RESUMO
Lançado em 2010 como uma joia da coroa da coleção 'Fine Watchmaking' da Cartier, o Astrotourbillon não é apenas um relógio, mas uma declaração de proeza técnica e ambição criativa. Posicionado no auge da alta relojoaria, o seu público-alvo são os colecionadores mais exigentes e conhecedores que procuram inovação mecânica para além das complicações tradicionais. A sua filosofia de design rompe com a função primária do tourbillon como um mero órgão regulador oculto; em vez disso, eleva-o a protagonista cinético do mostrador. Ao contrário de qualquer outro tourbillon, a sua gaiola executa uma órbita completa do mostrador a cada minuto, servindo simultaneamente como um indicador de segundos dramático e hipnótico. Esta invenção não foi uma mera iteração, mas uma reimaginação fundamental da interação entre um mecanismo e a exibição do tempo. A sua importância reside em ter cimentado a legitimidade da Cartier como uma verdadeira 'manufacture' de alta complicação, provando que a sua excelência não se limitava ao design de caixas e joalharia, mas estendia-se ao coração do próprio movimento, desafiando convenções e criando uma nova linguagem visual para a cronometria de precisão.
HISTÓRIA
A génese do Astrotourbillon remonta ao final dos anos 2000, um período em que a Cartier, sob a liderança visionária de Carole Forestier-Kasapi, chefe de desenvolvimento de movimentos, investiu massivamente para transformar a sua imagem de 'joalheiro que faz relógios' para a de uma 'manufacture' de alta relojoaria inovadora e legítima. Apresentado com grande aclamação na SIHH (Salon International de la Haute Horlogerie) de 2010, o Astrotourbillon foi a prova irrefutável dessa ambição. Não era uma evolução de um conceito existente, mas uma invenção radical. O seu predecessor conceptual não é um modelo, mas sim a própria filosofia de desafiar os limites da relojoaria. O Calibre 9451 MC, desenvolvido ao longo de cinco anos, foi projetado a partir do zero para acomodar as exigências únicas do seu mecanismo central. Ao contrário de um tourbillon tradicional, que roda sobre o seu próprio eixo numa posição fixa, ou de um carrossel, o Astrotourbillon colocou o eixo de rotação da sua gaiola no centro do movimento. No entanto, o balanço e o escape foram posicionados na extremidade de uma longa ponte em forma de seta, forçando todo o conjunto a orbitar perifericamente o mostrador. Esta escolha criou desafios de engenharia imensos, principalmente o de gerir a inércia e o torque de uma massa considerável a girar de forma descentralizada, o que exigiu um trem de engrenagens totalmente redesenhado para garantir a isocronia. A primeira encarnação do Astrotourbillon foi na imponente e clássica caixa Rotonde de Cartier de 47mm, que serviu como uma moldura de teatro para o espetáculo mecânico interior. Nos anos seguintes, a Cartier demonstrou a versatilidade do calibre, alojando-o em outras coleções. Notavelmente, surgiu numa versão mais desportiva na caixa Calibre de Cartier e, de forma espetacular, no Astrotourbillon Carbon Crystal de 2012, um relógio-conceito que utilizava uma caixa de Nióbio-Titânio e componentes de carbono para a gaiola do tourbillon, tornando-o ultraleve e livre de lubrificação. A evolução mais significativa foi a introdução de versões esqueletizadas, como o Rotonde de Cartier Astrotourbillon Skeleton, que removeu ainda mais material do mostrador e das pontes para expor a arquitetura do calibre 9451 MC em toda a sua glória. O impacto do Astrotourbillon foi profundo. Ele não só ganhou prémios e o respeito da indústria, mas também alterou permanentemente a perceção da Cartier no mundo da alta relojoaria, provando que a 'Maison' era uma força de inovação técnica, capaz de criar complicações tão complexas e visualmente cativantes como qualquer outra marca histórica suíça.
CURIOSIDADES
O mecanismo foi desenvolvido sob a direção de Carole Forestier-Kasapi, uma das mais influentes e criativas relojoeiras da sua geração.
Apesar do seu nome, o eixo de rotação do balanço do Astrotourbillon não está no centro do relógio; é o eixo da ponte que o transporta que é central, criando um debate fascinante entre puristas sobre se cumpre a definição mais estrita de um 'tourbillon central'.
O Calibre 9451 MC ostenta o prestigioso Poinçon de Genève (Selo de Genebra), uma certificação independente que garante os mais altos padrões de acabamento, decoração e qualidade de construção do movimento, um feito notável para uma 'maison' parisiense.
Uma das características visuais mais marcantes é a ausência de uma ponte superior a segurar a gaiola do tourbillon. Esta é suportada inteiramente por baixo, a partir do pinhão central, criando uma ilusão de que flutua magicamente sobre o movimento.
Foram necessários cinco anos de intensa pesquisa e desenvolvimento na manufatura da Cartier em La Chaux-de-Fonds para aperfeiçoar o Calibre 9451 MC e resolver os seus desafios únicos de inércia e consumo de energia.
Em 2012, a Cartier lançou o Astrotourbillon Carbon Crystal, uma peça conceptual que utilizou materiais de vanguarda como o cristal de carbono (carbono amorfo tipo diamante) para os componentes do escape, eliminando a necessidade de lubrificação e aumentando a durabilidade.