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Blancpain Villeret Quantième Complet Ref. 6395 (1983): O Ícone do Renascimento Mecânico Desafiando a Era do Quartzo


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O marco zero do renascimento da Blancpain sob Jean-Claude Biver. Este modelo de calendário completo com fases da lua (Calibre 6395) provou que a alta relojoaria mecânica ainda tinha lugar durante a crise do quartzo.

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RESUMO

O Blancpain Villeret Quantième Complet (Fases da Lua), equipado com o Calibre 6395, não é apenas um relógio; é o manifesto físico de uma das maiores apostas na história da horologia. Lançado em 1983, no auge devastador da Crise do Quartzo, este modelo simbolizou a ressurreição da Blancpain sob a liderança visionária de Jean-Claude Biver e Jacques Piguet. Enquanto o mundo se curvava à precisão eletrônica e descartável, este relógio reafirmou a supremacia da arte mecânica tradicional. Com sua estética purista, caracterizada pela icônica caixa 'Villeret' de luneta em degraus (double stepped bezel) e um mostrador classicamente equilibrado, o Ref. 6395 trouxe de volta o romance da astronomia ao pulso. Ele serviu como a pedra angular da estratégia das 'Seis Obras-Primas' da marca, provando que o luxo não residia na mera cronometragem, mas na complexidade artesanal, na herança e na emoção. Este modelo específico é amplamente considerado o 'marco zero' da relojoaria moderna de luxo, estabelecendo o padrão para o relógio de calendário completo que se tornaria a assinatura estética da Blancpain pelas décadas seguintes.

HISTÓRIA

A história do Blancpain Villeret Quantième Complet Ref. 6395 é indissociável da salvação da relojoaria suíça tradicional. No início da década de 1980, a indústria mecânica estava dizimada pela tecnologia de quartzo japonesa. Marcas centenárias fechavam as portas ou se adaptavam produzindo relógios a bateria. Neste cenário, a Omega/SSIH (hoje Swatch Group) colocou a adormecida marca Blancpain à venda. Jean-Claude Biver, então na Omega, e Jacques Piguet, fabricante de movimentos, compraram o nome por meros 22.000 francos suíços em 1981. A estratégia de Biver foi audaciosa e contracultural. Ele cunhou o slogan: 'Desde 1735, nunca houve um relógio de quartzo Blancpain. E nunca haverá.' Para sustentar essa promessa, eles precisavam de um produto que exemplificasse tudo o que o quartzo não podia oferecer: alma, complexidade e tradição. O resultado foi o lançamento, em 1983, do Calibre 6395, um movimento de calendário completo com fases da lua, alojado em uma caixa redonda clássica que viria a definir a coleção Villeret. O Ref. 6395 foi crucial porque democratizou visualmente a 'Alta Relojoaria'. Antes dele, calendários perpétuos ou completos eram extremamente raros e inacessíveis. A Blancpain conseguiu miniaturizar o módulo de calendário sobre um movimento base Piguet excepcionalmente fino, criando um relógio elegante que exibia o tempo civil e o tempo astronômico simultaneamente. A inclusão da fase da lua, com seu rosto sorridente e um tanto travesso, tornou-se um símbolo emocional; não servia para a precisão do dia a dia, mas conectava o usuário aos ciclos celestiais, algo que um display digital de cristal líquido jamais faria. O sucesso foi imediato e estrondoso entre os colecionadores e puristas. Este modelo específico validou a tese de Biver de que o relógio mecânico havia deixado de ser uma necessidade de cronometragem para se tornar um objeto de arte e status. O 6395 pavimentou o caminho para as outras cinco 'Obras-Primas' da Blancpain (incluindo o Turbilhão e a Repetição de Minutos), mas permanece, historicamente, como o soldado de infantaria que venceu a guerra contra o esquecimento da mecânica.

CURIOSIDADES

- O valor pago por Biver e Piguet pela marca Blancpain (22.000 CHF) era, na época, inferior ao preço de alguns carros populares, tornando-se um dos maiores retornos sobre investimento da história do luxo quando a venderam de volta à SMH (Swatch Group) por 60 milhões de CHF em 1992. - A face da lua nos modelos 6395 originais possui uma expressão facial distinta, muitas vezes descrita como tendo um sorriso 'Mona Lisa' e um olhar lateral, uma homenagem às gravuras do século XVIII. - O Calibre 6395 é um dos menores e mais finos movimentos de calendário completo já produzidos, permitindo que a caixa mantivesse proporções de 'dress watch' extremamente elegantes. - Este modelo foi montado nas antigas fazendas em Le Brassus, reforçando a imagem de 'relojoaria de fazenda' (artesanal) em oposição às fábricas industrializadas de quartzo. - Durante o lançamento, a Blancpain não tinha fábrica própria nem funcionários além dos sócios; os relógios eram produzidos pela manufatura de Frédéric Piguet, o que tecnicamente fazia da Blancpain uma 'etablishment' antes de se tornar uma manufatura completa. - A escolha de focar nas fases da lua foi psicológica: Jean-Claude Biver percebeu que a complicação era a mais visualmente poética e a que melhor diferenciava, à primeira vista, um relógio mecânico de um digital.

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