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Elgin Type A-11 (1941): A Lenda Militar e Mecânica do 'Relógio que Ganhou a Guerra'


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Conhecido como O Relógio que Ganhou a Guerra. Produzido sob especificação militar dos EUA (Grade 539), com função de parada de segundos (hacking) e mostrador preto de alta legibilidade.

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RESUMO

O Elgin Type A-11, introduzido sob as especificações militares de 1941, não é apenas um instrumento de cronometragem; é o arquétipo fundamental do relógio militar moderno e amplamente aclamado como 'O Relógio que Ganhou a Guerra'. Produzido em massa para as Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos (USAAF) e para a RAF britânica, este modelo representou uma mudança de paradigma na horologia: a transição definitiva do relógio como joia para o relógio como ferramenta de precisão vital. No coração deste modelo robusto bate o lendário movimento Elgin Grade 539, uma maravilha da engenharia industrial americana, adaptado para suportar variações extremas de temperatura, vibrações de aeronaves e choques físicos. A característica definidora do A-11 era a sua função de 'hacking' (parada de segundos), que permitia que esquadrões inteiros sincronizassem os seus relógios ao segundo exato antes de uma missão, garantindo a coordenação perfeita em bombardeios e manobras táticas. Com o seu mostrador preto de alto contraste, numerais brancos nítidos e caixa compacta, o Elgin A-11 estabeleceu a estética funcional que ainda hoje define os relógios de campo (field watches). Este artefato de 1941 simboliza o esforço industrial dos Aliados e a democratização do relógio de pulso masculino no pós-guerra.

HISTÓRIA

A história do Elgin Type A-11 é inseparável da narrativa da Segunda Guerra Mundial e da ascensão da logística militar americana. Antes de 1941, os relógios de pulso eram vistos com alguma desconfiança quanto à sua precisão em comparação com os relógios de bolso ferroviários. No entanto, a guerra aérea moderna exigia uma nova abordagem. A navegação celestial, o cálculo de combustível e, crucialmente, a coordenação de 'tempo no alvo' (Time on Target) exigiam que pilotos e navegadores tivessem acesso imediato e preciso ao tempo no pulso. Em resposta, o Departamento de Guerra dos EUA emitiu a especificação para o 'Type A-11'. Embora outras marcas como Waltham e Bulova também tenham produzido relógios sob esta especificação, a versão da Elgin, equipada com o movimento Grade 539, é frequentemente considerada a mais robusta e emblemática. O Grade 539 não foi desenhado do zero; foi uma adaptação militarizada do movimento civil Grade 532. Os engenheiros da Elgin adicionaram um mecanismo de parada de segundos (hacking lever) que, ao puxar a coroa, tocava fisicamente o balanço, parando o relógio instantaneamente. Isso permitia a famosa ordem 'sincronizem seus relógios', vital para que bombardeiros convergissem sobre um alvo simultaneamente, saturando as defesas antiaéreas inimigas. Durante o ano crucial de 1941, enquanto os EUA entravam formalmente no conflito após Pearl Harbor, as fábricas da Elgin em Illinois foram convertidas quase inteiramente para a produção de guerra. O A-11 precisava sobreviver onde outros falhavam: nas cabines não pressurizadas dos B-17s, onde as temperaturas despencavam abaixo de zero, e no calor úmido do Pacífico. A Elgin utilizou ligas especiais para a mola principal e o balanço para garantir a isocronia apesar das variações térmicas. Milhões destes relógios foram produzidos. Eles não eram apenas equipamentos; eram linhas de vida. O A-11 serviu em todos os teatros de operação, desde a Normandia até Iwo Jima. Após o armistício em 1945, milhares de soldados voltaram para casa com seus A-11s, ou compraram excedentes de guerra por preços irrisórios. Isso causou uma mudança cultural sísmica: o relógio de pulso tornou-se o padrão masculino, substituindo definitivamente o relógio de bolso. O design utilitário, legível e sem frescuras do Elgin A-11 de 1941 tornou-se o modelo base para praticamente todos os relógios esportivos e militares que se seguiram nas décadas posteriores.

CURIOSIDADES

1. O apelido 'O Relógio que Ganhou a Guerra' não é exclusivo da Elgin, mas é mais frequentemente associado a ela devido ao volume massivo e à confiabilidade do movimento Grade 539. 2. O recurso de 'Hacking' era tão vital que as instruções militares exigiam que os relógios fossem sincronizados com o sinal de tempo de rádio mestre antes de cada decolagem. 3. Apesar de ser um relógio militar, o tamanho de 30-32mm é considerado extremamente pequeno para os padrões atuais, onde relógios de piloto costumam ter mais de 40mm. 4. A tinta luminescente original usada nos ponteiros e números continha Rádio-226, um material altamente radioativo. Hoje, colecionadores devem ter cautela ao manusear mostradores originais não restaurados. 5. O Elgin A-11 foi também fornecido à Força Aérea Soviética sob o programa Lend-Lease, tornando-se um item valorizado também na Frente Oriental. 6. A especificação A-11 não exigia resistência a choque no sentido moderno (como o sistema Incabloc), mas o movimento da Elgin era naturalmente robusto o suficiente para suportar o recuo de metralhadoras montadas em aeronaves. 7. Diferente dos relógios de mergulho que viriam depois, o A-11 original de 1941 não era à prova d'água, mas sim 'resistente à umidade'; a necessidade de impermeabilização total levou ao desenvolvimento posterior dos relógios 'Canteen'.

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