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Certina Club 2000 (1975): A Elegância Descontraída e a Mecânica In-House no Auge da Era Espacial


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Modelo de entrada focado no público jovem e casual, caracterizado por designs variados e movimentos robustos (frequentemente calibres 25-66 ou 25-02). Nome estampado claramente no mostrador.

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RESUMO

O Certina Club 2000, especificamente as iterações de meados de 1975, representa um fascinante microcosmo da indústria relojoeira suíça num momento de transição crucial. Posicionado como o modelo de entrada para um público demográfico mais jovem e dinâmico, o Club 2000 não sacrificou a integridade mecânica pelo estilo. Enquanto a "Crise do Quartzo" começava a lançar a sua sombra, a Certina apostava na fusão entre a estética vibrante dos anos 70 — com caixas em formato 'C-shape', mostradores degradê e tipografia futurista — e a tradicional engenharia robusta de Grenchen. Diferente da linha 'DS' (Double Security), focada na resistência extrema, o Club 2000 focava na elegância casual e no uso diário urbano. O que torna este modelo de 1975 digno de nota histórica não é apenas o seu design evocativo da época, mas o facto de abrigar movimentos de manufatura própria (in-house), como o lendário calibre 25-66 de corda manual ou o 25-02 automático. Para o colecionador moderno, o Club 2000 é a prova de que a Certina mantinha padrões de qualidade excepcionais, oferecendo um "cavalo de batalha" mecânico disfarçado de acessório de moda, num período onde muitos concorrentes já começavam a reduzir custos de produção.

HISTÓRIA

A história do Certina Club 2000 de 1975 deve ser lida contra o pano de fundo de uma indústria em turbulência e reinvenção. Em meados da década de 1970, a Certina, fundada pelos irmãos Kurth em 1888, gozava de uma reputação invejável de durabilidade, cimentada pelo sucesso do conceito DS (Double Security) lançado em 1959. No entanto, a marca precisava de diversificar. O mercado estava a mudar; a geração "Baby Boomer" estava a entrar na idade adulta e procurava relógios que refletissem o otimismo e o design futurista da Era Espacial, afastando-se do conservadorismo dos relógios de vestido dos anos 50 e 60. O nome "Club 2000" foi uma escolha deliberada de marketing. O ano 2000 soava, em 1975, como um futuro distante e tecnológico. A linha foi concebida para ser o ponto de entrada no universo Certina: acessível, mas sem compromissos técnicos. Enquanto outras marcas suíças começavam a recorrer a movimentos genéricos para cortar custos ou a fazer a transição apressada para o quartzo e LED, a Certina manteve-se fiel à sua tradição de manufatura durante este período específico. O coração deste modelo, frequentemente o Calibre 25-66 (manual) ou o 25-02 (automático), é considerado por relojoeiros como um dos últimos grandes suspiros da produção em massa de alta qualidade antes da consolidação da ETA. O 25-66, em particular, é um movimento de uma simplicidade elegante e robustez extrema, conhecido pela sua fiabilidade a longo prazo e facilidade de serviço. A decisão de equipar um relógio "jovem" e "casual" com um movimento desta categoria demonstra a filosofia da Certina na época: a qualidade não era negociável, mesmo nos modelos mais acessíveis. Esteticamente, o modelo de 1975 abraçou a liberdade de formas. As caixas deixaram de ser estritamente redondas para adotar formas 'tonneau', ovais ou quadradas arredondadas (estilo TV), muitas vezes com acabamentos escovados que escondiam riscos de uso diário. Os mostradores ganharam vida com cores profundas e índices aplicados em bloco, típicos do design industrial da época. O Club 2000 não era um relógio para ser guardado num cofre; era um companheiro para a vida social, o trabalho e o lazer. Com o passar dos anos e a subsequente reestruturação da indústria relojoeira suíça (que culminaria na formação do Grupo Swatch), a linha Club 2000 foi descontinuada, e a Certina passou a usar movimentos ETA padronizados. Assim, os modelos de meados dos anos 70, como este, representam o fim de uma era dourada de independência técnica da marca, tornando-os peças de estudo valiosas para compreender a resistência da relojoaria mecânica face à revolução digital.

CURIOSIDADES

1. O nome '2000' foi escolhido puramente pelo seu apelo futurista, simbolizando a modernidade que a marca queria projetar para a juventude dos anos 70. 2. Apesar de ser um modelo de entrada, muitos Club 2000 partilhavam componentes internos com a linha profissional 'Blue Ribbon', oferecendo um valor técnico excepcional. 3. O Calibre 25-66 utilizado nestes relógios é frequentemente citado por relojoeiros veteranos como um dos movimentos de corda manual mais fiáveis e bem construídos da sua geração. 4. Diferente da linha DS, o Club 2000 geralmente não possuía o anel de borracha de absorção de choque interno, confiando na robustez natural do movimento e da caixa. 5. Em 1975, a Certina produzia cerca de 600.000 relógios por ano, e o Club 2000 foi fundamental para manter o volume de vendas face à concorrência japonesa. 6. Existem variações raras deste modelo com mostradores 'mármore' ou texturizados, que são altamente procurados por colecionadores de peças excêntricas dos anos 70. 7. A frequência de 19.800 vibrações por hora dos calibres desta era é uma assinatura técnica distinta, situando-se entre os antigos 18.000 vph e os modernos 28.800 vph.

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