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Universal Genève Fantasy: A Joia Iridescente da Era Stelux e o Esplendor da Opala


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Modelo de alta joalheria da era Stelux, caracterizado pelo mostrador em mosaico de opala natural e caixa em ouro 18k frequentemente cravejada de diamantes (Ref. WH-14343).

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RESUMO

O Universal Genève Fantasy, particularmente na sua encarnação de alta joalheria de meados da década de 1970, representa um capítulo fascinante e opulento na história da marca. Lançado durante a era tumultuada da Crise do Quartzo e sob a nova propriedade da Stelux Holdings de Hong Kong, o Fantasy não era um relógio de ferramentas, mas sim uma declaração artística ousada. O seu posicionamento no mercado era inequivocamente o do luxo absoluto, destinado a uma clientela abastada que valorizava a extravagância e a exclusividade acima da funcionalidade utilitária. A filosofia de design abandonou as raízes da marca em cronógrafos robustos e relógios de explorador, como o Polerouter, para abraçar a linguagem visual vibrante e texturizada dos anos 70. Focava-se na fusão da relojoaria com a joalheria, utilizando materiais preciosos como ouro 18k, diamantes e, mais notavelmente, mostradores exóticos feitos de pedras ornamentais. A sua importância reside no facto de ser um testemunho da tentativa da Universal Genève de se reinventar, lutando contra a maré do quartzo não competindo em preço, mas ascendendo a um nível de arte e artesanato que a tecnologia de quartzo não podia replicar. Estes relógios são hoje cobiçados como símbolos de uma era de design destemido e representam o último grande florescimento criativo da marca antes do seu longo declínio.

HISTÓRIA

A história do Universal Genève Fantasy Ref. WH-14343 é indissociável do contexto dramático da relojoaria suíça em 1975. A indústria estava a ser dizimada pela concorrência acessível e precisa dos relógios de quartzo japoneses. Foi neste cenário que a Universal Genève, uma marca com um legado de inovação técnica e design icónico, passou para o controlo da Stelux Holdings, um conglomerado de Hong Kong. Esta mudança marcou um pivô estratégico fundamental. Em vez de se envolver numa batalha perdida pela precisão acessível, a nova gestão redirecionou a marca para o segmento de ultra-luxo, onde o artesanato, a arte e os materiais preciosos eram os principais argumentos de venda. O Fantasy nasceu desta filosofia. Não foi uma evolução de modelos anteriores como o Compax ou o Polerouter; foi uma rutura deliberada, uma nova identidade forjada no cadinho da crise. A coleção abraçou plenamente a estética exuberante dos anos 70, caracterizada por formas orgânicas, texturas ricas em metais preciosos e, acima de tudo, o uso de mostradores de pedra exótica. Esta tendência, também popularizada por marcas como a Piaget e a Rolex, permitia que cada relógio fosse uma peça de arte única. A Universal Genève destacou-se com a sua mestria nos mostradores em mosaico de opala. A opala, com o seu hipnotizante jogo de cores, era notoriamente frágil e difícil de trabalhar. A criação de um mostrador em mosaico, juntando pequenos fragmentos para criar uma superfície coesa e iridescente, era um feito de paciência e habilidade extremas, reservado apenas aos artesãos mais talentosos. A referência WH-14343 exemplifica o auge desta coleção, combinando o mostrador etéreo de opala com uma caixa em ouro maciço 18k e uma luneta generosamente cravejada de diamantes. Não houve 'gerações' do Fantasy no sentido tradicional. Em vez disso, existiu uma coleção de variações, cada uma distinta pela pedra do mostrador (outras incluíam olho de tigre, lápis-lazúli e malaquite) e pelo nível de cravação de gemas. O seu impacto no legado da marca é complexo. Para alguns puristas, representou um desvio da identidade 'tool-watch' da UG. No entanto, com o passar do tempo, estes modelos são agora vistos como obras-primas do design do século XX e um testemunho da resiliência e versatilidade artística da marca. Representam um momento em que a Universal Genève, encurralada, escolheu não render-se, mas sim criar objetos de beleza transcendente, deixando um legado de audácia e opulência que continua a cativar colecionadores até hoje.

CURIOSIDADES

A Era Stelux: O Fantasy foi um produto da visão da Stelux, que pretendia elevar a Universal Genève ao estatuto de marca de joalheria de topo, especialmente nos mercados asiáticos em crescimento. Competidor Direto da Piaget: Com os seus mostradores de pedra e designs integrados em ouro, o Fantasy competia diretamente com os relógios de alta joalheria da Piaget, que eram o epítome do luxo e do 'jet set' dos anos 70. Peça de Arte Única: Devido à natureza orgânica da opala, não existem dois mostradores de mosaico Fantasy iguais. Cada peça tem um padrão e um jogo de cores únicos, tornando-a uma verdadeira obra de arte 'pièce unique'. Artesanato de Extrema Dificuldade: A fragilidade da opala significava que a taxa de quebra durante o corte e a montagem dos mostradores era extremamente alta, o que contribui para a raridade e o valor dos exemplares sobreviventes. Redescoberta por Colecionadores: Durante décadas, os modelos da era Stelux foram subvalorizados. Recentemente, houve uma redescoberta e uma reavaliação significativas destes relógios, com os colecionadores a apreciarem a sua qualidade excecional e o seu design arrojado e inconfundível dos anos 70. Movimento de Prestígio: Apesar do foco na estética exterior, a Universal Genève não comprometeu a qualidade interna, utilizando calibres mecânicos de corda manual finos e fiáveis, como o Cal. 1-42, que tinha uma linhagem que remontava aos célebres movimentos 'microrotor' da marca. Ausência de alcunhas: Ao contrário de outros relógios famosos, o Fantasy nunca adquiriu uma alcunha específica, sendo geralmente referido pelos colecionadores como 'UG Opal Mosaic' ou 'UG Stone Dial', designações que denotam imediatamente a sua natureza especial.

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