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Cartier Tortue 1912: A Silhueta Visionária que Esculpiu a História da Alta Relojoaria de Forma


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Um dos pilares do design de shape watches da Cartier. Apresentou uma caixa curva inspirada no casco de uma tartaruga, desafiando a hegemonia dos relógios circulares da época. Originalmente equipado com movimentos ultra-finos fornecidos pela Jaeger-LeCoultre, o modelo consolidou a identidade estética da Maison como relojoeira de formas geométricas.

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RESUMO

Em 1912, numa era dominada pela onipresença de relógios de bolso e pelos primeiros relógios de pulso, que eram essencialmente circulares, Louis Cartier introduziu uma criação que redefiniria para sempre os contornos da relojoaria: o Tortue. Posicionado no ápice do luxo e da vanguarda, o Tortue não era um instrumento, mas uma declaração de estilo, destinado a uma clientela sofisticada que valorizava a arte e o design tanto quanto a medição do tempo. A sua filosofia de design era uma ruptura radical com a norma, inspirando-se na forma orgânica e harmoniosa do casco de uma tartaruga ('tortue' em francês). Esta caixa de formato inédito, com as suas linhas curvas e a integração perfeita da bracelete, representava a quintessência da visão de Cartier como um 'créateur de formes'. A sua importância horológica é imensa; juntamente com o Santos-Dumont e o Tonneau, o Tortue solidificou a reputação da Cartier como a mestre indiscutível dos 'shape watches'. Demonstrou que a caixa de um relógio podia ser uma tela para a expressão artística, influenciando gerações de designers e estabelecendo um pilar fundamental da identidade estética da Maison que perdura até hoje.

HISTÓRIA

O nascimento do Cartier Tortue em 1912 não foi um evento isolado, mas sim o culminar de uma filosofia de design que Louis Cartier vinha aprimorando desde o início do século. Após desafiar a convenção com a geometria retilínea do Santos-Dumont (1904) e a curvatura alongada do Tonneau (1906), Cartier procurava uma nova silhueta que fundisse força e elegância. A inspiração veio da natureza, especificamente da forma robusta e suave de uma tartaruga. Naquela época, a indústria relojoeira suíça focava-se na precisão cronométrica, muitas vezes alojando movimentos redondos em caixas igualmente redondas. Cartier, em contrapartida, priorizava a harmonia estética, concebendo a forma exterior primeiro e depois comissionando movimentos que se adaptassem à sua visão. O Tortue original era a personificação desta abordagem. A sua caixa não era meramente um contentor para o movimento; era a própria alma do relógio. As suas linhas fluídas, onde as asas tradicionais eram eliminadas em favor de uma integração orgânica da bracelete na caixa, criavam uma continuidade visual inédita e um conforto excecional no pulso. Para dar vida a esta forma exigente, Cartier recorreu à sua parceria com Edmond Jaeger através da European Watch and Clock Co. (E.W.C.), que forneceu movimentos manuais ultra-finos e de alta qualidade, perfeitamente adequados para as dimensões elegantes do Tortue. Ao longo das décadas, o Tortue evoluiu, provando a versatilidade do seu design intemporal. Em 1928, a Cartier lançou uma das suas variações mais célebres e cobiçadas: o Tortue Monopoussoir. Este cronógrafo de botão único, com um movimento de complexidade notável alojado na mesma caixa elegante, é hoje considerado um dos mais belos cronógrafos de pulso já criados e um 'graal' para colecionadores. O modelo atravessou períodos de menor destaque, mas foi triunfalmente reavivado no final do século XX, nomeadamente na aclamada 'Collection Privée Cartier Paris' (CPCP) de 1998. Estas reedições modernas, fiéis ao espírito original mas com técnicas e acabamentos contemporâneos, reintroduziram o Tortue a uma nova geração de apreciadores. O impacto do Tortue na Cartier e na relojoaria é profundo. Ele cimentou o estatuto da Maison como uma força criativa que não seguia tendências, mas que as criava. A sua existência provou que um relógio de pulso podia ser simultaneamente uma obra de arte escultural e um instrumento funcional, um legado que define a identidade da Cartier até aos dias de hoje.

CURIOSIDADES

O nome 'Tortue' é a palavra francesa para 'tartaruga', uma referência direta e poética à forma da sua caixa, que se assemelha ao casco do animal. O Tortue é considerado o terceiro pilar do design de relógios de pulso da Cartier, formando uma trilogia fundamental com o Santos-Dumont (1904) e o Tonneau (1906). A versão Monopoussoir de 1928 é uma das mais importantes e raras da história da Cartier. Um exemplar de platina de 1929 foi vendido num leilão da Phillips por mais de 250.000 CHF. Os movimentos dos primeiros modelos eram produzidos pela European Watch and Clock Co., uma empresa criada em conjunto por Cartier e Edmond Jaeger (da Jaeger-LeCoultre) para garantir que a excelência técnica acompanhasse a visão estética da Cartier. Louis Cartier priorizava o design acima de tudo, uma filosofia conhecida como 'a primazia da linha'. O Tortue é talvez o exemplo mais puro dessa abordagem, onde a forma dita a função. O mostrador dos modelos originais frequentemente apresentava um 'chemin de fer' (caminho de ferro) como escala de minutos, um detalhe de design clássico que se tornou uma assinatura da marca. Embora criado como um relógio masculino, o seu design elegante e as dimensões contidas tornaram-no popular entre as mulheres ao longo do tempo, exemplificando a natureza andrógina de muitos clássicos da Cartier.

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