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Universal Genève Campi: O Pioneiro Discreto da Robustez Que Antecipou a Era Polerouter


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Um modelo robusto e funcional lançado no final dos anos 30, frequentemente esquecido, mas crucial para a expansão da marca no segmento de uso diário resistente antes da era Polerouter.

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RESUMO

Lançado no final da tumultuada década de 1930, o Universal Genève Campi representa uma faceta frequentemente subestimada da lendária manufactura: o relógio-ferramenta puro e funcional. Numa era em que a Universal Genève era aclamada pelos seus elegantes e complicados cronógrafos da série Compax, o Campi foi concebido com um propósito diferente. Não era para o piloto de corridas ou para o cavalheiro sofisticado, mas sim para o profissional, o explorador e o militar que exigiam uma fiabilidade inabalável em condições adversas. O seu nome, derivado do italiano para 'campos', anunciava sem rodeios a sua vocação para o terreno. A filosofia de design do Campi era de uma simplicidade radical: legibilidade máxima, uma caixa de aço robusta e um movimento à prova de falhas. Este modelo foi um precursor essencial, estabelecendo a reputação da marca na construção de relógios de uso diário resistentes muito antes do advento do icónico Polerouter. A sua significância reside no seu papel como uma ponte crucial entre os relógios de estilo clássico do início do século XX e os relógios de campo especializados que se tornariam um pilar da indústria. O Campi é um testemunho da versatilidade da Universal Genève e um capítulo vital, embora discreto, na sua expansão para o domínio dos relógios para todas as ocasiões.

HISTÓRIA

No crepúsculo da década de 1930, com o mundo à beira de um conflito global, a necessidade de relógios duráveis e fiáveis nunca foi tão premente. Foi neste cenário de crescente incerteza que a Universal Genève, já uma mestre estabelecida na alta complicação, diversificou o seu portfólio com o lançamento do Campi por volta de 1938. O modelo não foi concebido para o luxo, mas para a longevidade. Representou uma mudança estratégica, visando um mercado de profissionais, militares e civis que necessitavam de um instrumento de cronometragem que pudesse suportar os rigores do uso diário e do serviço ativo. A filosofia por detrás do Campi era de uma clareza notável. A caixa, tipicamente fabricada em aço inoxidável 'Staybrite' – um material avançado para a época, conhecido pela sua resistência à corrosão – era a primeira linha de defesa. Embora modesta em tamanho para os padrões contemporâneos, a sua construção era robusta, com asas mais substanciais e um fundo de caixa concebido para oferecer uma melhor vedação contra a poeira e a humidade do que os seus contemporâneos mais elegantes. O coração do Campi era um calibre de corda manual da própria Universal Genève, como o fiável Cal. 262. Estes movimentos eram verdadeiros 'tratores': simples na sua arquitetura, mas projetados para uma manutenção fácil e uma performance consistente a longo prazo. O design do mostrador era a sua característica mais definidora. A legibilidade era a prioridade absoluta. Grandes numerais arábicos, generosamente aplicados com rádio para visibilidade noturna, eram combinados com ponteiros distintos e uma clara faixa de minutos. Esta clareza funcional tornou-o popular entre o pessoal militar, que frequentemente adquiria estes relógios a título privado, mesmo antes de se tornarem emissões oficiais para certas forças, como o exército holandês. Ao longo da sua produção, que se estendeu até aos anos 40, o Campi viu subtis evoluções. Surgiram variações de mostradores, incluindo diferentes estilos de numerais e a transição ocasional de pequenos segundos para um ponteiro de segundos central. No entanto, a sua essência permaneceu inalterada. Embora o Campi nunca tenha alcançado a fama estratosférica dos cronógrafos Compax ou do revolucionário Polerouter, o seu legado é inegável. Foi um campo de provas para as tecnologias de caixas resistentes e movimentos robustos que a Universal Genève aperfeiçoaria mais tarde. O Campi ensinou à marca lições valiosas sobre como construir um relógio que não era apenas belo, mas indestrutível, pavimentando o caminho para que o Polerouter, décadas mais tarde, pudesse conquistar o Círculo Polar Ártico. Para os colecionadores de hoje, o Campi é uma peça de história, um elo crucial que demonstra a capacidade da Universal Genève de dominar tanto a complexidade como a simplicidade funcional.

CURIOSIDADES

O nome 'Campi' é o plural de 'campo' em italiano, sinalizando diretamente a sua finalidade como um relógio de campo ou militar. Embora raramente emitido como equipamento padrão, o Campi foi um favorito para compra privada por oficiais de vários exércitos europeus durante a Segunda Guerra Mundial, especialmente do exército holandês. Na comunidade de colecionadores, é frequentemente referido como um 'Pré-Polerouter' funcional, reconhecendo o seu papel como um dos primeiros relógios verdadeiramente robustos para uso diário da marca. Exemplares com o selo 'HF' no interior da caixa, indicando que foi fabricada pela prestigiada Huguenin Frères (a mesma empresa que mais tarde faria caixas para o Omega Speedmaster), são particularmente procurados pela sua qualidade superior. A luminescência original dos mostradores e ponteiros era feita com Rádio. Exemplares bem preservados ainda podem apresentar uma leitura detetável em um contador Geiger, um facto fascinante para os entusiastas da história horológica. Versões com mostradores 'sector' ou 'científicos' são extremamente raras e comandam um prémio significativo no mercado vintage, representando a estética Art Déco tardia aplicada a um design utilitário. Devido à sua natureza funcional e menos glamorosa, muitos Campi foram usados intensivamente e descartados, tornando os exemplares em excelente estado de conservação surpreendentemente difíceis de encontrar hoje em dia.

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