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Universal Genève Calibre 1-42: A Resposta Mecânica Suíça que Desafiou o Quartzo com Finura Recorde


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Um marco da era do quartzo/mecânica mista: a UG lançou este movimento de corda manual que deteve o recorde de movimento mais plano do mundo (apenas 3.45mm com a caixa) por um período, usado em modelos ultra-finos retangulares.

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RESUMO

Em meados da década de 1970, no auge da Crise do Quartzo que ameaçava a própria existência da relojoaria suíça tradicional, a Universal Genève apresentou um ato de puro desafio e mestria micromecânica: o Calibre 1-42. Este movimento não era apenas mais um calibre de corda manual; era o coração de um relógio que, na sua totalidade, media uns estonteantes 3.45mm de espessura, conquistando o título de relógio mais plano do mundo na sua época. Posicionado no segmento de luxo de relógios de gala, o seu público-alvo era o conhecedor que valorizava a arte e a tradição acima da precisão fria e descartável do quartzo. A filosofia de design era de um minimalismo absoluto, onde a proeza técnica da finura era a principal complicação e atração. Os modelos que albergavam este calibre, tipicamente retangulares e em metais preciosos, eram a antítese dos relógios-ferramenta robustos. A sua significância histórica transcende a mera cronometragem; representa um momento crucial em que a engenharia mecânica suíça se recusou a render-se, utilizando a sua herança de sofisticação e miniaturização como a sua arma mais elegante. O Calibre 1-42 é, portanto, um marco, um testemunho da resiliência e do génio artístico que definiram a luta pela sobrevivência da relojoaria mecânica.

HISTÓRIA

Lançado em 1975, o Calibre 1-42 da Universal Genève não foi apenas um produto, mas uma declaração. O mundo da relojoaria estava em convulsão; movimentos de quartzo baratos, precisos e produzidos em massa no Japão estavam a dizimar a indústria suíça. Em resposta, as marcas helvéticas tiveram de redefinir o seu valor. A Universal Genève, uma casa com um legado de cronógrafos icónicos como o Compax e relógios elegantes como o Polerouter, optou por competir num campo onde o quartzo não podia entrar: o da arte micromecânica e da miniaturização extrema. O Calibre 1-42 foi a personificação desta estratégia. A busca por relógios ultra-finos não era nova, com marcas como a Piaget e a Vacheron Constantin a serem pioneiras. No entanto, o feito da Universal Genève foi criar não apenas um movimento fino (com cerca de 2mm), mas integrá-lo numa caixa de forma tão harmoniosa que o conjunto final, com apenas 3.45mm, estabeleceu um novo recorde mundial. Este calibre pode ser visto como o descendente espiritual de outra inovação da marca: o movimento automático com micro-rotor (Cal. 1-66) usado na famosa série 'Golden Shadow', que também detivera recordes de finura na sua categoria. O 1-42, sendo de corda manual, permitiu levar o conceito ainda mais longe. Os relógios que o continham eram a epítome da elegância dos anos 70. As suas caixas, quase exclusivamente em ouro de 18k, abandonavam as formas redondas convencionais em favor de silhuetas retangulares ou 'tonneau' que acentuavam a sua delicadeza. Os mostradores eram despojados de qualquer elemento supérfluo: sem data, sem segundos, apenas dois ponteiros finos a deslizar sobre índices discretos. Eram acessórios de luxo, concebidos para serem usados sob o punho de uma camisa de cerimónia, um sussurro de sofisticação em vez de um grito de ostentação. Não existiram 'gerações' ou 'Marks' como nos relógios desportivos; as variações eram subtis, focadas no design da caixa e do mostrador, mas a filosofia central permaneceu inalterada. O impacto do Calibre 1-42 foi mais simbólico do que comercial. Não conseguiu, por si só, reverter a maré do quartzo, mas desempenhou um papel vital ao manter viva a chama da alta relojoaria mecânica. Demonstrou que o valor de um relógio podia residir na sua complexidade interna e na sua beleza artesanal, e não apenas na sua funcionalidade. Hoje, estes relógios são apreciados por colecionadores que entendem a sua importância histórica. São artefactos de uma era de transição, um testemunho da coragem e do génio de uma marca que, confrontada com a extinção, respondeu com uma obra de arte de finura incomparável.

CURIOSIDADES

O recorde de 3.45mm era para o relógio completo (caixa + movimento), uma proeza de engenharia de integração que o distinguiu de outros recordes que se focavam apenas na espessura do movimento. Considerado um 'ato de desafio' contra a Crise do Quartzo, reafirmando o valor da arte mecânica suíça num mercado inundado pela eletrónica. Para alcançar a finura extrema, o design do movimento eliminou todas as complicações, incluindo o ponteiro de segundos, resultando num mostrador de uma pureza e minimalismo absolutos. Apesar do nome oficial ser o do calibre, os colecionadores frequentemente agrupam estes modelos na família 'Shadow' da Universal Genève, juntamente com os seus irmãos automáticos de micro-rotor, devido à partilhada filosofia ultra-fina. Eram frequentemente vendidos em joalharias de prestígio, posicionados não como meros relógios, mas como peças de joalharia masculina, complementando a alta-costura da época. Devido à natureza delicada da sua construção e às dificuldades financeiras que a Universal Genève enfrentou nas décadas seguintes, encontrar exemplares em excelente estado de conservação é hoje um desafio e um objetivo para colecionadores especializados. A sua concepção exigiu inovações não só no movimento, mas também na construção da caixa e na montagem do cristal, que tinham de ser extremamente planos e precisos para não comprometer a integridade estrutural.

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