Logo Time66
Foto do Perfil

Confira as vantagens do Assinante!

Ver Assinatura

Cartier Baignoire: A forma oval nascida para a realeza que se tornou um ícone da elegância parisiense.


Compartilhar postagem:

Criação do design oval alongado, originalmente um modelo sob encomenda para a Grã-Duquesa Maria Pavlovna. Representa o pilar de design de forma da Maison. A estética foi refinada em 1958 (Ovale Cintré) e formalmente nomeada Baignoire em 1973, mantendo a curvatura característica e o uso de movimentos ultra-finos.

Avaliar
Últimos comentários


RESUMO

O Cartier Baignoire transcende a simples cronometragem para se afirmar como um pilar fundamental da filosofia de design da Maison, a celebração da "montre de forme". Nascido em 1912 como uma encomenda exclusiva, a sua essência não reside na complicação técnica, mas na pureza e audácia da sua silhueta. Posicionado no ápice do luxo como um relógio de gala definitivo, o seu público-alvo sempre foi a mulher de gosto refinado e vanguardista, desde a aristocracia europeia do início do século XX até às ícones de estilo contemporâneas. A sua filosofia de design é um estudo sobre a harmonia das curvas, uma rutura deliberada com a hegemonia do relógio redondo. A caixa oval, alongada e sensual, foi concebida para abraçar o pulso com uma elegância orgânica, transformando um objeto funcional numa peça de joalharia. A sua importância no mundo da relojoaria é imensa; o Baignoire não só solidificou a reputação da Cartier como mestre das formas, ao lado do Tank e do Santos, mas também demonstrou que a inovação estética podia ser tão revolucionária quanto a inovação mecânica. Representa a convicção de que o design de um relógio deve começar pela sua forma exterior, uma ideia que continua a definir a identidade da marca até hoje.

HISTÓRIA

A história do Cartier Baignoire é, na sua essência, a história da própria Cartier como uma força disruptiva no design de relógios. A sua génese remonta a 1912, uma era em que a relojoaria de pulso ainda estava a encontrar a sua identidade, largamente dominada por caixas redondas adaptadas de relógios de bolso. Foi neste contexto que Louis Cartier, um visionário com um olhar de joalheiro, concebeu um relógio que era, antes de mais, uma forma. A peça original não tinha nome; era uma criação 'sur mesure', uma encomenda especial para a Grã-Duquesa Maria Pavlovna da Rússia, uma cliente proeminente da Maison e uma figura central na sociedade czarista. O design era de uma simplicidade radical e de uma audácia notável: um oval alongado, perfeitamente curvo para seguir a linha do pulso. Era menos um instrumento para ver as horas e mais um ornamento que, por acaso, também as exibia. Esta peça pioneira estabeleceu um precedente, demonstrando o compromisso da Cartier com a exploração de silhuetas não convencionais. Durante décadas, esta forma oval permaneceu no léxico de design da Cartier, aparecendo em criações únicas e de produção limitada, mas sem ser formalizada como uma coleção. O verdadeiro passo seguinte na sua evolução ocorreu em 1958. Neste período pós-guerra, a Cartier refinou e estilizou a estética original, criando um modelo que se tornaria conhecido internamente e entre colecionadores como o 'Ovale Cintré' (Oval Curvo). Este design era ainda mais dramático, com uma curvatura mais pronunciada e uma silhueta mais alongada, refletindo a exuberância do design da época. Continuava a ser um relógio de nicho, apreciado por conhecedores que compreendiam a linguagem de design única da Cartier. A consagração definitiva chegou em 1973. No epicentro criativo da Cartier London, sob a direção de Jean-Jacques Cartier, o design foi oficialmente batizado de 'Baignoire'. O nome, que significa 'banheira' em francês, é um exemplo clássico do charme e da irreverência parisiense, atribuindo um nome mundano a um objeto de extremo luxo. Com este batismo, o Baignoire tornou-se uma coleção formal. Os modelos desta era definiram a sua estética duradoura: o bisel liso e polido em ouro, os icónicos numerais romanos que se esticam para acompanhar a curva da caixa, os ponteiros em forma de espada de aço azulado e, claro, a coroa com o cabochão de safira. O Baignoire e a sua variação ainda mais exagerada, o Baignoire Allongée, tornaram-se símbolos da elegância e da liberdade criativa dos anos 70. Ao longo dos anos, o Baignoire foi reinterpretado em vários tamanhos e materiais, mas nunca perdeu a sua identidade visual, provando que a visão original de 1912 era intemporal. O seu legado é o de um pioneiro silencioso, uma peça que cimentou o estatuto da Cartier como o mestre indiscutível da 'montre de forme'.

CURIOSIDADES

A cliente original, a Grã-Duquesa Maria Pavlovna, era uma Romanov que sobreviveu à Revolução Russa, fugindo para Paris onde fundou 'Kitmir', uma casa de bordados de alta-costura que chegou a colaborar com a Chanel. O nome 'Baignoire' (banheira) foi cunhado nos estúdios da Cartier London nos anos 70, supostamente devido à semelhança da sua forma curva com uma banheira vitoriana vista de cima. Ícones do cinema francês e do estilo europeu, como Catherine Deneuve, Romy Schneider e Jeanne Moreau, foram frequentemente fotografadas usando o Baignoire, associando-o para sempre a um ideal de chique parisiense. A variação 'Baignoire Allongée', com a sua caixa dramaticamente esticada, tornou-se um ícone da era 'Swinging London' e é altamente cobiçada por colecionadores hoje em dia. Antes de ser oficialmente nomeado, os primeiros exemplares são por vezes referidos por colecionadores simplesmente como 'Cartier Ovale', sendo considerados exemplares raríssimos da genialidade de design de Louis Cartier. O Baignoire é um dos 'sete magníficos' do design Cartier, juntamente com o Santos, Tonneau, Tortue, Tank, Pasha e Ballon Bleu, representando as formas icónicas da Maison.

Você pode gostar

Ver Mais

Marcas