RESUMO
O Breguet Type XX Transatlantique Ref. 3820 representa um momento crucial na história moderna da lendária maison, marcando a transição de um icónico cronógrafo militar para um sofisticado relógio desportivo de luxo para o dia a dia. Lançado em 1998, apenas três anos após o seu irmão purista, o Aéronavale 3800, o Transatlantique foi concebido para um público mais vasto, que apreciava a robusta herança da aviação, mas desejava a praticidade de uma complicação de data e um acabamento mais refinado. A sua filosofia de design é um estudo de equilíbrio magistral: mantém a funcionalidade essencial do seu antecessor, incluindo a célebre função 'flyback' ('retour en vol'), indispensável para pilotos, mas eleva a sua apresentação com uma luneta polida e a já mencionada janela de data às 6 horas. Esta adição não foi meramente funcional; foi uma declaração de que a linhagem Type XX podia evoluir para além das suas raízes estritamente utilitárias. O Transatlantique posicionou-se, assim, não como um substituto, mas como um complemento ao Aéronavale, oferecendo uma escolha entre a pureza histórica e a elegância versátil. A sua importância reside na forma como demonstrou a capacidade da Breguet de honrar o seu passado militar enquanto se adaptava com sucesso às exigências do colecionador moderno, tornando-se uma peça fundamental na consolidação da coleção Type XX como um pilar da marca no século XXI.
HISTÓRIA
A história do Breguet Type XX Transatlantique Ref. 3820 é inseparável da ressurreição de uma das mais importantes linhagens de cronógrafos de piloto do século XX. As suas origens remontam à década de 1950, quando o Ministério da Defesa francês emitiu especificações técnicas rigorosas, conhecidas como 'Type 20', para um cronógrafo de pulso destinado aos seus pilotos da Aéronavale (Aviação Naval) e da Armée de l'Air (Força Aérea). A Breguet foi um dos principais fornecedores, e os seus relógios tornaram-se lendários pela sua robustez e pela função essencial 'flyback' ('retour en vol'), que permitia aos pilotos reiniciar o cronógrafo com um único toque, vital para a navegação por etapas. Após décadas de dormência, a linha foi espetacularmente reavivada em 1995, sob a nova propriedade da Investcorp, com o lançamento do Type XX Aéronavale Ref. 3800. Este modelo foi um sucesso imediato, capturando a essência do original com um movimento automático moderno, mas mantendo-se fiel ao seu espírito purista, nomeadamente pela ausência de uma janela de data. Contudo, a Breguet rapidamente percebeu que havia um mercado significativo de entusiastas que, embora admirassem a história, desejavam uma peça mais adaptada ao uso civil e diário. A resposta chegou em 1998 com a introdução do Type XX Transatlantique Ref. 3820. Esta nova referência foi uma evolução estratégica e cuidadosamente calculada. A adição mais evidente e definidora foi a complicação de data, discretamente integrada no sub-mostrador das 12 horas do cronógrafo às 6 horas. Esta alteração, aparentemente pequena, transformou o relógio de uma ferramenta especializada num companheiro quotidiano versátil. A outra distinção subtil mas importante foi o acabamento da caixa. Enquanto o Aéronavale 3800 apresentava uma estética mais utilitária, com uma luneta gravada e frequentemente escovada, o Transatlantique 3820 ostentava uma luneta lisa e polida, conferindo-lhe um brilho e uma sofisticação que o aproximavam de um relógio de luxo. O coração do 3820 era o Calibre 582Q, baseado no excelente movimento Lemania 1378. Sendo a Nouvelle Lemania propriedade da Breguet na altura, a integração e o acabamento do calibre estavam ao mais alto nível. O Transatlantique 3820 não foi apenas uma variação; representou a maturação da coleção Type XX para a era moderna. Provou que a herança militar e a elegância contemporânea podiam coexistir harmoniosamente. Ao oferecer ambas as referências, 3800 e 3820, a Breguet conseguiu satisfazer tanto os puristas como o mercado de luxo mais amplo, solidificando o Type XX como um pilar comercial e um ícone de design que perdura até hoje.
CURIOSIDADES
O nome 'Transatlantique' evoca a era dourada da aviação transatlântica, alinhando o relógio com uma imagem de aventura e sofisticação civil, em contraste com o nome militar 'Aéronavale' do seu irmão.
A base do movimento, o Calibre Lemania 1378, foi desenvolvida pela Nouvelle Lemania, que na época era uma empresa irmã da Breguet sob o mesmo grupo de investimento. Esta sinergia permitiu um desenvolvimento altamente integrado e exclusivo.
Os primeiros exemplares do Ref. 3820, datados de cerca de 1998, usavam Trítio como material luminescente, identificado pela inscrição 'T SWISS T' na parte inferior do mostrador. Estas versões são particularmente procuradas por colecionadores que valorizam a pátina envelhecida e a correção de período.
A luneta polida e lisa do 3820 era um diferenciador visual chave em relação ao Aéronavale 3800, sendo uma escolha de design deliberada para posicionar o Transatlantique como a opção mais 'elegante' ou 'dressy' da dupla.
A função 'flyback', ou 'retour en vol' em francês, era uma especificação militar original. Permite que o utilizador pare, reinicie e inicie novamente o cronógrafo com um único toque no botão inferior, enquanto um cronógrafo padrão exige três toques (parar, reiniciar, iniciar).
Apesar de ser um relógio desportivo, o Transatlantique mantém um detalhe de assinatura da alta relojoaria da Breguet: a carrura da caixa finamente canelada, uma característica normalmente associada aos seus relógios de cerimónia mais clássicos.
O Transatlantique foi disponibilizado não só em aço, mas também em materiais preciosos como ouro amarelo e branco, e até numa rara versão em titânio, sublinhando ainda mais a sua posição como um cronógrafo de luxo.