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IWC Big Pilot's Watch Ref. 5002 (2002): O Renascimento da 'Große Fliegeruhr'


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O renascimento moderno do relógio de observador. Caixa de 46mm, coroa diamante superdimensionada e o Calibre 5011 com sistema Pellaton e 7 dias de reserva de marcha.

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RESUMO

Lançado em 2002, o IWC Big Pilot's Watch (Ref. 5002) representa um marco seminal na horologia contemporânea, redefinindo o conceito de relógios de aviação de luxo e iniciando a tendência global de caixas superdimensionadas. Este modelo não foi apenas uma homenagem estética; foi uma reinterpretação técnica e luxuosa do histórico relógio de observação (B-Uhr) de 1940 produzido pela IWC para a Luftwaffe. Com uma imponente caixa de 46,2mm, o Ref. 5002 abrigou o monumental Calibre 5011, um movimento manufaturado que adaptou a arquitetura de relógios de bolso para o pulso, apresentando o sistema de corda Pellaton e uma extraordinária reserva de marcha de 7 dias. O modelo de 2002 é particularmente reverenciado por colecionadores puristas devido à sua configuração de 'baixa frequência' (slow-beat), distinguindo-o das iterações subsequentes e consolidando seu status como um 'cult classic' que equilibra a funcionalidade militar brutalista com a alta relojoaria de Schaffhausen.

HISTÓRIA

A gênese do IWC Big Pilot Ref. 5002 remonta aos requisitos estritos do Ministério da Aviação do Reich (RLM) em 1940, que resultaram na criação do 'Beobachtungsuhr' (Relógio de Observador) ou B-Uhr. A IWC foi uma das cinco fabricantes originais (ao lado de Lange, Laco, Stowa e Wempe) a produzir esses instrumentos, entregando o histórico Ref. 431 com um calibre de relógio de bolso (Cal. 52 T.S.C.) e uma caixa massiva de 55mm projetada para ser usada sobre jaquetas de voo. Após décadas em que a IWC focou em relógios de piloto menores, como a série Mark (XI, XII, XV), a marca decidiu, no início do milênio, ressuscitar a grandiosidade do B-Uhr original, mas adaptada para o uso civil de luxo. A apresentação do Ref. 5002 na SIHH de 2002 foi um choque horológico. Com 46,2mm, era considerado gigantesco para os padrões da época, desafiando a ergonomia convencional e estabelecendo o precedente para a moda 'oversized' que dominaria a década de 2000. O coração deste modelo foi o Calibre 5011. Baseado na família do Calibre 5000 (introduzido no Portugieser Automatic 2000), este movimento foi uma façanha de engenharia. Ele permitiu que a IWC incorporasse um mecanismo automático com o lendário sistema de corda Pellaton — inventado pelo diretor técnico da IWC, Albert Pellaton, nos anos 1940 — em um relógio de piloto de grande porte. A versão inicial de 2002 operava a uma frequência clássica de 18.000 vibrações por hora (2.5 Hz). Esta baixa frequência é uma característica crucial para identificação e avaliação, pois modelos posteriores (transição por volta de 2005/2006) foram atualizados para o Calibre 51111 de 21.600 vph (3 Hz) para maior estabilidade cronométrica. Portanto, o Ref. 5002 de 2002 representa a forma mais pura e historicamente mecanizada do renascimento do Big Pilot. Esteticamente, o relógio manteve a legibilidade instrumental do painel de instrumentos do Junkers Ju 52, com o icônico triângulo ladeado por dois pontos na posição de 12 horas, permitindo orientação instantânea no escuro. A inclusão de uma janela de data às 6 horas e um indicador de reserva de marcha às 3 horas foram concessões modernas à funcionalidade diária que, embora controversas para puristas estritos do design militar, tornaram-se assinaturas do Big Pilot moderno.

CURIOSIDADES

O Calibre 5011 possui capacidade física para uma reserva de marcha de 8,5 dias, mas um mecanismo de 'Cruz de Malta' interrompe o funcionamento após 7 dias (168 horas) para evitar a perda de isocronismo quando o torque da mola principal diminui. Os modelos iniciais de 2002 são conhecidos como 'Slow Beat' (18.000 vph) e são significativamente mais colecionáveis do que as versões posteriores de 'High Beat', devido à raridade e à estética do movimento do ponteiro de segundos. A coroa 'diamante' superdimensionada não é apenas estética; foi projetada historicamente para permitir que pilotos ajustassem o relógio sem remover as luvas de voo forradas de pele de carneiro. O vidro de safira do Ref. 5002 é especificamente fixado para resistir a quedas súbitas de pressão atmosférica, o que faria vidros convencionais saltarem da caixa em um cockpit despressurizado. Existe uma variação sutil no mostrador conhecida entre colecionadores como 'Probus Scafusia dial', onde a fonte e o espaçamento dos elementos diferem ligeiramente dos modelos de produção posterior (Ref. 5004). Ao contrário do seu ancestral de 1940 (Ref. 431) que tinha segundos centrais diretos, o Ref. 5002 utiliza segundos centrais indiretos, o que pode causar um leve e inofensivo 'gaguejo' no ponteiro de segundos, uma peculiaridade técnica do sistema.

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