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Cartier Crash: O Ícone Surrealista de 1967 Nascido da Efervescência da Swinging London


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Surgido na Cartier London, o modelo representa o auge do design de vanguarda. Com sua caixa surrealista e distorcida, o relógio desafiou as normas de fabricação horológica, exigindo movimentos ovais específicos (geralmente calibres LeCoultre modificados) para caber na caixa assimétrica, tornando-se um marco da liberdade criativa no período do Swinging London.

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RESUMO

O Cartier Crash não é apenas um relógio; é uma declaração artística, um fragmento de surrealismo para o pulso que encapsula a audácia da Swinging London de 1967. Nascido na filial londrina da Cartier, sob a direção criativa de Jean-Jacques Cartier, o Crash transcendeu a sua função de mero instrumento de medição do tempo para se tornar um objeto de culto. A sua filosofia de design é uma rejeição radical das formas geométricas e simétricas que dominavam a horologia. Com a sua caixa derretida e assimétrica, aparentemente deformada por um impacto violento, o relógio desafiou todas as convenções. O seu público-alvo não eram os tradicionalistas, mas sim os vanguardistas: artistas, intelectuais e ícones da moda que viam no relógio um reflexo do seu próprio espírito inconformista. Posicionado no ápice do luxo e da exclusividade, o Crash era e continua a ser um símbolo de individualidade extrema. A sua importância horológica reside na sua ousadia técnica e estética. Exigiu a criação de mostradores distorcidos onde cada numeral romano era desenhado à medida e a adaptação de movimentos ovais de alta qualidade, como os da Jaeger-LeCoultre, para caberem numa arquitetura impossível. Mais do que um relógio de luxo, o Crash é um marco da liberdade criativa, provando que um relógio pode ser uma tela para a expressão artística mais pura e provocadora.

HISTÓRIA

A história do Cartier Crash está envolta em lendas tão cativantes quanto o seu design. A narrativa mais famosa, e provavelmente apócrifa, conta que a inspiração surgiu quando um cliente levou à Cartier de Londres um relógio Baignoire Allongée danificado, que tinha derretido num acidente de viação fatal. Jean-Jacques Cartier, neto de Louis Cartier e diretor da filial londrina, teria ficado tão fascinado pela forma trágica e orgânica do relógio destruído que decidiu recriá-la. Contudo, uma versão mais plausível e historicamente aceite atribui o design a um exercício criativo deliberado entre Jean-Jacques Cartier e o designer Rupert Emmerson. Imersos na atmosfera psicadélica e revolucionária da Swinging London de 1967, eles procuraram capturar o espírito da época, fortemente influenciado pela arte surrealista de artistas como Salvador Dalí e as suas famosas imagens de relógios a derreter em 'A Persistência da Memória'. A produção do Crash original de 1967 foi um desafio técnico monumental. A caixa de ouro, com as suas curvas fluidas e assimétricas, era extremamente difícil de fabricar e polir de forma consistente. O mostrador exigia que cada um dos doze numerais romanos fosse pintado individualmente, esticado e deformado para seguir os contornos da caixa, um processo artesanal que resultava em variações subtis em cada peça. A maior dificuldade, no entanto, residia no movimento. Uma caixa tão pouco ortodoxa não podia albergar um calibre redondo padrão. A solução foi recorrer a movimentos de formato 'tonneau' ou oval, fornecidos pela Jaeger-LeCoultre, que eram então cuidadosamente modificados para se ajustarem ao interior contorcido do relógio. Devido a estas complexidades, a produção original dos 'London Crash' foi extremamente limitada, com estimativas a apontar para apenas cerca de uma dúzia de exemplares fabricados no final dos anos 60, tornando-os extraordinariamente raros e cobiçados. Durante décadas, o Crash permaneceu um segredo bem guardado entre os colecionadores mais astutos. O seu ressurgimento começou em 1991, quando a Cartier Paris lançou uma reedição limitada a aproximadamente 400 peças em ouro amarelo. Este modelo parisiense, embora fiel ao espírito do original, apresentava diferenças subtis na forma da caixa e a assinatura 'Paris' no mostrador, em oposição a 'London'. Nos anos mais recentes, a Cartier celebrou o seu ícone através da coleção Cartier Privée, com edições limitadas em platina, ouro rosa e até versões esqueletizadas que revelam a complexidade mecânica interna. O impacto do Crash no legado da Cartier e na indústria é imensurável. Ele solidificou a reputação da Cartier London como um centro de criatividade independente e demonstrou que a alta relojoaria podia ser um veículo para a arte radical. Hoje, o Crash não é apenas um relógio; é o 'grail watch' para muitos, um símbolo máximo de sofisticação anti-conformista e um testemunho duradouro do génio visionário da Cartier.

CURIOSIDADES

A Lenda da Origem: A história mais famosa, embora provavelmente um mito, atribui o design a um relógio Cartier Baignoire que derreteu num acidente de carro, daí o nome 'Crash'. Influência Surrealista: O design é amplamente visto como uma homenagem direta à obra 'A Persistência da Memória' de Salvador Dalí, capturando a essência dos seus relógios derretidos. Extrema Raridade: Estima-se que apenas cerca de uma dúzia de relógios Crash originais 'London' foram produzidos no final dos anos 1960, tornando-os um dos relógios vintage mais raros do mundo. Ícone da Cultura Pop Moderna: O relógio tornou-se um símbolo de status entre celebridades conhecedoras, usado por figuras como Kanye West, Tyler, the Creator e Jay-Z, que ajudaram a impulsionar a sua fama para um novo patamar. Recordes em Leilão: Um Cartier Crash original de Londres de 1967 foi vendido por mais de 1,5 milhões de dólares num leilão online em 2022, estabelecendo um recorde mundial para o modelo. Diferenças de 'Terroir': Colecionadores experientes distinguem avidamente entre os raríssimos modelos originais com a assinatura 'London' no mostrador e as reedições posteriores de 1991 com a assinatura 'Paris', que têm ligeiras variações na forma da caixa. Desafio Técnico: A produção do mostrador era tão complexa que os artesãos tinham de pintar cada numeral romano individualmente, deformando a sua geometria para se adaptar às curvas da caixa, tornando cada peça única.

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