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Poljot Antarktida de 1958: O Cronómetro de Exploração Soviético Nascido no Gelo da Guerra Fria


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Desenvolvido especificamente para a Expedição Antártica Soviética. Possui um mostrador de 24 horas (Calibre 2623) para uso em condições de dia/noite polar e blindagem antimagnética. Um dos tool watches soviéticos mais raros e documentados.

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RESUMO

O Poljot Antarktida de 1958 não é apenas um relógio; é um artefacto da exploração polar e um testemunho da engenharia soviética durante o auge da Guerra Fria. Desenvolvido por ordem especial do governo para a Terceira Expedição Antártica Soviética, este relógio foi concebido como uma ferramenta de precisão indispensável para cientistas e exploradores que enfrentavam as condições extremas do continente gelado. A sua característica mais distintiva, o mostrador de 24 horas, era uma necessidade prática para distinguir o dia da noite durante os longos períodos de luz ou escuridão polar. O seu posicionamento no mercado era inexistente no sentido comercial; era um equipamento emitido pelo estado, não disponível ao público, o que hoje o eleva a um estatuto quase mítico. A filosofia de design é puramente utilitária: legibilidade máxima, robustez e fiabilidade sob temperaturas negativas e campos magnéticos. A inclusão de uma blindagem antimagnética interna, uma característica avançada para a época, sublinha a sua natureza de 'tool watch' profissional, destinado a funcionar perto de equipamento científico sensível. A sua imensa raridade, juntamente com uma história documentada e um propósito singular, torna o Antarktida um dos relógios soviéticos mais significativos e cobiçados, um verdadeiro 'graal' para colecionadores que valorizam a história e a função acima do luxo.

HISTÓRIA

A história do Poljot Antarktida está intrinsecamente ligada a um dos maiores esforços científicos do século XX: o Ano Geofísico Internacional (AGI) de 1957-1958. Neste período de intensa rivalidade geopolítica, a União Soviética procurava afirmar a sua proeza científica e tecnológica, e a exploração da Antártida era um palco primordial. Para os cientistas e pessoal de apoio estacionados em bases como Vostok e Mirny, onde o sol podia brilhar por 24 horas ou desaparecer por meses, um relógio convencional de 12 horas era desorientador e impraticável. A necessidade de um instrumento fiável para monitorizar o tempo de forma inequívoca era crítica. Em resposta, a Primeira Fábrica de Relógios de Moscovo (1MChZ), a principal entidade horológica do estado, foi encarregada de criar um relógio de pulso à altura do desafio. O resultado foi o 'Antarktida'. Este relógio não foi uma evolução de um modelo existente, mas sim uma criação propositada, um 'purpose-built tool watch' no seu estado mais puro. A sua génese foi uma colaboração técnica notável. Enquanto a 1MChZ projetou e produziu a caixa, o mostrador e montou o relógio final, o coração do Antarktida veio da Fábrica de Relógios de Petrodvorets (futura Raketa), que tinha desenvolvido o calibre 2623, um movimento robusto de corda manual com uma engrenagem modificada para que o ponteiro das horas completasse uma única rotação em 24 horas. Para além da complicação de 24 horas, a característica técnica mais crucial era a sua blindagem antimagnética. Os exploradores e cientistas trabalhavam com equipamentos que geravam campos magnéticos significativos, capazes de perturbar a precisão de um relógio mecânico. Inspirando-se em designs como o IWC Ingenieur, os engenheiros soviéticos encapsularam o movimento numa gaiola interna de ferro macio, que redirecionava os campos magnéticos, protegendo a espiral do balanço. Este era um nível de sofisticação raramente visto na relojoaria soviética da época, reservado para aplicações militares ou científicas especializadas. O design era despojado de qualquer ornamento. A caixa de 35mm, tipicamente de latão cromado para facilitar a produção em massa (embora o volume aqui fosse mínimo), era funcional. O mostrador branco ou prateado oferecia a máxima legibilidade, com numerais arábicos claros para todas as 24 horas e uma aplicação generosa de lume de rádio. O fundo da caixa era o único local de expressão comemorativa, frequentemente gravado com o contorno do continente antártico e a inscrição '????????? ?????????????? ??????????' (Expedição Antártica Soviética). Produzido numa série extremamente limitada, estimada em apenas algumas centenas de unidades, o Antarktida nunca foi vendido ao público. Foi equipamento oficial, distribuído aos membros da expedição. Consequentemente, não existem 'gerações' ou 'evoluções' do modelo; ele é uma cápsula do tempo de 1958. A sua raridade extrema e a prevalência de falsificações (muitas vezes usando movimentos Raketa 24h posteriores em caixas não relacionadas) tornam a autenticação um desafio. Um exemplar genuíno, com o mostrador correto da 1MChZ, o movimento Petrodvorets, a blindagem interna e o fundo da caixa gravado, é uma das peças mais raras e historicamente importantes da horologia soviética. O seu impacto não foi comercial, mas sim cultural, solidificando a reputação da indústria relojoeira soviética como capaz de produzir instrumentos de precisão para as condições mais adversas da Terra.

CURIOSIDADES

Apelidos: Conhecido na comunidade de colecionadores simplesmente como 'Antarktida' ou 'Antarctic'. Produção Única: Estima-se que apenas algumas centenas de exemplares foram produzidos, exclusivamente para os membros da Terceira Expedição Antártica Soviética (1957-1959), tornando-o mais raro do que muitos relógios suíços icónicos da mesma época. Colaboração Incomum: O relógio é um raro exemplo de colaboração formal entre as duas maiores fábricas de relógios soviéticas: a Primeira Fábrica de Relógios de Moscovo (caixa e montagem) e a Fábrica de Relógios de Petrodvorets (movimento). Contexto Científico: O relógio foi um produto direto do Ano Geofísico Internacional, um esforço global que levou à criação de tratados internacionais e avanços significativos na compreensão da Terra, incluindo a descoberta da Dorsal Meso-Atlântica e dos cinturões de radiação de Van Allen. Blindagem Avançada: A sua gaiola interna antimagnética de ferro macio era uma tecnologia de ponta, colocando-o em pé de igualdade técnico com contemporâneos suíços como o Rolex Milgauss e o Omega Railmaster, embora concebido para um ambiente de exploração em vez de um laboratório ou central elétrica. Valor de Coleção: Devido à sua extrema raridade e história documentada, um Poljot Antarktida autenticado pode atingir valores de vários milhares de euros em leilões especializados, um preço extraordinário para um relógio de fabrico soviético. Utilizadores Históricos: Os seus únicos 'portadores famosos' foram os cientistas, engenheiros e pilotos anónimos da expedição soviética, verdadeiros pioneiros da exploração polar.

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