RESUMO
Lançado em 2003 para celebrar o meio século do relógio de mergulho moderno original, o Blancpain Fifty Fathoms 50th Anniversary (Ref. 2200A-1130-71) representa um dos momentos mais cruciais na história contemporânea da marca. Sob a nova e dinâmica liderança de Marc A. Hayek, este modelo não foi apenas uma homenagem nostálgica, mas uma declaração de intenções tecnológicas e estéticas. Distinguindo-se radicalmente das reedições anteriores da 'Trilogy', esta referência introduziu a inovação que definiria a identidade visual do Fifty Fathoms no século XXI: a luneta de safira abaulada. Com uma produção extremamente restrita de apenas 150 unidades divididas em três séries geográficas, o relógio combinou o charme vintage de 1953 com a robustez da manufatura moderna. Equipado com o calibre 1150 de longa autonomia e abrigado em uma caixa de 40,3mm — um tamanho considerado por muitos colecionadores como o 'sweet spot' perfeito, raramente visto nas versões subsequentes de 45mm —, esta peça é considerada o verdadeiro 'Gênesis' da linha Fifty Fathoms moderna, transformando-se instantaneamente em um 'future classic' e um dos mergulhadores mais cobiçados do mundo.
HISTÓRIA
A história do Blancpain Fifty Fathoms 50th Anniversary Ref. 2200A-1130-71 é intrinsecamente a história da ressurreição do relógio de mergulho de luxo. Quando Jean-Jacques Fiechter criou o Fifty Fathoms original em 1953, ele definiu o arquétipo do mergulhador moderno. No entanto, após a Crise do Quartzo e a dormência da marca, a Blancpain sob Jean-Claude Biver focou-se no classicismo. Foi apenas em 2003, sob a gestão apaixonada de Marc A. Hayek — ele próprio um mergulhador ávido —, que a marca decidiu que era hora de reivindicar seu trono subaquático.
O desafio era imenso: como reinterpretar um ícone sem cair na armadilha do pastiche vintage? A resposta residia na luneta. Os modelos originais dos anos 50 utilizavam baquelite (acrílico), que era frágil e propenso a rachaduras, embora tivesse um brilho e profundidade únicos. Para o 50º Aniversário, a Blancpain realizou um feito de engenharia ao desenvolver uma luneta de cristal de safira abaulada. A safira é notoriamente difícil de usinar em formas curvas devido à sua dureza (apenas superada pelo diamante), mas a Blancpain persistiu. O resultado foi um anel indestrutível que protegia a escala luminescente por baixo, replicando a estética tridimensional da baquelite antiga, mas com durabilidade eterna.
Lançado em Baselworld 2003, o Ref. 2200A foi apresentado em três séries distintas de 50 peças cada, destinadas aos mercados da Ásia (Série I), Américas (Série II) e Europa (Série III). Diferente do modelo de produção em massa que viria depois (o Ref. 5015 de 2007, que cresceu para 45mm), este modelo de aniversário manteve uma proporção mais contida de 40,3mm, tornando-o extremamente versátil e fiel às proporções clássicas, mas com uma construção moderna e robusta.
Internamente, o relógio abrigava o Calibre 1150, um movimento ultra-fino de alta relojoaria adaptado para uso esportivo, oferecendo impressionantes 100 horas de reserva de marcha graças aos seus dois tambores em série — uma especificação técnica muito acima do padrão da indústria para relógios de mergulho na época. A estética do mostrador também rompeu com os modelos 'Trilogy' anteriores, adotando índices e numerais que evocavam diretamente os mostradores militares dos anos 50, mas com o luxo de bordas em ouro branco aplicadas.
Este modelo específico (com a terminação -71 indicando o bracelete de aço X-71) serviu como a ponte definitiva. Ele provou que havia um mercado para mergulhadores de *Haute Horlogerie* e estabeleceu a linguagem de design (a luneta de safira, os numerais, os ponteiros de espada) que a Blancpain utiliza até hoje. Para o colecionador, o 2200A não é apenas um relógio raro; é o 'marco zero' da era moderna do Fifty Fathoms.
CURIOSIDADES
1. A Magia da Série 'Y': Ao contrário da numeração contínua tradicional, estes 150 relógios têm a inscrição 'Series I', 'Series II' ou 'Series III' no mostrador (em letras minúsculas e discretas) e no fundo da caixa, tornando a identificação geográfica da peça imediata.
2. O Bracelete X-71: A referência termina em '-71' devido ao lendário bracelete X-71. Este bracelete é famoso por sua complexidade, possuindo um sistema de amortecimento interno (molas dentro dos elos) que proporciona um conforto inigualável, uma engenharia raramente vista em pulseiras de aço.
3. O Precursor do 5015: Muitos confundem este modelo com o atual Fifty Fathoms Automatique (Ref. 5015). A maneira mais fácil de distinguir visualmente é a posição da data (às 4:30 no 2200A vs. 4:30 no 5015, mas com fontes diferentes) e, crucialmente, o tamanho da caixa, que é quase 5mm menor neste modelo de aniversário.
4. O Desafio da Safira: A taxa de rejeição na produção das primeiras lunetas de safira abauladas era altíssima, o que justificou, em parte, a produção extremamente limitada inicial antes de a Blancpain dominar o processo industrial para a linha regular.
5. O Kit Completo: A caixa de apresentação deste modelo era uma ferramenta por si só, muitas vezes incluindo ferramentas de troca de pulseira e uma pulseira de borracha adicional com textura de 'trama de vela', permitindo ao usuário alternar entre o aço X-71 e o visual mais esportivo.
6. Lume Nuclear: O uso de Super-LumiNova sob a inserção de safira cria um efeito de 'lanterna' onde os números parecem flutuar dentro do anel da luneta, uma característica visual que se tornou a assinatura da marca.