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Certina Chronolympic (1970): O Cronógrafo de Elite da Expedição Japonesa ao Everest e a Lenda de Yuichiro Miura


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Cronógrafo de alta performance utilizado na Expedição Japonesa ao Everest (Yuichiro Miura), abrigando calibres Valjoux 72 e 726.

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RESUMO

O Certina Chronolympic de 1970 é um paradigma da relojoaria de ferramenta da era de ouro suíça, transcendendo sua função de cronometrista para se tornar um instrumento de sobrevivência em condições extremas. Famoso por ter sido o relógio de escolha da Expedição Japonesa ao Everest em 1970, este modelo adornou o pulso do lendário alpinista e esquiador Yuichiro Miura durante sua audaciosa descida de esquis pela Face Sul do Everest, um feito imortalizado no documentário vencedor do Oscar, 'The Man Who Skied Down Everest'. Distinguindo-se pela incorporação do renomado sistema DS (Double Security) da Certina, o relógio oferecia uma resistência ao choque e à água muito superior aos seus contemporâneos. No seu coração bate o calibre Valjoux 726 (uma evolução refinada e de maior frequência do lendário Valjoux 72), o mesmo movimento base encontrado nos Rolex Daytonas da época. Hoje, o Chronolympic 'Everest' é reverenciado por colecionadores não apenas pela sua proveniência histórica e raridade, mas como um testemunho da engenharia robusta da Certina antes da Crise do Quartzo, representando uma união perfeita entre a precisão cronográfica de alta performance e a indestrutibilidade necessária para o 'Teto do Mundo'.

HISTÓRIA

A história do Certina Chronolympic está intrinsecamente ligada ao auge da ambição humana e à busca pela conquista dos ambientes mais hostis da Terra. Lançada no final da década de 1960, a linha Chronolympic foi a resposta da Certina à demanda por cronógrafos desportivos que pudessem suportar mais do que apenas o uso casual. Enquanto a Omega tinha o Speedmaster na Lua, a Certina focou a sua engenharia na robustez terrestre e alpina através do seu conceito patenteado DS (Double Security), introduzido em 1959, que suspendia o movimento dentro da caixa através de um anel elástico de absorção de choque. O momento de consagração deste modelo específico ocorreu em 1970. A Certina equipou a equipa da Expedição Japonesa ao Everest, liderada pela audácia de Yuichiro Miura. O objetivo não era apenas escalar a montanha, mas esquiá-la. O Chronolympic, abrigando o calibre Valjoux 726, foi escolhido pela sua fiabilidade mecânica inabalável. O Valjoux 726 era a versão aprimorada do venerável Valjoux 72, elevando a frequência de 18.000 para 21.600 vibrações por hora, garantindo maior precisão e estabilidade cronométrica, cruciais para calcular tempos de descida e monitorizar o oxigénio em altitudes onde o ar é rarefeito e as temperaturas despencam para níveis que congelariam lubrificantes inferiores. Durante a descida, Miura utilizou um paraquedas para controlar a sua velocidade vertiginosa na zona da morte. O relógio foi submetido a forças G extremas, choques violentos e variações térmicas brutais. O facto de o Chronolympic ter sobrevivido intacto a esta provação solidificou a reputação da Certina como fabricante de verdadeiros 'tool watches'. Esteticamente, o modelo capturava a essência dos anos 70 com caixas volumosas e mostradores de alta legibilidade, muitas vezes com ponteiros laranja vibrantes para contraste na neve. No entanto, com o advento da crise do quartzo pouco tempo depois, a produção destes cronógrafos mecânicos de alta qualidade tornou-se limitada, fazendo com que, décadas depois, eles fossem redescobertos como jóias subvalorizadas da horologia. Enquanto um Rolex Daytona com um movimento similar (Valjoux 72) alcança valores astronómicos, o Certina Chronolympic permanece como a escolha do conhecedor: um relógio com o mesmo coração mecânico, mas com uma história de sobrevivência no Everest que poucos rivais podem igualar.

CURIOSIDADES

1. Oscar de Documentário: O feito de Yuichiro Miura usando este relógio foi o tema de 'The Man Who Skied Down Everest', que ganhou o Oscar de Melhor Documentário em 1976. 2. O Coração do Daytona: O movimento Valjoux 726 no interior deste Certina pertence à mesma família arquitetónica dos movimentos usados nos Rolex Daytona 'Paul Newman' da mesma era, tornando-o tecnicamente comparável a relógios que custam dezenas de vezes mais. 3. O Retorno de Miura: Yuichiro Miura, que usou o Certina em 1970 aos 37 anos, tornou-se a pessoa mais velha a escalar o Everest em 2013, aos 80 anos. 4. Sistema DS Flutuante: Diferente de outros cronógrafos, o movimento não toca diretamente na caixa; ele 'flutua' sobre um anel de borracha sintética, isolando o delicado mecanismo do cronógrafo de impactos diretos. 5. Diversidade de Caixas: A linha Chronolympic teve várias iterações de caixa, mas a versão de 1970 é reconhecida pelas suas dimensões generosas (43mm), antecipando a tendência de relógios grandes que só se popularizaria nos anos 2000. 6. Resistência Extrema: A expedição registou ventos de até 160 km/h e temperaturas de -40°C, condições em que o mecanismo mecânico puramente oleado provou ser mais confiável que as baterias eletrónicas primitivas da época.

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