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Certina DS-1 (2007): A Ressurreição do Ícone de 1959 e a Redefinição da Elegância Robusta na Horologia Suíça


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Relançamento moderno da linha clássica, inspirada diretamente na estética do primeiro DS de 1959, mas estabelecida como uma família comercial distinta focada em elegância e versatilidade.

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RESUMO

O lançamento do Certina DS-1 em 2007 não foi apenas a introdução de um novo modelo, mas um manifesto estratégico que reafirmou a identidade da manufatura de Grenchen dentro do competitivo portfólio do Swatch Group. Representando uma ponte magistral entre a herança instrumental e a sofisticação contemporânea, este modelo marcou o retorno definitivo da estética do lendário 'Double Security' original de 1959, adaptado para o século XXI. Enquanto o modelo original era celebrado como uma ferramenta de sobrevivência robusta usada em expedições ao Himalaia, a iteração de 2007 refinou essas linhas brutas em uma silhueta de elegância versátil, categorizada hoje como 'dress-sport'. O relógio captura a essência do design de meados do século com seus terminais (lugs) torcidos distintos e, em muitas variações, o mostrador clássico com a cruz central (crosshair). No entanto, tecnicamente, ele abandonou os anéis de polímero originais em favor de montagens de movimento modernas e materiais superiores como a safira, mantendo a promessa inabalável de resistência à água de 100 metros e proteção contra choques. O DS-1 de 2007 estabeleceu-se como a pedra angular da coleção 'Heritage', oferecendo aos entusiastas um calibre suíço confiável (geralmente o ETA 2824-2 na época) envolto em um acabamento que rivalizava com marcas de posicionamento superior, solidificando a reputação da Certina de oferecer um valor excepcional sem sacrificar a proveniência histórica.

HISTÓRIA

A história do Certina DS-1 de 2007 é inseparável da gênese do conceito 'DS' (Double Security), uma das inovações mais pragmáticas e duradouras da horologia do século XX. Para compreender a gravidade do relançamento de 2007, devemos voltar a 1959, quando a Certina, sob a liderança da família Kurth, resolveu o maior problema dos relógios mecânicos da época: a fragilidade contra choques e infiltração de água. O sistema DS original utilizava um conceito revolucionário de 'movimento flutuante', onde todo o calibre era suspenso dentro da caixa por um anel elástico de absorção de choque, além de uma série de vedações O-ring na tige de ajuste e na coroa. Esta inovação foi validada em 1960, quando uma equipe suíça equipada com relógios DS escalou o Dhaulagiri no Himalaia (8.167m), provando a indestrutibilidade do conceito. No entanto, nas décadas seguintes, especialmente durante a Crise do Quartzo e a subsequente reestruturação sob o Swatch Group, a Certina oscilou entre relógios puramente desportivos e designs genéricos de quartzo. O ano de 2007 marcou um ponto de inflexão crítico: o 'Renascimento Mecânico'. O mercado começava a demonstrar um apetite voraz por relógios com herança genuína e estética vintage ('retrofuturismo'). A Certina respondeu não com uma réplica exata, mas com o DS-1. O DS-1 de 2007 foi desenhado para evocar a memória visual do modelo de 1959 sem ser um pastiche. Os designers mantiveram a geometria fluida das alças (lugs) que se curvam suavemente para dentro, uma característica distintiva dos anos 50, e reintroduziram o mostrador com a cruz filiforme (crosshair), que melhorava a legibilidade. Diferente do seu ancestral volumoso, o DS-1 de 2007 foi refinado para ser um 'daily wearer'. A caixa de 39mm foi considerada o equilíbrio perfeito entre a presença moderna e a discrição clássica. Tecnicamente, o modelo de 2007 atualizou o sistema DS. Embora os materiais modernos de absorção de choque nos movimentos ETA (como o Incabloc) tornassem o anel de suspensão flutuante original redundante, a Certina manteve a filosofia de sobredimensionar a proteção: vidro de safira espesso, vedações múltiplas na coroa e uma construção de caixa reforçada. Este modelo foi fundamental porque elevou a percepção da marca Certina, retirando-a da categoria de 'apenas relógios desportivos de quartzo' e devolvendo-lhe o prestígio de uma verdadeira 'Maison' suíça com raízes históricas profundas. O sucesso comercial do DS-1 de 2007 pavimentou o caminho para toda a linha 'Heritage' atual, tornando-se um clássico de culto por oferecer especificações de alta relojoaria a um preço acessível.

CURIOSIDADES

1. Conexão com o Himalaia: O lançamento de 2007 presta homenagem direta à expedição suíça ao Dhaulagiri em 1960; o modelo original suportou altitudes de 8.167 metros e mudanças drásticas de pressão e temperatura sem falhas. 2. O Segredo da Tartaruga: O fundo da caixa do DS-1 (e de outros modelos DS) frequentemente apresenta o logo da tartaruga, um símbolo adotado pela marca na década de 1960 para representar longevidade e robustez da carapaça (caixa) do relógio. 3. Muhammad Ali: O lendário pugilista foi um dos proprietários famosos de um Certina DS original (da era inicial), reforçando a imagem de 'resistência a impactos' que o modelo de 2007 procurou resgatar. 4. Evolução do Anel O-Ring: Enquanto o modelo de 1959 usava um anel de borracha sintética grossa ao redor do movimento, o DS-1 de 2007 confia em polímeros modernos e na proteção Incabloc do próprio movimento ETA, mantendo o nome 'Double Security' mais focado na vedação da coroa e rigidez da caixa. 5. Posicionamento Estratégico: O DS-1 de 2007 é frequentemente citado por especialistas como o modelo que impediu a Certina de se tornar uma marca irrelevante, reposicionando-a como a 'irmã robusta' da Tissot e a 'prima acessível' da Omega. 6. Crosshair Dial: A cruz no mostrador, presente em muitas versões de 2007, não era apenas estética nos anos 50; originalmente, ajudava na leitura precisa dos segundos e na verificação do alinhamento visual, e seu retorno foi um dos principais pontos de venda para colecionadores nostálgicos. 7. A Data da Mudança: A posição da janela de data entre as 4 e 5 horas em algumas variantes do DS-1 de 2007 foi um ponto de controvérsia entre puristas, que preferiam a ausência de data ou a posição às 3 horas, mas foi uma concessão à praticidade moderna.

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