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King Seiko KSK 'Garyu-Bai' (SJE087): A Ressurreição Carmesim da Daini Seikosha e o Espírito de Kameido


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Reedição limitada de luxo (2.000 peças) baseada no design KSK de 1965, apresentando mostrador vermelho inspirado nas ameixeiras do santuário Kameido Tenjin e equipada com o calibre 6L35.

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RESUMO

O King Seiko SJE087, lançado em 2022, não é apenas um instrumento de cronometragem; é uma carta de amor geográfica e histórica à era de ouro da relojoaria japonesa. Representando uma reinterpretação luxuosa do lendário King Seiko KSK de 1965 (44KS), esta peça de edição limitada captura a essência da rivalidade interna da Seiko, especificamente a excelência da manufatura Daini Seikosha. O destaque absoluto desta referência é o mostrador vermelho radiante, inspirado nas ameixeiras 'Garyu-Bai' (Dragão Reclinado) do Santuário Kameido Tenjin, localizado próximo à fábrica original da King Seiko em Tóquio. Diferenciando-se das reedições mais acessíveis da linha moderna (série SPB), o SJE087 posiciona-se no segmento premium, equipado com o calibre 'slimline' 6L35. Este movimento permite que o relógio mantenha as proporções elegantes e o perfil esguio do original de corda manual, apesar de ser automático. O acabamento da caixa exibe o polimento Zaratsu de distorção zero, com arestas vivas e angulares que seguem a 'Gramática do Design' estabelecida por Taro Tanaka. Com uma produção global restrita (oficialmente catalogada em 1.700 peças, embora alocações regionais variem), o SJE087 é um testemunho da capacidade da Seiko de fundir a precisão mecânica moderna com uma narrativa cultural profunda, celebrando a beleza efêmera da flora japonesa e a permanência da engenharia de precisão.

HISTÓRIA

A história do King Seiko SJE087 é inseparável da lendária rivalidade interna que impulsionou a Seiko à supremacia horológica global na década de 1960. Durante este período, a empresa operava duas subsidiárias que competiam ferozmente entre si: a Suwa Seikosha (criadora do Grand Seiko) e a Daini Seikosha (criadora do King Seiko). O objetivo era simples: a competição interna geraria a perfeição. O modelo original de 1965, o King Seiko KSK (44KS), foi o segundo modelo da linha King Seiko e representou um salto quântico em design e funcionalidade, definindo a identidade visual da marca com suas asas grossas e superfícies planas polidas. O SJE087, lançado em 2022, homenageia especificamente as raízes geográficas da Daini Seikosha. A fábrica estava localizada em Kameido, Tóquio, uma área famosa pelo Santuário Kameido Tenjin. Este santuário é célebre pelas suas ameixeiras, especificamente a variedade 'Garyu-Bai', cujos troncos lembram um dragão deitado no chão. O mostrador vermelho profundo do SJE087 não é uma escolha estética aleatória; ele evoca a cor vibrante dessas flores que os relojoeiros da Daini teriam admirado durante a criação dos modelos originais. Tecnicamente, o SJE087 representa a 'Alta Relojoaria' dentro do renascimento da submarca King Seiko. Enquanto a Seiko lançou modelos de entrada com movimentos da série 6R, o SJE087 foi equipado com o calibre 6L35, um movimento mais fino e refinado, desenvolvido para competir com calibres suíços de alto desempenho. A escolha deste movimento foi crítica para a fidelidade histórica: o KSK original de 1965 era um relógio de corda manual e, portanto, muito fino. Para recriar essa elegância com um movimento automático moderno, apenas o perfil esbelto do 6L35 (3,7 mm de altura) seria adequado, resultando em uma espessura total de caixa de apenas 11,4 mm, meros 0,5 mm a mais que o original manual. O SJE087, portanto, serve como uma ponte temporal. Ele ressuscita a estética angular e assertiva dos anos 60 — muitas vezes descrita como a 'Gramática do Design' que exige que as superfícies reflitam a luz sem distorção — e a combina com a metalurgia e tribologia do século XXI. É um tributo à Daini Seikosha, que, embora muitas vezes vista como a 'irmã menor' da Suwa (Grand Seiko), produziu designs que hoje são considerados alguns dos mais puros e equilibrados da história da relojoaria japonesa.

CURIOSIDADES

1. O nome 'Garyu-Bai' traduz-se literalmente como 'Ameixeira do Dragão Reclinado', referindo-se à forma tortuosa e rastejante dos troncos das árvores no santuário Kameido Tenjin. 2. O índice das 12 horas apresenta uma textura 'Clous de Paris' (textura piramidal) distinta, que é uma assinatura exclusiva do design KSK, desenhada para capturar a luz e garantir legibilidade máxima. 3. O medalhão dourado no fundo da caixa mantém o design original do escudo King Seiko, um detalhe que desapareceu nos modelos posteriores da era vintage (que adotaram medalhões 'KS' mais simples). 4. A fivela da pulseira é uma recriação exata do design dos anos 60, apresentando um perfil retangular e o relevo 'Seiko' em fonte de época, algo raramente visto em reedições modernas. 5. Diferente dos modelos padrão da coleção King Seiko moderna que usam o calibre 6R31, o uso do 6L35 neste modelo exige que a montagem seja feita no Shizukuishi Watch Studio, ao lado dos Grand Seiko mecânicos. 6. A cor vermelha do mostrador muda drasticamente dependendo da iluminação, variando de um bordeaux quase preto em luz baixa a um carmesim vibrante sob luz solar direta, mimetizando o ciclo de floração. 7. A coroa é assinada com o nome 'Seiko' e a letra 'W', indicando a resistência à água ('Waterproof') conforme a nomenclatura original de 1965, um detalhe anacrônico mantido intencionalmente para puristas.

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