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Cartier ID One: O Relógio Conceito de 2009 que Prometeu a Imortalidade Mecânica Sem Manutenção


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Relógio conceito que introduziu o pilar técnico de manutenção zero. Primeira peça horológica a dispensar lubrificação e ajuste fino pós-montagem. Utiliza Cristal de Carbono para o balanço e escape, e Zerodur (material cerâmico com expansão térmica quase nula) para a mola espiral, eliminando a necessidade de raquete de ajuste.

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RESUMO

O Cartier ID One, revelado ao mundo em 2009, não foi apenas um relógio; foi um manifesto tecnológico, uma declaração audaciosa da Cartier sobre o futuro da alta relojoaria. Posicionado como um relógio-conceito puro, nunca destinado à produção em série, o seu propósito era demonstrar o domínio técnico da 'maison' e resolver um dos problemas mais antigos da horologia: a necessidade de lubrificação e ajuste regular. A sua filosofia de design foi radicalmente funcional, focada em materiais de vanguarda que eliminavam o atrito e a instabilidade térmica. O público-alvo não eram colecionadores comerciais, mas sim a própria indústria, posicionando a Cartier, sob a liderança visionária de Carole Forestier-Kasapi, como uma força inovadora a par das mais reverenciadas manufaturas suíças. A sua importância é imensa; o ID One provou que uma marca historicamente associada ao design e à joalharia podia liderar a inovação técnica mais avançada. Ele desmantelou a noção de que a manutenção periódica era um mal necessário, introduzindo materiais como o Cristal de Carbono e o Zerodur® que prometiam uma precisão cronométrica estável e duradoura, sem uma única gota de óleo ou um único ajuste pós-montagem. Foi o primeiro passo de uma jornada que redefiniria as fronteiras da relojoaria mecânica.

HISTÓRIA

No final da primeira década do século XXI, a Cartier estava a cimentar agressivamente a sua reputação não apenas como uma 'maison' de design, mas como uma 'manufacture' de alta relojoaria de pleno direito. O ano de 2009 foi um ponto de viragem, marcado pelo trabalho do seu departamento de 'Innovation & Development' (ID). Foi neste contexto de ambição técnica que nasceu o Cartier ID One, o primeiro de uma série de relógios-conceito disruptivos. Apresentado como um protótipo totalmente funcional, o ID One não tinha predecessores diretos; era, em si, o progenitor de uma nova filosofia horológica. A sua missão era clara e audaciosa: criar um relógio mecânico que nunca precisasse de ajuste ou lubrificação ao longo da sua vida útil. A equipa liderada por Carole Forestier-Kasapi abordou os quatro inimigos da cronometria – gravidade, atrito, magnetismo e choques – com uma abordagem baseada na ciência dos materiais. Em vez de tentar compensar os problemas, a Cartier procurou eliminá-los na sua origem. O coração desta revolução foi o órgão regulador. O balanço e o escape, componentes de alta fricção tradicionalmente feitos de metal e necessitando de rubis e óleos, foram re-imaginados. Foram fabricados a partir de Cristal de Carbono, uma forma de carbono cristalino com propriedades semelhantes às do diamante: extremamente duro, leve e com um coeficiente de atrito excecionalmente baixo. Isto permitiu que o escape funcionasse a seco, sem qualquer lubrificação, eliminando a degradação de óleos que é a principal causa para a necessidade de revisões periódicas. O segundo pilar da inovação foi a espiral, tradicionalmente suscetível a variações de temperatura. Em vez da liga metálica convencional, a Cartier utilizou Zerodur®, um vitrocerâmico desenvolvido pela Schott AG, famoso pela sua expansão térmica praticamente nula. A estabilidade do Zerodur® em diferentes temperaturas tornou a tradicional raquete de regulação obsoleta. O ajuste fino foi tornado permanente na fase de fabrico do balanço, selando a precisão do relógio para sempre. Para proteger esta mecânica delicada, a caixa foi construída em Nióbio-Titânio, uma liga aeroespacial com uma capacidade notável de absorver impactos. Como não era um modelo comercial, o ID One não teve diferentes referências ou gerações. O seu design foi alojado numa caixa do então recém-lançado Calibre de Cartier, servindo como uma ponte entre o futuro tecnológico e a estética contemporânea da marca. O impacto do ID One na indústria foi profundo. Demonstrou que a inovação em materiais podia resolver problemas fundamentais que tinham atormentado os relojoeiros durante séculos. Abriu caminho para uma maior adoção de silício, carbono e outras tecnologias na relojoaria de luxo e solidificou a credibilidade da Cartier como uma potência técnica. O seu legado não está nas unidades vendidas, mas nas portas que abriu, inspirando o seu sucessor, o ainda mais ambicioso ID Two de 2012, e influenciando uma geração de relojoeiros a pensar para além da tradição.

CURIOSIDADES

O nome 'ID' é uma abreviatura para 'Innovation & Development', o nome do departamento de vanguarda da Cartier responsável pela sua criação. O projeto foi supervisionado pela lendária mestre relojoeira Carole Forestier-Kasapi, na altura chefe de desenvolvimento de movimentos da Cartier, que foi a força motriz por trás da ascensão técnica da marca. O relógio foi concebido para funcionar sem qualquer ajuste ou manutenção por um período garantido de dez anos, uma afirmação sem precedentes no mundo da relojoaria mecânica em 2009. O Zerodur®, material usado na espiral, é mais conhecido pela sua aplicação em espelhos de telescópios astronómicos de alta precisão, como o Very Large Telescope no Chile, devido à sua incrível estabilidade térmica. Apesar de ser um 'relógio-conceito', o ID One era um protótipo totalmente funcional e usável, demonstrando a viabilidade prática da sua tecnologia revolucionária. O Cristal de Carbono utilizado no escape é fabricado através de um processo chamado Deposição Química de Vapor (CVD), que 'cresce' o material átomo por átomo sobre um substrato de silício. O ID One serviu como plataforma de lançamento para o Cartier ID Two (2012), que levou os conceitos ainda mais longe, introduzindo uma caixa selada a vácuo para eliminar a resistência do ar e uma reserva de marcha de 32 dias.

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