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Jaeger-LeCoultre Atmos 1928 - O Relógio Presidencial de Movimento Perpétuo que Desafia a Termodinâmica


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Relógio de mesa com movimento perpétuo virtual, inventado por Jean-Léon Reutter e aperfeiçoado e fabricado pela Jaeger-LeCoultre. Extrai energia de pequenas variações de temperatura ambiente através de um fole de cloreto de etila, dispensando corda.

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RESUMO

O Jaeger-LeCoultre Atmos, introduzido conceitualmente em 1928, não é apenas um instrumento de cronometragem; é uma obra-prima de engenharia que roça o sonho alquímico do movimento perpétuo. Concebido originalmente por Jean-Léon Reutter e subsequentemente aperfeiçoado pela manufatura de Le Sentier, o Atmos ocupa uma posição singular no panteão da horologia como o relógio de mesa definitivo para estadistas, monarcas e connoisseurs de alta mecânica. Diferente de qualquer relógio de pulso ou de parede convencional, o Atmos opera em um silêncio quase litúrgico, extraindo sua energia vital não de uma mola enrolada manualmente ou de uma bateria, mas das flutuações atmosféricas do ambiente. É um objeto de status intelectual e estético, frequentemente encontrado nos escritórios do poder global — da Casa Branca ao Vaticano. Sua filosofia de design transcende a mera utilidade; é uma escultura cinética que representa a vitória da paciência e da precisão sobre o atrito e a entropia. Para o colecionador, o Atmos 1928 (e seus descendentes imediatos) representa o nascimento de uma lenda, um dispositivo que, teoricamente, poderia funcionar por séculos sem intervenção humana, bastando apenas que o sol nasça e se ponha, alterando a temperatura da sala.

HISTÓRIA

A gênese do Atmos remonta a 1928, um ano que marcou uma revolução silenciosa na horologia. Enquanto o mundo dos relógios de pulso corria em direção à impermeabilidade e automação por rotor, o engenheiro suíço Jean-Léon Reutter, radicado em Paris, dedicava-se a uma busca secular: o 'moteur perpétuel'. O resultado foi o patenteamento de um mecanismo que utilizava um fole de vidro contendo uma mistura de mercúrio e amônia (nos protótipos iniciais conhecidos como Atmos I ou Reutter Patent). A premissa era genial em sua simplicidade teórica, mas complexa na execução: a expansão e contração térmica do composto acionava a corda do relógio. Embora os primeiros modelos tenham sido comercializados pela Compagnie Générale de Radio (C.G.R.) na França, foi a intervenção da Jaeger-LeCoultre que transformou uma invenção brilhante, porém temperamental, em um ícone de confiabilidade. Jacques-David LeCoultre, impressionado com o conceito, adquiriu as patentes na década de 1930. A manufatura redesenhou o 'motor', substituindo a mistura original instável por cloreto de etila saturado — um gás muito mais responsivo e seguro — selado hermeticamente em um fole de metal flexível. Esta evolução técnica, consolidada no 'Atmos II' e modelos subsequentes, permitiu que uma variação de temperatura de apenas um grau Celsius garantisse 48 horas de reserva de marcha. Esteticamente, o modelo de 1928 e seus sucessores imediatos encapsulam o auge do Art Déco e do Modernismo. De gabinetes pesados e ornamentados a cúpulas de vidro minimalistas que deixam o movimento 'flutuar', o design do Atmos permaneceu atemporal. O pêndulo de torção, que gira lenta e hipnoticamente duas vezes por minuto, tornou-se sua assinatura visual. O Atmos não é apenas um relógio; é uma testemunha da história. Ele sobreviveu à Grande Depressão, à Segunda Guerra Mundial e à Crise do Quartzo, mantendo-se praticamente inalterado em seu princípio de funcionamento. Para a Jaeger-LeCoultre, o Atmos solidificou sua reputação não apenas como relojoeiros, mas como cientistas do tempo, criando um legado onde a mecânica beira a magia.

CURIOSIDADES

O Presente de Estado Suíço: O Atmos é o presente oficial tradicional da Confederação Suíça para dignitários estrangeiros, tendo sido presenteado a nomes como Winston Churchill, John F. Kennedy, Papa João Paulo II e Rainha Elizabeth II. Eficiência Incomparável: O mecanismo é tão eficiente que seriam necessários 60 milhões de relógios Atmos funcionando simultaneamente para consumir a mesma energia de uma única lâmpada incandescente de 15 watts. A Regra de Ouro da Manutenção: Devido ao atrito quase inexistente, o Atmos não utiliza óleo convencional em suas engrenagens principais; lubrificantes tradicionais criariam arrasto suficiente para parar o pêndulo. Ele é projetado para rodar por décadas sem serviço. Sensibilidade Extrema: O pêndulo de torção é suspenso por um fio de liga de Elinvar tão fino e delicado que mover o relógio sem travar o pêndulo primeiro pode causar danos catastróficos imediatos ao movimento. O Apelido: Frequentemente chamado de 'O Relógio que Vive do Ar', embora tecnicamente viva das variações de temperatura desse ar, e não do ar em si (como um barômetro).

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