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Zodiac Olympos 1961: A Vanguarda do Design 'Manta Ray' e a Precisão do Hacking na Era de Ouro da Relojoaria Suíça


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Introdução da caixa assimétrica conhecida como Manta Ray (arraia). O modelo original apresentava a coroa posicionada às 2 horas e utilizava um movimento automático com função de parada de segundos (hacking).

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RESUMO

O Zodiac Olympos, introduzido em 1961, representa um dos ápices do design 'Space Age' e da engenharia relojoeira de meados do século XX. Rompendo violentamente com a tradição das caixas redondas conservadoras, o Olympos apresentou ao mundo a silhueta 'Manta Ray' (arraia) ou 'Stingray', uma caixa assimétrica onde as garras não são meros apêndices, mas extensões fluidas de uma arquitetura escultural. Esta geometria ousada não era apenas estética; servia a um propósito funcional de proteger a coroa, engenhosamente posicionada de forma rebaixada às 2 horas. No coração desta peça histórica, batia um movimento automático de alta competência para a época, equipado com a função de 'stop-seconds' ou 'hacking', permitindo uma sincronização precisa do tempo — uma raridade em relógios de vestimenta daquele período. Para o colecionador e historiador, o Olympos de 1961 não é apenas um relógio; é um manifesto de design industrial que captura o otimismo futurista da década. A combinação de um mostrador muitas vezes dividido em setores (crosshair), a tipografia elegante e a caixa de aço inoxidável polido (ou banhada a ouro) cria uma presença no pulso que permanece inigualável. Enquanto o Zodiac Sea Wolf dominava os mares, o Olympos foi projetado para dominar os salões e a imaginação, solidificando a Zodiac como uma manufatura capaz de rivalizar, tanto em criatividade quanto em precisão técnica, com as maiores casas de Le Locle.

HISTÓRIA

A história do Zodiac Olympos de 1961 é inseparável do contexto cultural e tecnológico de sua época. No início da década de 1960, a corrida espacial estava a todo vapor e o design industrial sofria uma metamorfose, abandonando as linhas estáticas do Art Déco em favor de formas aerodinâmicas e futuristas. A Zodiac, fundada em 1882 por Ariste Calame, já havia estabelecido sua reputação de robustez com o lançamento do lendário mergulhador Sea Wolf em 1953. No entanto, a marca necessitava de um pilar de 'elegância vanguardista' para complementar sua linha esportiva. O lançamento do Olympos em 1961 foi a resposta definitiva da Zodiac. O design da caixa, apelidado afetuosamente de 'Manta Ray' ou 'Arraia', foi uma aposta arriscada. Ao contrário das caixas tradicionais com garras soldadas ou integradas de forma convencional, a caixa do Olympos expandia-se lateralmente, criando 'ombros' que afunilavam em direção à pulseira. Esta escolha de design resolveu um problema ergonômico antigo: o desconforto da coroa cavando no dorso da mão. Ao mover a coroa para a posição das 2 horas e rebaixá-la na estrutura da caixa, a Zodiac ofereceu um conforto superior e uma proteção natural contra impactos, eliminando a necessidade de guardas de coroa volumosos. Tecnicamente, o modelo de 1961 foi um triunfo. A Zodiac implementou um sistema de hacking (parada de segundos) em seu movimento automático. Embora comum em relógios militares, essa funcionalidade era rara em relógios civis de luxo acessível da época. Isso permitia que o usuário puxasse a coroa e parasse o ponteiro dos segundos instantaneamente, facilitando a sincronização precisa com um sinal horário de rádio ou um relógio mestre — uma funcionalidade que a Zodiac promovia agressivamente em seu marketing como um sinal de precisão cronométrica. Ao longo dos anos 60, o Olympos evoluiu, gerando variantes famosas como o 'Olympos Mystery', onde os ponteiros pareciam flutuar em discos transparentes, sem conexão visível com o centro. No entanto, é a versão original de 1961, com seus ponteiros físicos e a pureza da caixa assimétrica original, que permanece o 'Santo Graal' para os historiadores da marca. O modelo sofreu com a Crise do Quartzo na década de 1970, desaparecendo do catálogo até ser ressuscitado recentemente pela Fossil Group (atuais proprietários da Zodiac) em reedições fiéis. Contudo, para o purista, a metalurgia, a pátina e a engenharia mecânica da versão de 1961 possuem uma 'alma' que nenhuma reedição moderna consegue duplicar inteiramente. O Olympos de 1961 não é apenas um relógio; é um monumento à audácia suíça pré-crise.

CURIOSIDADES

1. A posição da coroa às 2 horas não foi apenas estética; foi comercializada como uma característica de segurança, impedindo que a coroa se prendesse em roupas ou fosse acidentalmente puxada. 2. O apelido 'Manta Ray' nunca foi oficial nos catálogos da Zodiac de 1961; o nome oficial era estritamente Olympos, fazendo alusão ao Monte Olimpo, morada dos deuses gregos, sugerindo um relógio de estatura divina. 3. O mecanismo de hacking da Zodiac na época era considerado tão robusto que a marca o utilizava como principal diferencial contra concorrentes como a Omega e a Longines em faixas de preço similares. 4. Existe uma lenda entre colecionadores de que o formato da caixa foi inspirado nos lemes de aeronaves experimentais da Força Aérea Suíça, embora a inspiração marinha (arraia) seja a mais visualmente aceita. 5. O Zodiac Olympos foi um dos poucos relógios da época a oferecer variantes com mostradores 'Mystery' (discos rotativos em vez de ponteiros) mantendo a mesma caixa assimétrica, criando uma combinação raríssima de 'Mystery Dial' em caixa não redonda. 6. A versão de 1961 é frequentemente confundida com modelos posteriores dos anos 70; a distinção chave está na espessura das garras e na tipografia do logo aplicada no mostrador.

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