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Poljot Sputnik (???????) de 1957: O Artefacto Cósmico Soviético que Colocou um Satélite no Pulso


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Lançado pela 1MWF para comemorar o lançamento do primeiro satélite artificial. Apresentava um mostrador com um disco transparente onde um ponto vermelho (o satélite) orbitava como o ponteiro dos segundos (Calibre 2602).

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RESUMO

Num momento definidor da Guerra Fria, o Poljot Sputnik de 1957 transcendeu a sua função como mero instrumento de medição do tempo para se tornar um poderoso emblema da proeza tecnológica soviética. Lançado pela prestigiada Primeira Fábrica de Relógios de Moscovo (1MWF) para comemorar o lançamento histórico do Sputnik 1, este relógio não era um 'tool watch' no sentido convencional; era um 'statement watch', uma peça de propaganda vestível destinada ao cidadão soviético orgulhoso. A sua filosofia de design era inteiramente celebratória, centrada numa complicação visual única e engenhosa: em vez de um ponteiro de segundos tradicional, um disco transparente girava sobre o mostrador, carregando um ponto vermelho que orbitava o mostrador tal como o satélite homónimo orbitava a Terra. Esta inovação não era sobre precisão cronométrica, mas sobre narrativa e simbolismo. A sua importância horológica reside nesta abordagem poética à exibição do tempo, uma raridade na relojoaria utilitária da época. Para os colecionadores de hoje, o Sputnik não é apenas um relógio vintage; é um artefacto cultural da aurora da Era Espacial, um testemunho tangível de um tempo em que a corrida para as estrelas se desenrolava tanto nos céus como nos pulsos dos cidadãos comuns, encapsulando um momento de imenso otimismo e orgulho nacional.

HISTÓRIA

A história do Poljot Sputnik está intrinsecamente ligada a um dos eventos mais cruciais do século XX: o lançamento do Sputnik 1 pela União Soviética em 4 de outubro de 1957. Este ato não só inaugurou a Era Espacial, como também enviou ondas de choque por todo o mundo ocidental, acendendo a Corrida Espacial. Para capitalizar este momento de triunfo nacional sem precedentes, a Primeira Fábrica de Relógios de Moscovo (1MWF), o principal fabricante de relógios da URSS, agiu com uma rapidez notável. O resultado foi um relógio que não era apenas comemorativo, mas sim uma manifestação física do Zeitgeist. Tecnicamente, o relógio não representava um salto quântico. A sua base era o robusto e fiável movimento Calibre 2602, um descendente direto da família de movimentos 'Pobeda' (Vitória) que, por sua vez, se baseava no calibre francês LIP R26. A verdadeira genialidade do Sputnik não residia na sua engenharia interna, mas na sua interface. A 1MWF substituiu o ponteiro de segundos convencional por um disco de plástico transparente. Fixado ao eixo do ponteiro dos segundos, este disco apresentava um pequeno ícone de satélite – geralmente um ponto ou uma seta vermelha – que completava uma 'órbita' do mostrador a cada 60 segundos. Este design transformou um ato mundano de medir o tempo num espetáculo cinético e simbólico. O modelo foi produzido por um período relativamente curto, aproximadamente de finais de 1957 a 1959, resultando não em 'gerações' evolutivas, mas numa série de variações fascinantes que são o deleite dos colecionadores. A variante mais cobiçada apresenta um globo terrestre estilizado no centro do mostrador, sobre o qual o satélite orbita, reforçando a narrativa cósmica. Outras versões tinham mostradores mais sóbrios, sem o mapa. Existem também variações no próprio marcador do satélite, que pode ser um simples ponto, uma forma de foguete ou uma estrela vermelha. Os mostradores podiam ser assinados com '???????' (Sputnik) em cirílico ou, por vezes, '?????????' (Kirovskie), outra marca da 1MWF. Devido à sua produção limitada e à natureza frágil do disco de segundos, encontrar um exemplar totalmente original e funcional hoje em dia é um desafio. O seu impacto no legado da Poljot foi imenso. Consolidou a reputação da fábrica como criadora de relógios com significado cultural e abriu caminho para uma linhagem de 'relógios espaciais' soviéticos, incluindo o icónico cronógrafo Strela, usado por cosmonautas em missões históricas. O Sputnik continua a ser um testemunho eloquente de uma era de ambição audaciosa, um relógio que capturou a imaginação de uma nação e colocou um pedaço da história cósmica no pulso.

CURIOSIDADES

O nome '???????' (Sputnik) significa literalmente 'Companheiro de Viagem' em russo. A peça mais frágil e propensa a falhas do relógio é o próprio disco de segundos transparente. Muitos foram danificados, tornaram-se quebradiços ou foram simplesmente removidos por relojoeiros ao longo das décadas, tornando os exemplares intactos extremamente raros. Existem duas principais variantes de mostrador que os colecionadores procuram: uma com um mapa-múndi estilizado no centro e outra, mais minimalista, sem o mapa. Ambas são consideradas igualmente autênticas. Embora a maioria dos mostradores seja assinada '???????', alguns exemplos genuínos foram marcados com '?????????' (Kirovskie), outra submarca da Primeira Fábrica de Relógios de Moscovo da época, partilhando a mesma caixa e movimento. O mercado está inundado de exemplares 'Frankenstein' e falsificações, muitas vezes com discos de segundos ou mostradores reimpressos de baixa qualidade. A autenticação de um Sputnik requer um olho treinado para os detalhes da tipografia e dos materiais originais. Ao contrário de outros relógios espaciais famosos, o Sputnik não foi usado no espaço nem associado a nenhuma figura histórica específica; o seu significado é coletivo, representando o orgulho do povo soviético no início da Era Espacial. O design conceitual de um disco giratório para indicar o tempo foi uma inovação notável para um relógio produzido em massa e de preço acessível na década de 1950, demonstrando uma criatividade que ia além da pura funcionalidade.

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