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Certina DS-5 (1984): O Canto do Cisne da Linhagem Numerada e a Adaptação da Robustez Suíça à Elegância do Quartzo


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A quinta e última geração numerada da linhagem vintage DS. Design ultra-fino e integrado, marcando a transição completa para a estética predominante de quartzo da década.

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RESUMO

O Certina DS-5, lançado em 1984, representa um momento crucial e agridoce na história da manufatura de Grenchen. Como a quinta e última geração numerada da lendária série 'Double Security' (DS) original, este modelo não é apenas um relógio, mas um manifesto de sobrevivência durante o auge da Crise do Quartzo. Diferente dos seus antecessores — o robusto DS-2 'Turtle' ou o imponente DS-3 de mergulho — o DS-5 rompeu radicalmente com a linguagem de design utilitária das décadas de 60 e 70. Em vez de volume, o DS-5 ofereceu elegância aerodinâmica. Este modelo foi projetado para competir num mercado dominado pela estética 'sport-luxe' integrada, popularizada pelo Royal Oak e pelo Nautilus, mas democratizada pelas marcas japonesas e pelas tendências de moda da década de 1980. O desafio da engenharia da Certina foi monumental: manter o famoso sistema de absorção de choque (o anel de borracha sintética que 'flutua' o movimento dentro da caixa) dentro de um perfil ultra-fino, muitas vezes inferior a 8mm. O resultado foi um relógio com bracelete integrado, linhas fluidas e vidro de safira plano, que escondia uma robustez técnica sob uma aparência de relógio de gala. O DS-5 simboliza a transição final da Certina de uma manufatura independente focada em ferramentas mecânicas para uma marca moderna dentro do que viria a ser o Grupo Swatch, encapsulando perfeitamente o zeitgeist de 1984.

HISTÓRIA

A história do Certina DS-5 é intrinsecamente a história da adaptação da indústria relojoeira suíça diante de uma ameaça existencial. Para compreender a gravidade do lançamento de 1984, é necessário recuar até 1959, quando a Certina lançou o conceito DS (Double Security). Durante duas décadas, a linha DS foi sinónimo de relógios 'ferramenta': espessos, pesados e indestrutíveis, famosos pelas suas tampas traseiras gravadas com uma tartaruga, simbolizando a carapaça protetora. No entanto, ao chegar ao início da década de 1980, o cenário horológico tinha mudado drasticamente. A precisão do quartzo tornou-se a norma e a espessura de um relógio mecânico tradicional passou a ser vista como obsoleta ou arcaica pelo consumidor geral. A procura deslocou-se para peças que pudessem transitar do escritório para o clube de ténis; o design 'integrado' (onde a caixa flui para a bracelete sem asas tradicionais) tornou-se a assinatura visual da era. Neste contexto, a família Kurth (fundadores da Certina) e a equipa de design enfrentaram um dilema com o projeto DS-5. Como preservar o DNA da 'Segurança Dupla' — que necessitava de espaço físico para o anel de elastômero de absorção de choque — numa caixa que o mercado exigia que fosse plana? O DS-5 foi a resposta brilhante a essa engenharia. Lançado em 1984, abandonou as curvas bulbosas do DS-2 e a arquitetura de bloco do DS-3. O DS-5 apresentou uma silhueta arquitetónica, com superfícies escovadas verticalmente e arestas polidas que refletiam a luz de forma dinâmica. Internamente, a utilização de movimentos de quartzo ETA permitiu a redução necessária no volume, mas a Certina não comprometeu a resistência. O anel de choque foi redesenhado para ser mais fino, mas igualmente eficaz, e a resistência à água manteve-se nos 100 metros, uma especificação técnica que superava a maioria dos concorrentes de design semelhante (que muitas vezes ofereciam apenas 30m). O ano de 1984 foi também um ano de transição corporativa. A Certina tinha entrado na SMH (que se tornaria o Grupo Swatch) em 1983. O DS-5 é, portanto, um dos últimos modelos concebidos com a filosofia da 'velha guarda' da Certina, mas executado com a tecnologia racionalizada do novo conglomerado. Ele representa o fim da linhagem numerada. Após o DS-5, a Certina deixou de numerar sequencialmente as gerações (não houve um DS-6 imediato nos mesmos moldes), passando a utilizar 'DS' como um prefixo tecnológico para várias coleções (DS Podium, DS Action, etc.). Hoje, o DS-5 é redescoberto por colecionadores não apenas como um relógio vintage, mas como uma peça de design industrial que captura a essência de 1984: a fusão final entre a tradição mecânica de durabilidade e o futurismo eletrónico de perfil baixo.

CURIOSIDADES

O DS-5 foi o último modelo da Certina a carregar um número sequencial de geração (1-5) antes da reestruturação completa das coleções da marca sob o Grupo Swatch. Apesar da sua aparência delicada e fina, o DS-5 mantinha a mesma classificação de resistência à água e choque que muitos dos relógios de mergulho da época, graças à engenharia oculta do sistema DS. O design da bracelete integrada do DS-5 é frequentemente comparado ao trabalho de Gérald Genta, embora tenha sido desenvolvido internamente para seguir a tendência 'sport-chic' de Wall Street dos anos 80. Em 1984, este modelo foi um dos primeiros da gama média suíça a padronizar o uso de cristal de safira, algo que na altura era reservado para marcas de luxo de topo como a Rolex ou Omega. Existem versões extremamente raras do DS-5 com mostradores texturizados em 'Linen' (linho) ou 'Tapestry', que hoje são altamente cobiçadas por colecionadores de design vintage.

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