O ano de 2021 viu um teste de mercado com o SJE083, uma recriação fiel e limitada, equipada com o calibre 6L35 de perfil fino. O sucesso estrondoso e o esgotamento imediato desse modelo sinalizaram à Seiko que havia uma demanda reprimida pela herança da Daini Seikosha. Consequentemente, em 2022, a Seiko lançou o SPB279 como parte de uma coleção permanente. A decisão de usar o calibre 6R31 foi técnica e estética: permitiu um ponto de preço mais acessível que o SJE083, mas, crucialmente, permitiu a remoção da janela de data sem deixar uma posição 'fantasma' na coroa, honrando a pureza do mostrador do modelo de 1965. A caixa de 37mm do SPB279 foi meticulosamente desenhada para replicar as proporções vintage, resistindo à tendência moderna de superdimensionamento. O relógio não é apenas uma cópia; é uma modernização respeitosa, substituindo o acrílico original por safira 'box-shaped' e melhorando a resistência à água para 100 metros. O retorno do King Seiko em 2022 com o SPB279 solidificou o reconhecimento tardio, mas merecido, da Daini Seikosha no panteão global da alta relojoaria, servindo como a ponte definitiva entre o passado funcional e o presente luxuoso da marca.

CURIOSIDADES

1. O índice das 12 horas possui uma textura 'knurled' (recartilhada) inspirada no nock de uma flecha, uma textura que só é visível sob inspeção próxima e que reflete a luz de maneira distinta dos outros índices polidos. 2. A coroa e o fundo da caixa exibem o escudo King Seiko, mas a coroa também carrega a letra 'W' (de Waterproof) estilizada, um detalhe fiel ao modelo KSK original de 1965. 3. O calibre 6R31 utilizado foi desenvolvido especificamente para permitir mostradores sem data (no-date), eliminando o 'clique fantasma' na coroa que ocorre quando se usa movimentos com data escondida. 4. O bracelete de sete elos é uma maravilha da engenharia moderna com estética vintage; suas múltiplas facetas criam um jogo de luz que muitos colecionadores comparam a joias, algo raro nesta faixa de preço. 5. Diferente da edição limitada SJE083 que tinha o fundo com o medalhão dourado aplicado (como nos anos 60, propenso a corrosão), o SPB279 possui o logo gravado em relevo no aço, garantindo durabilidade eterna. 6. A largura entre as garras (lug width) é de 19mm, uma medida fiel ao original vintage, o que preserva as proporções da caixa, embora limite ligeiramente as opções de pulseiras de terceiros. 7. O formato 'Box' do cristal de safira é um dos mais altos e proeminentes produzidos pela Seiko em linhas não-Grand Seiko, criado para simular a distorção quente dos cristais de acrílico da era Showa.

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