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Hamilton Pulsar P1: O Computador de Pulso em Ouro que Iniciou a Revolução Digital na Horologia


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Invenção do primeiro relógio digital de pulso. Anunciado em Nova York como um computador de pulso sem partes móveis, utilizava um display de LED (diodos emissores de luz) vermelhos ativado por um botão lateral. O modelo comercial inicial (P1) em ouro 18k custava mais que um carro popular na época, marcando o início da era digital na horologia.

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RESUMO

O Hamilton Pulsar representa um dos momentos mais disruptivos e audaciosos na história da relojoaria do século XX. Lançado numa era dominada pela precisão mecânica suíça, o Pulsar não foi uma evolução, mas sim uma revolução completa. Apresentado ao mundo em 1970 e comercializado a partir de 1972 como o primeiro relógio de pulso eletrónico digital, o seu posicionamento no mercado era o de um objeto de luxo absoluto e um símbolo de status tecnológico. O seu público-alvo não eram os colecionadores tradicionais, mas sim os inovadores, os influenciadores e os abastados que desejavam possuir o futuro no seu pulso. A sua filosofia de design era um puro exercício de futurismo da Era Espacial, eliminando todas as partes móveis — ponteiros, engrenagens, rotor — em favor de um circuito integrado de estado sólido e um display de LED vermelho que brilhava através de um cristal de rubi sintético escuro. A sua importância é monumental; não só provou a viabilidade de um 'computador de pulso' sem partes mecânicas, como também legitimou a tecnologia de quartzo no segmento de ultra-luxo, disparando o tiro de partida para a Crise do Quartzo que iria redefinir dramaticamente a indústria relojoeira global. O Pulsar não era apenas um relógio; era uma declaração de que o tempo, tal como a tecnologia, estava a avançar para uma nova era digital.

HISTÓRIA

A história do Hamilton Pulsar começa no final dos anos 60, um período de otimismo tecnológico alimentado pela Corrida Espacial. A Hamilton Watch Company, uma histórica marca americana, sentindo a pressão da concorrência e a emergência de novas tecnologias, procurava uma inovação que a redefinisse. A inspiração conceitual veio de um projeto anterior: em 1966, a Hamilton foi contratada para criar um relógio de mesa futurista para o filme de Stanley Kubrick, '2001: Uma Odisseia no Espaço'. Embora esse adereço fosse apenas um conceito, a ideia de um relógio sem partes móveis plantou uma semente. A subsidiária da Hamilton, a Electro/Data, Inc., em Lancaster, Pensilvânia, foi encarregada de transformar esta ficção científica em realidade. O desafio era imenso: miniaturizar a tecnologia de circuitos integrados e os displays LED, que na época eram caros e consumiam muita energia, para caber num relógio de pulso. A 5 de Maio de 1970, num evento de imprensa no famoso restaurante The Four Seasons em Nova Iorque, a Hamilton chocou o mundo ao anunciar o 'Pulsar', o primeiro 'computador de pulso de estado sólido'. O protótipo apresentado ainda não era totalmente funcional, mas a promessa era clara. Demorou mais dois anos até que o primeiro modelo comercial, o Pulsar P1, chegasse ao mercado em 1972. O P1 era uma obra-prima de exclusividade: uma edição limitada a aproximadamente 450 peças, com uma caixa e bracelete em ouro maciço de 18k, vendida pelo preço astronómico de 2.100 dólares — mais caro que um Rolex Submariner ou um automóvel Ford Pinto na época. O seu design em forma de almofada e a ausência total de uma coroa tradicional (o tempo era ajustado com um íman alojado no fecho) tornavam-no inconfundível. O seu sucesso entre a elite foi imediato, mas foi o seu sucessor, o Pulsar P2, lançado ainda em 1972, que se tornou um ícone cultural. O P2 apresentava uma caixa mais arredondada e estava disponível em aço inoxidável, tornando-o mais acessível. Foi este modelo que foi imortalizado no pulso de James Bond em 'Live and Let Die' e de inúmeras celebridades. Ao longo dos anos 70, a Hamilton (então sob a propriedade da SSIH, futura Swatch Group) lançou várias iterações, incluindo o P3 com um design mais elegante e modelos com calculadoras. No entanto, a rápida democratização da tecnologia LCD, mais barata e eficiente, levou ao declínio do Pulsar. O seu impacto, contudo, é indelével. O Pulsar não só deu início à era da relojoaria digital, como também forçou a indústria suíça a confrontar uma crise existencial, acelerando a revolução do quartzo. Para os colecionadores de hoje, o P1 original é o Santo Graal, um testemunho de uma época em que um relógio digital podia ser o objeto mais luxuoso e avançado do planeta.

CURIOSIDADES

O nome 'Pulsar' foi inspirado nas estrelas de neutrões pulsantes, descobertas por astrónomos em 1967, ligando o relógio à vanguarda da ciência e da Era Espacial. O primeiro Pulsar P1 não tinha coroa; a hora era acertada através de um pequeno íman especial que vinha engenhosamente guardado dentro do fecho da bracelete. O seu portador mais famoso no cinema foi Roger Moore como James Bond em '007 - Vive e Deixa Morrer' (1973), onde usou um Pulsar P2 de aço inoxidável. Uma lista de proprietários famosos inclui Elvis Presley, Jack Nicholson, Elton John, Sammy Davis Jr., o Xá do Irão e o Presidente dos EUA Gerald Ford, solidificando o seu estatuto como o relógio das celebridades e dos poderosos nos anos 70. O consumo de energia dos LEDs era tão elevado que a hora só era exibida ao premir um botão. Uma exibição permanente teria esgotado a bateria em poucos dias. O protótipo de 1970 foi apelidado de 'o relógio por acabar' pela imprensa, pois a tecnologia ainda não estava pronta e o seu interior continha muito pouco do módulo final, que só foi finalizado em 1972. O preço de lançamento do P1 em ouro 18k era de $2,100 em 1972, o equivalente a mais de $15,000 hoje, tornando-o um dos relógios mais caros do mundo na sua época.

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