RESUMO
O Universal Genève Polerouter Date de 1960 representa um ponto de inflexão crucial na história de um dos mais célebres designs de Gérald Genta. Nascido das rigorosas exigências da aviação polar, o Polerouter evoluiu de uma ferramenta robusta para um ícone de sofisticação discreta. Esta iteração específica, equipada com o inovador calibre Microtor 218-2, solidificou a sua posição no mercado como um relógio de luxo versátil, igualmente à vontade no cockpit de um DC-7C ou num elegante jantar em Genebra. A sua filosofia de design reside num equilíbrio sublime entre funcionalidade e elegância; as asas de lira ('lyre lugs') esculpidas, o anel de tensão interno texturizado e os ponteiros 'dauphine' já eram marcas registadas, mas a introdução da complicação de data foi executada com uma mestria inigualável. Em vez de uma abertura convencional, Genta concebeu uma janela trapezoidal assimétrica, um toque de génio que transformou uma função prática num elemento de design distinto e arrojado. A sua importância horológica é imensa: demonstra a capacidade da Universal Genève como uma verdadeira 'manufacture' no seu auge, combinando um movimento automático ultrafino patenteado com uma estética vanguardista que influenciaria o design de relógios durante décadas. Para os colecionadores, este modelo é a personificação da idade de ouro da marca, um testemunho de inovação técnica e de um design intemporal.
HISTÓRIA
A saga do Polerouter Date de 1960 é uma narrativa de evolução e refinamento. A sua origem remonta a 1954, quando a Universal Genève foi contratada para criar um relógio de pulso para os pilotos da Scandinavian Airlines System (SAS) que realizavam os pioneiros voos sobre o Polo Norte. O 'Polarouter' original, desenhado por um Gérald Genta de apenas 23 anos, era um instrumento anti-magnético e robusto, inicialmente movido pelo calibre 'bumper' 138 SS. No entanto, a verdadeira revolução técnica ocorreu em 1955 com a introdução do calibre 215, o primeiro movimento Microtor. Esta inovação, que integrava um pequeno rotor de massa oscilante diretamente na platina do movimento, permitiu a criação de relógios automáticos significativamente mais finos, e o Polerouter tornou-se o seu embaixador.
À medida que a década de 1950 avançava, a procura por relógios com a complicação de data aumentava exponencialmente. A Universal Genève, sempre na vanguarda, respondeu a esta tendência evoluindo tanto a sua tecnologia de movimento como o design icónico de Genta. O culminar desta evolução materializou-se por volta de 1960 com a introdução de referências como a 204612, equipadas com a nova geração de movimentos Microtor, especificamente o calibre 218-2. Este movimento não só acrescentava a funcionalidade da data, como também oferecia melhorias em termos de fiabilidade e reserva de marcha em comparação com os seus antecessores.
A integração da data não foi um mero acréscimo funcional; foi uma declaração de design. Genta evitou a solução fácil de uma janela quadrada padrão. Em vez disso, concebeu uma janela trapezoidal assimétrica e elegante, perfeitamente posicionada às 3 horas. Este detalhe, aparentemente pequeno, alterou a dinâmica do mostrador, conferindo-lhe um carácter único e um equilíbrio visual sofisticado. Muitas destas versões incluíam uma lupa 'ciclópica', mas com um toque de requinte típico da UG: a lente era frequentemente aplicada na parte inferior do cristal de acrílico, mantendo a cúpula exterior perfeitamente lisa ao toque. Esta era demonstra uma notável diversidade de mostradores — desde prateados com padrões 'crosshair' a negros profundos com detalhes dourados ('gilt') — todos partilhando a mesma arquitetura de caixa e a distinta janela de data.
O Polerouter Date desta era representa a Universal Genève no seu apogeu, uma 'manufacture' que competia ao mais alto nível com gigantes como a Rolex e a Omega, oferecendo inovação interna e um design superior. Para a marca, este modelo solidificou o Polerouter como um pilar da sua coleção, demonstrando a sua capacidade de adaptar um design de 'tool watch' às exigências do consumidor de luxo. Para a indústria, foi mais uma prova do génio de Gérald Genta e da viabilidade do conceito de micro-rotor, influenciando o design de relógios elegantes e finos nas décadas seguintes.
CURIOSIDADES
O Polerouter foi o primeiro grande sucesso comercial de Gérald Genta, desenhado quando ele tinha apenas 23 anos, muito antes de criar os icónicos Royal Oak e Nautilus.
O nome original era 'Polarouter', uma referência direta aos voos polares da companhia aérea SAS, para quem o relógio foi desenvolvido como equipamento oficial.
Uma característica de requinte altamente procurada pelos colecionadores é a lupa de data 'ciclópica' interna, integrada por baixo do cristal de acrílico, que preserva uma superfície exterior lisa e elegante.
A distinta janela de data é frequentemente referida pela comunidade de colecionadores como 'date trapézoïdal', um testemunho do seu impacto visual único.
As braceletes de aço opcionais para os Polerouters eram frequentemente fabricadas pela lendária Gay Frères, o mesmo fornecedor de elite para marcas como Patek Philippe e Rolex na época.
O calibre Microtor foi uma tecnologia patenteada que permitiu à Universal Genève produzir alguns dos relógios automáticos mais finos do mundo, uma vantagem competitiva significativa na sua era.
Embora mais associado aos cronógrafos da marca, o músico Eric Clapton era um conhecido aficionado da Universal Genève, o que contribuiu para o prestígio e o interesse colecionável em torno dos modelos da sua idade de ouro, como o Polerouter.