RESUMO
O Universal Genève Polerouter Genève, especificamente na sua iteração de cerca de 1960, representa um momento crucial de afirmação e orgulho para a manufatura. Distinto do seu homónimo padrão, este modelo não era apenas mais uma variação, mas sim uma declaração de identidade. Nascido da genialidade de um jovem Gérald Genta e da inovação técnica do calibre Microtor, o Polerouter já era um sucesso. No entanto, a adição da assinatura 'Genève' diretamente no mostrador elevou o seu estatuto. Posicionado como um relógio de luxo para o profissional moderno, ele transcendia as suas origens como um relógio de ferramenta para pilotos da SAS. A sua filosofia de design combinava a robustez necessária para a aviação com uma elegância sem precedentes, caracterizada pelas suas asas torcidas ('lyre lugs') e um perfil excecionalmente fino, possível graças ao revolucionário micro-rotor. Este modelo específico visava um público que não valorizava apenas a precisão e a fiabilidade, mas também a proveniência e o prestígio associados à relojoaria de Genebra. A sua significância reside em ser um testemunho tangível da consolidação da Universal Genève como uma verdadeira 'manufacture d'horlogerie' em Carouge, Genebra, encapsulando o auge da sua capacidade técnica e confiança criativa antes da tempestade da crise do quartzo. É um capítulo refinado na história de um dos relógios mais influentes do século XX.
HISTÓRIA
A história do Polerouter Genève é uma narrativa de identidade e excelência. Para compreender a sua importância por volta de 1960, é preciso recuar a 1954, quando a Universal Genève, respondendo a uma encomenda da Scandinavian Airlines (SAS), criou o 'Polarouter'. Desenhado por um Gérald Genta de apenas 23 anos, o relógio foi concebido para suportar os fortes campos magnéticos dos voos transpolares. Equipado inicialmente com o robusto calibre automático 'bumper' 138SS, o design já exibia as suas agora lendárias asas torcidas e o mostrador limpo e funcional. O verdadeiro salto quântico ocorreu em 1955, com a introdução do calibre 215, que apresentava um engenhoso sistema de micro-rotor. Esta inovação permitiu a criação de um movimento automático excecionalmente fino, transformando o relógio-ferramenta num elegante relógio de pulso e rebatizando-o de 'Polerouter'.
A década seguinte viu o Polerouter florescer em inúmeras variações, mas o modelo 'Polerouter Genève' de cerca de 1960 é particularmente significativo. Este período marca o culminar da transição estratégica da Universal Genève. A empresa, historicamente com operações divididas, havia inaugurado em 1956 uma nova e ultramoderna fábrica em Carouge, Genebra, consolidando toda a sua produção sob um mesmo teto. A adição da palavra 'Genève' ao nome do modelo no mostrador não foi um mero detalhe estético; foi uma poderosa declaração de 'terroir'. Num tempo em que o 'Poinçon de Genève' era o selo máximo de qualidade, a Universal Genève utilizou o seu modelo mais icónico para proclamar que os seus relógios eram inteiramente concebidos, fabricados e montados no coração da mais prestigiada cidade relojoeira do mundo. Era um sinal de orgulho e uma garantia de qualidade superior para os seus clientes.
Este modelo específico, portanto, não representa uma geração de design radicalmente nova, mas sim uma maturação da marca. Conservou os elementos de design de Genta que o tornaram famoso: a caixa de 34.5mm com uma presença notável graças às suas asas, o anel de tensão que emoldurava o mostrador e a legibilidade impecável. As referências desta era, como as da série 203XX, exibiam esta assinatura com orgulho em mostradores prateados, pretos ou dourados. Enquanto os primeiros Polerouters eram ferramentas de aviação, o Polerouter Genève era o emblema do executivo global, do engenheiro ou do arquiteto — um instrumento de precisão envolto em sofisticação genebrina. O seu impacto foi profundo, solidificando a reputação da Universal Genève como uma manufatura de topo, capaz de competir ao mais alto nível em inovação técnica (Microtor) e excelência em design (Genta). Infelizmente, este apogeu precedeu a crise do quartzo que viria a abalar a marca. Hoje, o Polerouter Genève é procurado por colecionadores não apenas pela sua beleza, mas como um artefacto de um momento dourado, quando a Universal Genève se afirmou, com toda a autoridade, como uma verdadeira joia da coroa de Genebra.
CURIOSIDADES
O design icónico do Polerouter foi a primeira grande encomenda e um dos primeiros sucessos comerciais de Gérald Genta, que o desenhou com apenas 23 anos, antes de criar o Audemars Piguet Royal Oak e o Patek Philippe Nautilus.
A designação original 'Polarouter' foi criada para os pilotos da SAS que inauguraram a rota Copenhaga-Los Angeles sobre o Pólo Norte, onde os campos magnéticos interferiam com os relógios da época.
O calibre Microtor foi uma inovação patenteada pela Universal Genève em 1955, resolvendo o problema dos rotores centrais que obscureciam a visão do movimento e aumentavam a sua espessura. Foi uma corrida tecnológica contra o sistema 'Intramatic' da Buren.
A assinatura 'Genève' no mostrador era uma jogada de marketing deliberada para alinhar a marca com o prestígio do 'Selo de Genebra', embora o relógio não o possuísse formalmente. Assinalava a consolidação da produção na nova fábrica da marca em Carouge.
Colecionadores referem-se frequentemente às suas asas distintas como 'lyre lugs' ou 'twisted lugs' (asas de lira ou asas torcidas), um dos elementos de design mais reconhecíveis de Genta.
Existem variações raras do Polerouter Genève, incluindo mostradores com 'cross-hair' (mira) e modelos 'De Luxe' em ouro maciço de 18k que também ostentavam a assinatura 'Genève' para um posicionamento ainda mais premium.