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Universal Genève Grand Prix de Berne Extra-Plate: A Consagração da Elegância Ultrafina na Exposição de 1914


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Marco histórico onde a Universal apresentou seus inovadores movimentos Extra-Plate (ultrafinos) e cronógrafos de precisão na Exposição Nacional Suíça em Berna, solidificando a reputação da marca em calibres de espessura reduzida.

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RESUMO

No alvorecer da relojoaria de pulso, quando a transição dos relógios de bolso para o pulso ainda era uma novidade audaciosa, a Universal Genève (então Perret & Berthoud) apresentou uma obra-prima de engenharia e elegância: a coleção Extra-Plate, laureada com o prestigioso Grand Prix na Exposição Nacional Suíça de Berna em 1914. Este não era apenas um relógio de vestir; era uma declaração de supremacia técnica. Posicionado para uma clientela sofisticada que apreciava a discrição e a inovação, o Extra-Plate redefiniu as expectativas de um relógio de pulso masculino. A sua filosofia de design era de um minimalismo absoluto, onde a forma seguia a função de ser o mais fino possível, sem comprometer a precisão. A verdadeira beleza residia na complexidade invisível do seu calibre revolucionário. A importância histórica deste momento é imensa: solidificou a reputação da Universal Genève como uma 'manufacture' de ponta, mestre na arte dos movimentos ultrafinos, um campo altamente competitivo. Este prémio não foi apenas um troféu, mas uma chancela de excelência que a marca ostentaria com orgulho nos seus mostradores durante anos, estabelecendo as fundações para futuras lendas como o Polerouter e os complexos cronógrafos Tri-Compax. O Extra-Plate de 1914 é, portanto, o marco zero da identidade de elegância técnica da Universal Genève.

HISTÓRIA

A história do Universal Genève Extra-Plate 'Grand Prix de Berne' é menos a história de um único modelo e mais a crônica de um momento decisivo que definiu a trajetória de uma marca. Em 1914, a Europa estava à beira da Primeira Grande Guerra, mas na neutra Suíça, a indústria nacional celebrava as suas conquistas na Exposição Nacional de Berna. Para a jovem empresa Perret & Berthoud, que viria a ser a Universal Genève, esta era a oportunidade de se afirmar no palco mundial. O desafio da época era a miniaturização. Os relógios de pulso masculinos ainda eram vistos por muitos como joias femininas frágeis, e a robustez e precisão dos relógios de bolso reinavam supremas. A resposta da Universal foi dupla: apresentar o seu primeiro cronógrafo de pulso e, crucialmente, uma série de relógios equipados com movimentos 'Extra-Plate' ou ultrafinos. Esta inovação não era um mero exercício de estilo. Reduzir a espessura de um calibre manual, mantendo a sua fiabilidade e precisão, era um dos maiores desafios da micro-mecânica. Exigia um redesenho completo da arquitetura do movimento, desde o trem de engrenagens até ao tambor de corda, com tolerâncias mínimas e um acabamento manual exímio para reduzir o atrito. Os relógios que albergavam estes movimentos eram a personificação da elegância eduardiana. As suas caixas, frequentemente em ouro ou prata, abandonavam o volume dos seus antecessores de bolso, assentando no pulso com uma leveza e discrição sem precedentes. Os mostradores em esmalte 'Grand Feu', com os seus numerais delicadamente pintados e ponteiros em aço azulado, eram obras de arte em si mesmos. O júri da exposição reconheceu a magnitude desta realização, concedendo à Universal o cobiçado 'Grand Prix'. Este prémio tornou-se instantaneamente uma poderosa ferramenta de marketing. A menção 'Grand Prix Berne 1914' começou a aparecer nos mostradores, caixas e publicidade da marca, servindo como um selo de qualidade inquestionável que a distinguia dos concorrentes. Não existe uma 'geração' ou 'Mark II' deste modelo específico, pois ele representa um evento. No entanto, o seu legado é a linhagem de calibres ultrafinos que a Universal continuou a desenvolver. O espírito do Extra-Plate de 1914 vive no calibre 1-42 do famoso 'Golden Shadow' e, mais notavelmente, no revolucionário movimento de micro-rotor do Polerouter, desenhado por Gérald Genta. A vitória em Berna não foi apenas sobre um relógio fino; foi a demonstração de que a Universal Genève era uma força de inovação, capaz de combinar elegância extrema com proeza técnica, um princípio que guiaria a marca através da sua era de ouro.

CURIOSIDADES

O prémio 'Grand Prix' foi atribuído não a um único modelo, mas à coleção de calibres inovadores que a Universal apresentou, incluindo tanto os seus movimentos ultrafinos como o seu primeiro cronógrafo de pulso. A empresa ainda não operava sob o nome 'Universal Genève' em 1914. Era conhecida como Perret & Berthoud, e o sucesso em Berna foi um catalisador fundamental para a consolidação e registo da marca que conhecemos hoje. A Exposição Nacional Suíça de 1914 foi um dos últimos grandes eventos pan-europeus de celebração industrial antes do eclodir da Primeira Guerra Mundial, tornando estes relógios testemunhas de uma era de otimismo prestes a terminar. Muitos destes relógios pioneiros utilizavam 'asas de fio' (wire lugs), onde a pulseira era presa a arames finos soldados diretamente na caixa, um design transitório entre o relógio de bolso adaptado e o relógio de pulso moderno. Após a vitória, a inscrição 'Grand Prix Berne 1914' tornou-se uma marca de honra, sendo impressa em muitos mostradores da Universal Genève durante anos, mesmo em modelos que não eram ultrafinos, como um testemunho geral da qualidade da manufatura. O termo 'Extra-Plate' (francês para extraplano) era um termo técnico e de marketing crucial, colocando a Universal em competição direta com outras casas de alta relojoaria, como a Vacheron Constantin e a Jaeger-LeCoultre, na corrida pela supremacia dos relógios finos.

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