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Certina DS Master (2010): A Supremacia do Quartzo COSC e a Estética Técnica na Geneva Time Exhibition


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Cronômetro de quartzo de alto desempenho (COSC) com design técnico e superdimensionado, apresentado na exposição GTE (Geneva Time Exhibition).

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RESUMO

O Certina DS Master, lançado com destaque na Geneva Time Exhibition (GTE) de 2010, representa um marco significativo na horologia contemporânea, onde a robustez extrema encontra a precisão absoluta. Este modelo não foi apenas mais uma adição à linha desportiva da marca suíça; foi uma declaração de competência técnica sob a égide do Swatch Group. Distinguindo-se pelo seu design superdimensionado de 45mm, que capturava perfeitamente a tendência de 'relógios ferramenta' robustos da época, o DS Master abrigava um segredo de alta tecnologia: um movimento de quartzo termocompensado ETA. Ao contrário dos movimentos de quartzo padrão, este calibre obteve a cobiçada certificação de cronômetro COSC (Contrôle Officiel Suisse des Chronomètres), uma distinção rara reservada para instrumentos de precisão que desviam apenas alguns segundos por ano, independentemente das flutuações de temperatura. Visualmente imponente, muitas vezes apresentado com tratamento PVD preto (Physical Vapor Deposition) e detalhes em fibra de carbono, o relógio exalava uma estética técnica e masculina. Ele reafirmou o compromisso da Certina com o seu conceito histórico 'DS' (Double Security), elevando-o a um novo patamar de luxo acessível e desempenho cronométrico, servindo como uma ponte entre a relojoaria tradicional e a engenharia moderna de precisão.

HISTÓRIA

A história do Certina DS Master de 2010 é indissociável da longa linhagem do conceito 'DS' (Double Security) e do renascimento da precisão de quartzo no segmento de luxo acessível. Para compreender a importância deste modelo específico apresentado na GTE, é necessário recuar até 1959, quando a Certina lançou o sistema DS original. Este sistema revolucionário consistia na suspensão do movimento dentro de um anel elástico de absorção de choque, além de vedantes reforçados na coroa e no fundo da caixa. O DS tornou a Certina sinônimo de relógios indestrutíveis, usados em expedições ao Himalaia e no fundo dos oceanos. No entanto, o cenário de 2010 era muito diferente. A indústria relojoeira recuperava-se da crise financeira global e havia uma polarização no design: por um lado, o retorno ao classicismo; por outro, a explosão de relógios desportivos 'oversized' (superdimensionados), escuros e técnicos. O DS Master foi a resposta da Certina a esta segunda tendência, posicionando-se agressivamente contra concorrentes de preço muito superior. A apresentação na Geneva Time Exhibition (GTE) foi estratégica. Enquanto o SIHH e a Baselworld dominavam as manchetes, a GTE servia como um palco para marcas que queriam destacar inovações específicas fora do ruído das grandes feiras. O DS Master foi revelado não apenas como um relógio desportivo, mas como um instrumento científico. A grande inovação residia no seu coração: o calibre ETA 251.233 Thermoline. Historicamente, os entusiastas de relógios torciam o nariz para o quartzo. O DS Master desafiou esse preconceito ao oferecer algo que a maioria dos relógios mecânicos não conseguia: precisão quase atômica no pulso. A certificação COSC para quartzo é drasticamente mais rigorosa do que para mecânicos. Enquanto um cronômetro mecânico pode variar -4/+6 segundos por dia, um cronômetro de quartzo deve manter-se dentro de ±0,07 segundos por dia a 23°C. O DS Master atingiu isso através da termocompensação, um sistema que monitoriza a temperatura do cristal de quartzo e ajusta a frequência digitalmente para compensar a variação térmica que normalmente faria um relógio de quartzo comum adiantar ou atrasar. Esteticamente, o modelo de 2010 solidificou a linguagem de design 'Black-on-Black' da Certina. Com a sua caixa de 45mm, muitas vezes tratada com PVD preto, e um bisel fixo que protegia o vidro de safira, o relógio parecia um monólito de engenharia. O mostrador era um exercício de legibilidade complexa, com contadores de cronógrafo que permitiam medições precisas. O sucesso do DS Master ajudou a elevar a percepção da Certina dentro do Grupo Swatch, provando que a marca poderia liderar o segmento de 'Sport Luxury' com tecnologia de ponta, mantendo a herança de durabilidade nascida em 1959.

CURIOSIDADES

- A certificação COSC para movimentos de quartzo é extremamente rara; apenas cerca de 3% da produção suíça total de relógios recebe qualquer certificação COSC, e a parcela de quartzo é uma fração minúscula disso. - O movimento ETA 251.233 permite o ajuste independente do ponteiro das horas (fuso horário), uma funcionalidade geralmente encontrada apenas em relógios mecânicos GMT de alta gama. - O sistema de termocompensação (Thermoline) presente no DS Master ajusta a frequência do oscilador centenas de vezes, permitindo uma precisão de aproximadamente ±10 segundos *por ano*. - Apesar da aparência de um relógio de mergulho devido à sua robustez, o bisel do DS Master é fixo e apresenta uma escala taquimétrica, focando-se mais no desporto motorizado do que no mergulho profundo. - A pulseira de borracha original foi desenhada para se integrar perfeitamente nas asas da caixa (lugless look), criando uma silhueta contínua que abraça o pulso, mitigando o tamanho de 45mm. - O lançamento na GTE (Geneva Time Exhibition) foi uma manobra ousada, pois a feira era conhecida por albergar relojoeiros independentes de alta relojoaria, colocando a Certina lado a lado com marcas de nicho muito mais caras.

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