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Poljot Pobeda K-26 de 1946: O Relógio da Vitória que Inaugurou a Horologia Soviética Pós-Guerra


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O marco zero da 1MWF no pós-guerra. Baseado no calibre Lip R26 francês, aprovado pessoalmente pelo Kremlin. Embora Pobeda tenha se tornado uma marca compartilhada, a produção original da Primeira Fábrica de Moscou estabeleceu a base técnica para o que viria a ser a Poljot.

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RESUMO

O Pobeda K-26, produzido pela Primeira Fábrica de Relógios de Moscou (1MWF) a partir de 1946, não é apenas um relógio; é um monumento histórico em forma de cronómetro. Nascido das cinzas da Segunda Guerra Mundial e batizado com a palavra russa para 'Vitória', a sua criação foi decretada pessoalmente por Estaline para comemorar o triunfo soviético e dotar os cidadãos de um relógio fiável e acessível. Posicionado como um relógio utilitário para as massas, o seu público-alvo era o cidadão comum, o trabalhador e o soldado — a espinha dorsal de uma nação em reconstrução. A sua filosofia de design era de uma simplicidade robusta e funcional, ecoando os ideais de praticidade do Estado. Baseado no calibre francês Lip R26, o K-26 era um movimento a corda manual despojado de complicações, mas construído para durar. A importância do Pobeda de 1946 transcende a sua função. Ele representa o marco zero da indústria relojoeira soviética do pós-guerra, estabelecendo a base técnica e industrial sobre a qual a 1MWF evoluiria para se tornar a lendária Poljot. Para a horologia mundial, ele é um artefacto fascinante de um sistema político e económico distinto, um exemplo de engenharia inversa bem-sucedida e o ancestral direto de relógios que mais tarde viajariam para o espaço.

HISTÓRIA

A história do Pobeda K-26 está intrinsecamente ligada ao fim da Segunda Guerra Mundial. Em abril de 1945, com a vitória Aliada iminente, Joseph Stalin emitiu uma ordem para desenvolver e produzir um relógio de pulso que simbolizasse o triunfo soviético e que pudesse ser massificado para a população civil. O nome escolhido foi 'Pobeda' (??????), que significa 'Vitória'. Para acelerar o desenvolvimento, os engenheiros soviéticos não começaram do zero. Eles basearam o novo calibre, designado K-26, no robusto e fiável movimento francês Lip R26. A documentação técnica e a maquinaria para a sua produção foram adquiridas de França, seja como parte de acordos comerciais ou como reparações de guerra. A produção em massa começou oficialmente em março de 1946, inicialmente na Fábrica de Relógios de Penza, mas foi a Primeira Fábrica de Relógios de Moscou (1MWF) que se tornou o principal e mais icónico produtor. Os exemplares de 1946 da 1MWF são considerados o 'marco zero' da linhagem Poljot. Estes relógios de estreia definiram a estética do design soviético pós-guerra: caixas pequenas, tipicamente de latão cromado para reduzir custos, com fundos de aço inoxidável de pressão, e mostradores de uma legibilidade clara e sem adornos. As variantes mais procuradas pelos colecionadores de hoje são as da primeira produção, conhecidas como 'Red 12', onde o numeral das 12 horas era impresso em tinta vermelha, um detalhe estilístico que as diferenciava. O calibre K-26 era uma maravilha de simplicidade e durabilidade, embora os modelos iniciais carecessem de qualquer sistema de proteção contra choques, uma característica que só seria adicionada anos mais tarde. A evolução do Pobeda foi mais estética do que técnica. Ao longo dos anos 50 e 60, a 1MWF e outras fábricas que também começaram a produzi-lo (como ZIM, Raketa e Vostok) introduziram uma vasta gama de designs de mostradores, desde padrões 'guilloché' estampados a diferentes tipografias e cores. No entanto, o K-26 permaneceu o coração fiável da maioria deles. O impacto do Pobeda na indústria e na cultura soviética foi imenso. Deixou de ser apenas um modelo para se tornar uma marca ubíqua, sinónimo de relógio de pulso na URSS. Era o relógio do povo. Para a 1MWF, o sucesso e a experiência adquirida com a produção em massa do Pobeda K-26 foram fundamentais. Criou a base industrial e o conhecimento técnico que permitiram o desenvolvimento de calibres mais complexos, culminando em ícones como o Sturmanskie, o relógio que Yuri Gagarin usou no espaço, e a eventual renomeação da fábrica para Poljot ('Voo') em 1964. O Pobeda K-26 de 1946 não é, portanto, apenas um relógio vintage; é o alicerce sobre o qual toda a glória horológica da Poljot foi construída.

CURIOSIDADES

O nome 'Pobeda' e o design final do relógio foram, segundo relatos, pessoalmente aprovados por Joseph Stalin em 1945, sublinhando a sua importância nacional. Os modelos mais raros e cobiçados da produção inicial de 1946 pela 1MWF são conhecidos entre colecionadores como 'Red 12', devido ao numeral '12' ser impresso em tinta vermelha vibrante, um detalhe ausente nas produções posteriores. O coração do Pobeda, o calibre K-26, é uma cópia direta do movimento francês Lip R26. Esta transferência de tecnologia foi um passo crucial para a rápida modernização da indústria relojoeira soviética. O Pobeda tornou-se um ícone cultural tão difundido que era comummente atribuído como prémio por mérito em fábricas, explorações agrícolas coletivas e no serviço militar, representando um símbolo de honra e realização. A experiência adquirida pela Primeira Fábrica de Relógios de Moscou com o Pobeda foi a base para o desenvolvimento do Sturmanskie, o relógio que equipou Yuri Gagarin no seu histórico primeiro voo espacial em 1961. Devido à sua construção em latão cromado, o desgaste natural revela o metal amarelado por baixo, um fenómeno conhecido como 'brassing'. Muitos colecionadores apreciam esta pátina como um sinal de uma vida autêntica e bem vivida pelo relógio. Os primeiros calibres K-26, incluindo os de 1946, não tinham qualquer sistema de proteção contra choques. A presença de um sistema 'antichoc' no balanço é um indicador claro de uma versão posterior, sendo um detalhe crucial para a datação correta da peça.

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