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Lord Elgin (1937): A Gênese da Aristocracia Horológica Americana e o Apogeu do Design Art Déco Streamline


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Lançamento oficial da sub-marca de luxo Lord Elgin, distinguida por movimentos de 21 rubis, caixas curvadas e design Art Deco, posicionada acima da linha padrão.

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RESUMO

O ano de 1937 marcou um ponto de inflexão decisivo na história da Elgin National Watch Company com o lançamento oficial da linha 'Lord Elgin'. Em um cenário onde a indústria americana buscava recuperar-se da Grande Depressão e combater a crescente hegemonia das importações suíças de luxo, a Elgin posicionou esta sub-marca como o pináculo da produção doméstica. Diferenciando-se drasticamente da linha padrão da empresa (tipicamente de 15 ou 17 rubis), os relógios Lord Elgin foram introduzidos com um padrão técnico rigoroso: movimentos de 21 rubis, anteriormente reservados quase exclusivamente para cronômetros ferroviários de bolso, agora miniaturizados para o pulso. Esteticamente, a coleção de 1937 capturou a essência do movimento 'Streamline Moderne', apresentando caixas curvadas, ergonomicamente desenhadas para abraçar o pulso, e mostradores de elegância sóbria com numerais aplicados. Esta linha não foi apenas um exercício de estilo, mas uma declaração de engenharia, oferecendo precisão de cronômetro em caixas de ouro maciço ou 'gold filled' de alta espessura. Para o colecionador e historiador, o Lord Elgin de 1937 representa o último grande suspiro da supremacia relojoeira industrial americana antes da conversão das fábricas para o esforço da Segunda Guerra Mundial, simbolizando uma fusão perfeita entre a confiabilidade mecânica robusta e a sofisticação visual da era do Jazz.

HISTÓRIA

A história do modelo Lord Elgin, especificamente a sua introdução em 1937, é inseparável da narrativa de sobrevivência e reinvenção da indústria relojoeira americana. Fundada em 1864, a Elgin National Watch Company era um titã da produção em massa, mas na década de 1930, enfrentava uma crise de identidade. Enquanto a Hamilton dominava o segmento de 'relógios de cavalheiros' com designs inovadores e a Bulova capturava o mercado médio com marketing agressivo, a Elgin era vista como confiável, porém utilitária. A resposta estratégica foi a criação de uma sub-marca de prestígio que pudesse competir diretamente com a alta relojoaria suíça (como Longines e Omega) e a rival doméstica Hamilton. Para legitimar esse novo patamar de luxo, a empresa negociou os direitos de uso do nome com o Conde de Elgin e Kincardine, uma linhagem nobre escocesa, conferindo um ar de aristocracia europeia ao produto do Meio-Oeste americano. O lançamento de 1937 não foi apenas uma reformulação de marketing; foi uma revolução técnica. A decisão de equipar estes relógios de pulso com movimentos de 21 rubis foi audaciosa. Naquela época, 21 rubis eram o 'padrão ouro' para a precisão ferroviária em relógios de bolso grandes. Miniaturizar essa complexidade e manter a robustez em calibres retangulares ou 'tonneau' exigiu o auge da engenharia da fábrica de Elgin, Illinois. Visualmente, os modelos de 1937 abraçaram o Art Déco em sua fase 'Streamline'. Enquanto o Art Déco dos anos 20 era geométrico e rígido, o estilo do final dos anos 30 era aerodinâmico. As caixas dos Lord Elgin curvavam-se para seguir a anatomia do pulso (uma resposta direta ao sucesso do 'Curvex' da Gruen), e os cristais eram peças complexas de vidro moldado. O mostrador tornou-se um palco de minimalismo luxuoso, abandonando a decoração excessiva em favor de superfícies limpas e legibilidade clássica. O sucesso foi imediato e duradouro. O Lord Elgin tornou-se o presente de formatura e aposentadoria por excelência nos EUA, um símbolo de status que dizia que o portador valorizava tanto a precisão americana quanto o estilo cosmopolita. Mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, quando a produção civil foi interrompida, a reputação construída pelos modelos de 1937-1940 sustentou a imagem da marca. Hoje, os exemplares de 1937 são cobiçados não apenas pelo ouro de suas caixas, mas como artefatos de uma era em que a relojoaria americana atingiu seu apogeu técnico e estético, antes do declínio gradual nas décadas de 50 e 60.

CURIOSIDADES

1. Acordo Nobre: O nome 'Lord Elgin' não foi apenas uma escolha aleatória; foi licenciado diretamente do 10º Conde de Elgin, Edward James Bruce, chefe da família que famosamente trouxe os Mármores do Partenon para a Grã-Bretanha. 2. Preço Premium: Em 1937, um Lord Elgin custava a partir de $50,00 (chegando a $100+ para modelos de ouro maciço), uma quantia substancial numa época em que um bom relógio comum custava $15 e o salário médio semanal era de cerca de $25. 3. O Mistério dos 21 Rubis: A inclusão de 21 rubis incluía pedras funcionais na roda de centro e nas engrenagens de escape, o que reduzia drasticamente o atrito e aumentava a longevidade, ao contrário de marcas menores que usavam rubis decorativos sem função mecânica. 4. Timing de Observatório: A Elgin mantinha seu próprio observatório astronômico para garantir a precisão de seus cronômetros mestres, e a linha Lord Elgin era regulada com base nesses padrões de tempo sideral. 5. Inovação da Mola: Embora introduzida totalmente após a guerra, a pesquisa metalúrgica iniciada para a linha Lord Elgin no final dos anos 30 levou à criação da mola principal 'DuraPower' (liga de elgiloy), que era inquebrável e resistente à corrosão, resolvendo a maior causa de falhas em relógios da época. 6. A 'Caixa do Diretor': Muitos Lord Elgins de 1937 vinham em caixas de apresentação de veludo e baquelite extremamente elaboradas, que hoje são itens de coleção valiosos por si só. 7. Drivers Watch: Alguns modelos desta era foram desenhados com asas móveis ou caixas extremamente curvadas para serem usados na lateral do pulso, facilitando a leitura da hora enquanto se segurava o volante de um automóvel.

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