RESUMO
Lançado em 1993 e comercializado predominantemente a partir de 1994, o IWC Mark XII (Ref. 3241) representa um marco fundamental na horologia moderna, atuando como a ponte definitiva entre os relógios ferramenta estritamente militares de meados do século XX e a relojoaria de luxo contemporânea. Concebido como o sucessor civil direto do lendário Mark 11 (que serviu a RAF por décadas), o Mark XII manteve as dimensões clássicas de 36mm e a estética utilitária de alta legibilidade, mas introduziu refinamentos cruciais para o uso diário, nomeadamente um movimento automático e uma complicação de data. O que eleva o Mark XII ao status de 'cult' entre colecionadores exigentes é o seu motor: ao contrário do seu sucessor (o Mark XV, baseado em ETA), o Mark XII abriga o Calibre IWC 884/2, baseado no nobre Jaeger-LeCoultre 889/2. Esta escolha técnica reflete uma era específica da IWC (então sob a égide da LMH/VDO), onde a engenharia de precisão e a proveniência do movimento primavam sobre a escalabilidade industrial. O relógio apresenta uma caixa interna de ferro macio para proteção antimagnética, fidelizando-se às raízes de aviação, e permanece como o último Pilot's Watch da IWC a ostentar esta combinação de tamanho clássico e calibre de alta relojoaria 'thin-movement'.
HISTÓRIA
A gênese do IWC Mark XII (Ref. 3241) não pode ser dissociada do peso histórico do seu antecessor, o Mark 11. Introduzido em 1948, o Mark 11 foi construído sob as especificações estritas do Ministério da Defesa Britânico (MoD), definindo o padrão para relógios de aviação antimagnéticos. Quando a IWC decidiu descontinuar o fornecimento militar e revitalizar a linha para o mercado civil no início da década de 1990, a indústria relojoeira suíça estava emergindo dos escombros da Crise do Quartzo. O lançamento do Mark XII em 1993/1994 foi uma declaração de intenções: um retorno à pureza mecânica e à funcionalidade austera.
O desenvolvimento do Mark XII ocorreu num período de transição corporativa. A IWC, juntamente com a Jaeger-LeCoultre (JLC), pertencia ao grupo Mannesmann VDO (através da subsidiária LMH) antes da aquisição pela Richemont. Esta relação corporativa permitiu à IWC acesso ao calibre JLC 889/2, um movimento automático fino, refinado e tecnicamente superior aos calibres de base genérica. A IWC modificou este calibre, renomeando-o para 884/2, instalando-o dentro de uma gaiola de ferro macio para garantir a proteção antimagnética essencial à linhagem 'Mark'.
Esteticamente, o Mark XII manteve a disciplina espartana do mostrador do Mark 11: fundo preto mate, ponteiros 'bâton' para as horas e espada para os minutos, e o icônico triângulo com dois pontos às 12 horas. A adição controversa, porém prática, de uma janela de data às 3 horas marcou a concessão necessária ao mercado de luxo civil. O tamanho da caixa de 36mm foi mantido, preservando as proporções clássicas que, anos mais tarde, seriam abandonadas em favor de diâmetros maiores (começando com os 38mm do Mark XV).
A produção do Mark XII foi relativamente curta, encerrando-se em 1999 com a introdução do Mark XV. A transição para o Mark XV não foi apenas estética; marcou a mudança do movimento base JLC para o ETA 2892-A2, uma decisão motivada pela robustez, facilidade de serviço e economia de escala sob a nova gestão da Richemont. Consequentemente, o Mark XII cristalizou-se na história como o 'último dos puristas', um relógio que combina a estética militar intransigente com um 'coração' de alta horologia, tornando-o uma das peças mais colecionáveis e tecnicamente interessantes da era neo-vintage da IWC.
CURIOSIDADES
A Coroa do 'Peixe': As versões originais do Mark XII vinham com uma coroa rosqueada ostentando um símbolo de peixe (indicando resistência à água). Em revisões posteriores na IWC, essas coroas são frequentemente substituídas pela versão moderna com o logo 'Probus Scafusia', o que torna os modelos com o 'Peixe' original mais valiosos para puristas.
Edições em Metais Preciosos: Embora seja um relógio-ferramenta, a IWC produziu quantidades limitadas do Mark XII em Ouro Amarelo (Ref. 9241) e uma série extremamente rara em Platina (limitada a 500 peças), que apresentava um mostrador azulado exclusivo.
A Edição de Titânio 'GL': Existe uma versão muito rara em titânio com mostrador azul escuro, conhecida como 'Giorgio Laca' ou edição para o mercado asiático/italiano, que difere drasticamente do modelo padrão em aço.
O Elo JLC: O calibre base Jaeger-LeCoultre 889/2 utilizado é conhecido por ser um movimento de alta frequência (28.800 vph) e perfil fino, mas é considerado mais sensível a choques e intervalos de manutenção do que o trator ETA 2892 usado no sucessor Mark XV.
Lúmen de Transição: Os primeiros mostradores continham Trítio e são marcados 'T Swiss Made T'. Com o passar do tempo, o trítio envelhece para uma cor creme/amarelada (pátina), altamente desejável. Versões de serviço ou finais podem ter Super-LumiNova, marcadas apenas 'Swiss Made', perdendo o charme da pátina vintage.
Pulseira 'Beads of Rice': Além da correia de couro, o Mark XII estava disponível com uma pulseira de aço inoxidável estilo 'grão de arroz' ou tijolo fino, extremamente confortável e de construção complexa, que se tornou um item de colecionador por si só.