RESUMO
O Certina DS First, introduzido no catálogo da manufatura suíça por volta de 2005, representa um ponto de inflexão estratégico na história moderna da marca sob a égide do Swatch Group. Concebido para preencher a lacuna entre os mergulhadores utilitários puros (tool watches) e os relógios desportivos de uso diário, o DS First estabeleceu-se como um paradigma de versatilidade. Este modelo personifica a filosofia 'Double Security' (DS), uma assinatura técnica da Certina desde 1959, elevando-a a novos padrões de acabamento no início do milénio. Com uma caixa arquitetónica robusta, geralmente em aço inoxidável 316L, e uma estanqueidade de 200 metros (20 ATM), o relógio foi desenhado para suportar pressões submarinas consideráveis sem sacrificar a estética refinada necessária para o ambiente corporativo. A linha de 2005 foi predominantemente impulsionada por movimentos de quartzo ETA de alta precisão, refletindo a procura da época por fiabilidade 'pick-up-and-go'. O sucesso deste modelo foi tal que serviu de base para evoluções subsequentes significativas, incluindo a introdução pioneira de materiais exóticos no segmento de preço médio, como as versões com luneta em cerâmica técnica que surgiriam anos mais tarde, consolidando o DS First como um 'cult classic' entre entusiastas que valorizam a relação custo-benefício e a engenharia suíça intransigente.
HISTÓRIA
A história do Certina DS First de 2005 não pode ser dissociada da rica herança do conceito DS (Double Security), lançado pela marca em 1959. No entanto, o contexto de meados dos anos 2000 foi crucial para o nascimento deste modelo específico. Naquela época, o Swatch Group estava a refinar o posicionamento das suas marcas de gama média. Enquanto a Tissot focava na inovação tátil e a Hamilton na herança americana/militar, a Certina foi incumbida de ser o bastião da desportividade robusta e da resistência inabalável. O mercado de 2005 exigia um relógio que fosse tecnicamente capaz de mergulho recreativo, mas que não tivesse a estética brutalista de um 'diver' profissional excessivamente grande.
O DS First foi a resposta a este dilema. Desenhado com linhas dinâmicas e garras (lugs) proeminentes que fluíam organicamente para a caixa, o modelo oferecia uma presença de pulso substancial sem ser ostensivo. A decisão de equipar a linha inicial predominantemente com calibres de quartzo ETA (como o fiável F06.111) foi estratégica: permitiu manter um perfil de caixa mais fino em comparação com os automáticos, garantindo maior conforto sob o punho de uma camisa, ao mesmo tempo que oferecia a precisão e a resistência ao choque superiores inerentes ao quartzo — características vitais para um relógio desportivo.
O 'First' no nome não era acidental; sugeria a sua posição como a primeira escolha para um relógio 'do-it-all'. A construção seguia rigorosamente os princípios DS: vidro de safira espesso, vedantes específicos na tija de ajuste, vedantes na coroa e um fundo de caixa reforçado (frequentemente adornado com o logótipo da Tartaruga, símbolo de longevidade e resistência à água da marca). O nível de acabamento, com alternância entre superfícies polidas e escovadas, estava muito acima da média para o seu segmento de preço na altura.
Uma das evoluções mais notáveis mencionadas no contexto histórico deste modelo foi a transição e a adoção de materiais avançados. Enquanto os modelos de 2005 apresentavam lunetas de aço com inserções tradicionais, o sucesso da plataforma DS First encorajou a Certina a experimentar. Isso culminou nas versões posteriores 'DS First Ceramic'. A introdução da cerâmica na luneta foi um marco de democratização tecnológica, trazendo um material praticamente imune a riscos — anteriormente reservado a marcas de luxo como Rolex ou Omega — para um ponto de preço acessível. Esta evolução manteve a relevância do design do DS First durante quase uma década.
Hoje, o DS First de meados dos anos 2000 é estudado como um exemplo de design industrial horológico equilibrado. Ele prefigurou a obsessão moderna por relógios de mergulho versáteis e estabeleceu a reputação da Certina como a marca de 'valor inbatível' dentro do universo dos relógios de mergulho suíços.
CURIOSIDADES
O logótipo da tartaruga no fundo da caixa não é meramente decorativo; é o símbolo oficial da robustez da Certina desde os anos 60, representando a carapaça protetora do sistema DS.
Embora classificado como 200m, muitos testes independentes da época sugeriam que a caixa do DS First suportava pressões superiores, devido à sobreegenharia do sistema de vedantes.
A versão Cronógrafo deste modelo utilizava o movimento ETA G10, conhecido pela sua durabilidade e pela disposição peculiar dos sub-mostradores, tornando-se um favorito entre fãs de desportos motorizados, área que a Certina patrocinava fortemente (ex: Sauber F1 Team).
O modelo de 2005 foi um dos primeiros na sua categoria a oferecer fechos com extensão de mergulho real em pulseiras de metal de série, uma característica muitas vezes omitida em relógios 'dress-diver'.
A introdução posterior da luneta de cerâmica na linha DS First foi uma das primeiras aplicações deste material numa marca do 'Middle Range' do Swatch Group, antecedendo a aplicação massiva em outras linhas irmãs.
O sistema de proteção da coroa do DS First foi desenhado para desviar impactos diretos, agindo como um parachoques integrado na própria arquitetura da caixa de aço.