RESUMO
Lançado em 1981, o Certina DS-4 representa um ponto de inflexão crucial na ilustre linhagem 'Double Security' da manufatura suíça. Enquanto seus antecessores, o DS-2 e o DS-3, eram celebrados pela robustez volumosa típica dos anos 70, o DS-4 surgiu como uma resposta direta às novas exigências estéticas e ergonômicas da década de 80. Este modelo personifica a transição da marca para um design mais plano, integrado e sofisticado, sem sacrificar a lendária resistência ao choque que definiu a Certina desde 1959. O DS-4 não foi apenas uma atualização visual; foi uma façanha de engenharia que conseguiu miniaturizar o sistema de suspensão do movimento para caber em caixas significativamente mais finas. Disponível tanto com os veneráveis calibres automáticos in-house (uma das últimas séries a tê-los antes da consolidação completa da ETA) quanto com a tecnologia de quartzo em ascensão, o DS-4 serviu como uma ponte entre a horologia mecânica tradicional e a precisão eletrônica moderna. Com sua caixa em aço inoxidável escovado, muitas vezes integrando-se perfeitamente à pulseira, e mostradores de legibilidade impecável, o relógio manteve a resistência à água de 100 metros (10 ATM), solidificando sua posição como um relógio desportivo de luxo acessível e ultra-durável. Para o colecionador, o DS-4 de 1981 é o epítome do 'design de transição', capturando o momento exato em que a relojoaria suíça abraçou o futuro sem esquecer suas raízes robustas.
HISTÓRIA
A história do Certina DS-4, especificamente no contexto de 1981, é a narrativa de uma marca resiliente navegando pelas águas turbulentas da 'Crise do Quartzo' com engenhosidade técnica. Para compreender o DS-4, deve-se primeiro reverenciar o conceito DS (Double Security) patenteado em 1959. A ideia revolucionária de Hans e Erwin Kurth consistia em suspender o movimento dentro da caixa utilizando um anel elástico de absorção de choque, além de criar uma caixa reforçada e vedações múltiplas. O DS-1, DS-2 e DS-3 construíram uma reputação de indestrutibilidade, sendo usados em expedições ao Himalaia e em pesquisas submarinas.
No entanto, ao chegar em 1980/1981, o mercado mudou drasticamente. A estética volumosa e 'funky' dos anos 70 (representada pelo imponente DS-3) estava a dar lugar a linhas mais limpas, perfis mais baixos e uma integração fluida entre caixa e pulseira, um estilo popularizado por designers como Genta, mas adaptado pela Certina para o mercado de massa premium. O desafio para os engenheiros da Certina em Grenchen foi monumental: como manter o sistema de 'flutuação' do movimento DS, que ocupava espaço interno considerável, num relógio que o mercado exigia ser fino e elegante?
O resultado foi o DS-4. Lançado como a quarta geração, este modelo reengenhou o anel de choque. Em vez dos grossos anéis de borracha dos anos 60, o DS-4 utilizou polímeros sintéticos avançados e uma arquitetura de caixa mais inteligente que permitia que o fundo da caixa e o bisel trabalhassem em uníssono para comprimir as vedações sem adicionar altura excessiva.
1981 foi um ano crucial. A Certina estava em processo de integração profunda no que viria a ser o Swatch Group (então SMH). Portanto, o DS-4 é um 'relógio de fronteira'. As primeiras unidades de 1981 ainda abrigavam os lendários movimentos in-house da série 919 (automáticos), conhecidos pela sua robustez e precisão de alta frequência. Simultaneamente, a marca apostava forte nas versões de quartzo para competir com o Japão. O design do mostrador do DS-4 de 1981 abandonou os marcadores tridimensionais exagerados do DS-2 em favor de índices aplicados finos e ponteiros de bastão, priorizando a clareza e a elegância executiva sobre a utilidade bruta de ferramenta.
O legado do DS-4 reside na sua capacidade de provar que um relógio ultra-resistente não precisava de parecer um tanque de guerra. Ele pavimentou o caminho para a estética moderna da Certina, mantendo o logótipo da tartaruga no fundo da caixa — um símbolo de longevidade e resistência à água — mas agora numa carapaça mais aerodinâmica. É um modelo muitas vezes subestimado, mas que tecnicamente salvou a identidade 'DS' de se tornar obsoleta num mundo que exigia modernidade.
CURIOSIDADES
• O 'Anel Invisível': Diferente do DS-2, onde o anel de borracha amarelo era muitas vezes visível ao abrir a caixa, o sistema de absorção do DS-4 era mais discreto e integrado, utilizando materiais sintéticos pretos ou transparentes de nova geração.
• A Última Fronteira In-House: O DS-4 (versão 1981) abriga alguns dos últimos calibres, como o 919-1, totalmente desenhados e fabricados pela Certina antes da padronização completa para movimentos ETA dentro do grupo SMH.
• Design 'TV Screen': Embora a maioria fosse redonda, existiram variantes raras do DS-4 lançadas nesta época com caixas quadradas arredondadas (estilo TV), seguindo a moda excêntrica do início dos anos 80.
• O Fim da Tartaruga Profunda: Enquanto o DS-2 e DS-3 tinham o relevo da tartaruga no fundo extremamente detalhado e profundo, o DS-4 apresentou uma versão mais estilizada e plana do logótipo para garantir o conforto no pulso com a caixa mais fina.
• Preço vs. Performance: Em 1981, o DS-4 Quartz era comercializado como sendo 'tão resistente quanto o automático, mas 60 vezes mais preciso', uma jogada de marketing agressiva típica da época.
• Variação de Titânio: O DS-4 foi um dos modelos plataforma utilizados pela Certina para experiências iniciais com titânio e bi-color (aço e ouro) em meados dos anos 80, embora a versão pura de aço de 1981 seja a mais purista.