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Breguet Tradition Fusée Tourbillon 7047: A Sinfonia Mecânica da Força Constante e da Precisão Absoluta


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Primeiro modelo da linha Tradition a incorporar um turbilhão com transmissão por fuso e corrente (fusée-and-chain) para força constante. Calibre 569 de corda manual com espiral de silício.

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RESUMO

O Breguet Tradition Fusée Tourbillon Ref. 7047, introduzido em 2010, representa um pináculo da relojoaria contemporânea, uma obra que funde o legado histórico de Abraham-Louis Breguet com a vanguarda da tecnologia relojoeira. Posicionado no ápice do mercado de ultra-luxo, este relógio não é um mero instrumento para ver as horas, mas sim uma escultura cinética destinada aos colecionadores mais exigentes e conhecedores da alta relojoaria. A sua filosofia de design, herdada da coleção Tradition, é a da transparência radical, expondo a arquitetura do movimento no lado do mostrador, uma homenagem direta aos relógios de 'souscription' do fundador. No entanto, o 7047 eleva este conceito a um novo patamar. A sua importância horológica reside na magistral combinação de duas das mais complexas e historicamente significativas complicações: o turbilhão, patenteado pelo próprio Breguet em 1801 para anular os efeitos da gravidade, e o sistema de transmissão por fuso e corrente (fusée-and-chain), um mecanismo ancestral que garante uma força constante ao escape à medida que a mola principal se desenrola. Ao unir estas duas soluções em busca da cronometria perfeita, e ao executá-las com materiais modernos como o silício e o titânio, a Breguet não só celebrou o seu passado, como também afirmou a sua inabalável maestria técnica no século XXI.

HISTÓRIA

Lançado em 2010, o Breguet Tradition Fusée Tourbillon Ref. 7047 surgiu num momento em que a alta relojoaria vivia uma era de intensa inovação e competição técnica. A coleção Tradition, inaugurada com sucesso em 2005 com a referência 7027, já havia redefinido as expectativas ao apresentar um relógio de pulso cuja estética era ditada pela arquitetura do seu movimento, visível do lado do mostrador. Este design revolucionário foi diretamente inspirado nos relógios de bolso de 'souscription' e 'à tact' criados por Abraham-Louis Breguet no final do século XVIII, que apresentavam uma construção aberta e simétrica. O 7047 foi a evolução lógica e mais ambiciosa desta linhagem. Se os seus predecessores, como o 7027, celebravam a beleza da engrenagem e do balanço, o 7047 representou um salto quântico em complexidade e significado histórico. Foi o primeiro modelo da coleção a incorporar não uma, mas duas soluções fundamentais para a cronometria de precisão, ambas aperfeiçoadas pelo próprio mestre fundador. A primeira é o turbilhão, a invenção mais célebre de Breguet, aqui proeminente numa grande gaiola de titânio às 1h. A segunda, e visualmente ainda mais dramática, é a transmissão por fuso e corrente. Este mecanismo, que se assemelha à caixa de velocidades de uma bicicleta, utiliza uma corrente minúscula que se enrola num cone (o fuso) para equalizar a força decrescente da mola principal, garantindo um torque constante ao escape durante toda a reserva de marcha. A sua integração num relógio de pulso é um feito de microengenharia de extrema dificuldade. Para acomodar esta proeza mecânica, a caixa foi ampliada para 41 mm, e a simetria serena dos primeiros modelos Tradition deu lugar a uma paisagem mecânica densa e dinâmica, dominada visualmente pelo fuso, pelo tambor de corda e pela gaiola do turbilhão. As principais variações desde o seu lançamento limitam-se essencialmente aos materiais da caixa, sendo as mais notáveis a platina (7047PT) e o ouro rosa (7047BR). O impacto do Ref. 7047 foi imenso. Consolidou a coleção Tradition como um pilar da identidade da Breguet moderna e demonstrou a capacidade inigualável da marca para reinterpretar o seu próprio génio histórico com uma execução impecável e materiais de vanguarda, como a espiral de silício. Tornou-se instantaneamente um 'grail watch', uma peça que encapsula a essência da alta relojoaria: uma busca incessante pela precisão, envolta numa execução artística que transcende o tempo.

CURIOSIDADES

A minúscula corrente do mecanismo de fuso é composta por mais de 300 peças individuais, montadas inteiramente à mão, numa demonstração de extraordinária micro-mecânica. A Breguet detém várias patentes relacionadas com o Calibre 569, incluindo uma para o balanço em titânio e outra para uma versão moderna do sistema de proteção contra choques 'pare-chute', uma reinvenção de um dispositivo originalmente criado pelo próprio A.-L. Breguet. O uso de uma espiral de silício com uma curva terminal Breguet foi uma inovação crucial. As propriedades amagnéticas e de estabilidade térmica do silício, combinadas com a geometria comprovada da curva, otimizam a precisão do turbilhão. A palavra 'Fusée' deriva do francês antigo 'fusel', que significa 'fuso', descrevendo a polia em forma de cone. Este mecanismo, comum em cronómetros marítimos históricos, é excecionalmente raro em relógios de pulso devido à sua complexidade e ao espaço que ocupa. A arquitetura do movimento não é apenas funcional mas deliberadamente estética, evocando a construção aberta dos relógios de bolso 'souscription' do século XVIII, que permitiam ao proprietário admirar a mecânica. A gaiola do turbilhão é fabricada em titânio, uma escolha de material moderno para reduzir o peso e a inércia. Isso permite que o mecanismo funcione de forma mais eficiente com menos energia, um fator crítico para a reserva de marcha de 50 horas. Ao contrário de muitos relógios icónicos, o 7047 não possui uma alcunha popular na comunidade de colecionadores, um facto que reflete a sua identidade formal e profundamente técnica, sendo reverenciado simplesmente pela sua prestigiada referência.

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