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Universal Genève Wilhelmina: O Relógio Militar Real que Serviu a Holanda na Sombra da Guerra


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Relógio militar produzido para o exército holandês, caracterizado pelo logotipo W coroado no mostrador em homenagem à Rainha Guilhermina (Wilhelmina).

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RESUMO

Nos anais da horologia militar, poucos relógios encapsulam um momento tão específico e carregado de história nacional como o Universal Genève 'Wilhelmina' de 1939. Encomendado nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, este não era um mero instrumento de precisão para o campo de batalha; era um símbolo de lealdade e soberania, produzido para o exército holandês. O seu posicionamento no mercado era estritamente utilitário, um relógio-ferramenta robusto destinado a oficiais e soldados, onde a legibilidade e a fiabilidade eram as únicas virtudes que importavam. A filosofia de design é de uma simplicidade brutalmente eficaz: uma caixa compacta e resistente, um mostrador de alto contraste e um movimento de corda manual à prova de falhas. O que o distingue indelevelmente de outros relógios militares da época é o distintivo monograma 'W' coroado no mostrador, uma homenagem direta à Rainha Guilhermina, a monarca reinante e um futuro ícone da resistência holandesa. Esta peça transcende a sua função, tornando-se um artefacto histórico que liga a precisão suíça da Universal Genève ao patriotismo holandês num dos períodos mais sombrios da Europa. Para os colecionadores, o 'Wilhelmina' não é apenas um relógio raro; é um testemunho tangível da coragem e da identidade de uma nação à beira do abismo.

HISTÓRIA

A história do Universal Genève 'Wilhelmina' está intrinsecamente ligada à crescente tensão que varria a Europa em 1939. Com a Alemanha Nazi a expandir as suas fronteiras e a ameaça de um conflito global a tornar-se uma certeza, as nações europeias, incluindo os Países Baixos, iniciaram uma rápida modernização e reequipamento das suas forças armadas. A cronometragem precisa era um componente crítico da estratégia militar moderna, essencial para a coordenação de tropas, artilharia e logística. Neste contexto, o governo holandês procurou um fornecedor capaz de produzir um relógio de pulso de serviço que fosse simultaneamente fiável, robusto e económico. A Universal Genève, já com uma reputação consolidada pela qualidade dos seus calibres e pela produção de cronógrafos e relógios-ferramenta, foi a escolha natural. O que tornou esta encomenda única não foi apenas a necessidade de um relógio militar, mas sim uma diretiva específica que refletia o profundo sentimento nacionalista da época. Em vez de uma marcação militar genérica, o exército holandês exigiu que cada relógio ostentasse um 'W' coroado no mostrador. Este monograma era o símbolo pessoal da Rainha Guilhermina (Wilhelmina), a monarca que governava o país desde 1890. A sua presença no mostrador transformava o relógio de um simples equipamento governamental num juramento de fidelidade à Coroa e à nação. Cada soldado que usava este relógio carregava consigo um lembrete constante do seu dever para com a sua Rainha e o seu país. Tecnicamente, o relógio era um exemplo perfeito do pragmatismo militar. Não havia concessões ao luxo. A caixa, geralmente em latão cromado para reduzir custos, ou mais raramente em aço, era pequena para os padrões modernos (cerca de 30-32mm), mas perfeitamente funcional para a época. O mostrador preto mate com grandes numerais arábicos preenchidos a rádio e ponteiros proeminentes garantia uma legibilidade instantânea em quaisquer condições de luz. O coração do relógio era tipicamente um calibre de corda manual da família 26x da Universal Genève, um movimento de trabalho conhecido pela sua robustez e facilidade de manutenção. Muitos exemplares apresentavam asas de arame fixas ou soldadas, uma característica comum em relógios militares para garantir que a pulseira não se soltasse acidentalmente durante o combate. A produção do 'Wilhelmina' foi tragicamente curta. Em maio de 1940, a Alemanha invadiu os Países Baixos, que capitularam após um bombardeamento devastador em Roterdão. A produção e distribuição destes relógios cessaram abruptamente. Muitos foram perdidos, danificados ou confiscados durante a guerra e a subsequente ocupação. Esta curta janela de produção é a principal razão para a sua extrema raridade hoje. Ao contrário de programas de produção em massa como os relógios A-11 americanos ou os 'Dirty Dozen' britânicos, o 'Wilhelmina' foi uma produção limitada para uma necessidade específica e imediata. O seu impacto no legado da Universal Genève é subtil mas profundo, solidificando a sua reputação como um fabricante versátil, capaz de responder a exigências militares rigorosas, ao mesmo tempo que criava um dos relógios militares com maior carga simbólica e histórica já produzidos.

CURIOSIDADES

O monograma 'W' coroado é uma referência direta à Rainha Guilhermina dos Países Baixos, que se tornou um farol da resistência holandesa, liderando o governo no exílio a partir de Londres durante a Segunda Guerra Mundial. A invasão alemã dos Países Baixos em maio de 1940 interrompeu a produção e distribuição destes relógios, tornando os exemplares sobreviventes extraordinariamente raros e cobiçados por colecionadores de relógios militares. O apelido 'Wilhelmina' não é uma designação oficial da Universal Genève, mas sim um nome cunhado por colecionadores para identificar facilmente este modelo específico devido à sua marcação real única. Ao contrário dos relógios militares do programa britânico 'Dirty Dozen', que foram fabricados por doze empresas diferentes, o 'Wilhelmina' foi uma encomenda específica para uma única nação a um único fabricante, tornando a sua história mais focada. A luminescência original dos numerais e ponteiros era feita com rádio, um material radioativo. Com o tempo, este material pode deixar uma 'queimadura' ou pátina característica no mostrador, um detalhe que os colecionadores apreciam como sinal de originalidade. Devido à sua natureza de equipamento militar, muitos destes relógios apresentavam asas de arame fixas em vez de barras de mola amovíveis, uma medida de segurança para evitar a perda do relógio no campo de batalha. Não existem registos de figuras públicas ou celebridades a usar este relógio; os seus portadores originais eram os soldados anónimos do exército holandês, o que confere à peça uma aura de heroísmo discreto e autêntico.

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