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Cartier Santos de Cartier (1978): A Revolução Bimetálica que Criou o Ícone Esportivo da Maison


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Reinterpretação do modelo de 1904 que definiu o relógio esportivo de luxo moderno da marca. Introduziu a primeira pulseira de metal integrada da Cartier, apresentando a icônica combinação de aço com parafusos de ouro (bimetal). Esta inovação comercial marcou a transição da marca para o uso de aço inoxidável em larga escala, mantendo os códigos de luxo e a estética industrial da aviação.

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RESUMO

Lançado em 1978, o Santos de Cartier foi a resposta audaciosa e visionária da Maison parisiense à convulsão que abalava a indústria relojoeira. Numa era dominada pela Crise do Quartzo e pela emergência dos relógios esportivos de luxo em aço, como o Royal Oak e o Nautilus, a Cartier, tradicionalmente um bastião da relojoaria em metais preciosos, precisava de se reinventar. Sob a liderança de Alain Dominique Perrin, a marca concebeu uma obra-prima que democratizou o luxo sem sacrificar a sua essência. O Santos de 1978 reinterpretou o design original de 1904, criado para o aviador Alberto Santos-Dumont, transformando a sua delicadeza Art Déco numa afirmação de poder e modernidade. A sua filosofia de design foi disruptiva: fundiu a robustez industrial do aço inoxidável com o toque opulento do ouro amarelo de 18k, visível nos parafusos da luneta e da pulseira. Este relógio não era para mergulhadores ou pilotos no sentido técnico, mas sim para a elite urbana emergente dos anos 80 — o 'jet set' dinâmico que exigia um relógio versátil, capaz de transitar do escritório para um evento de gala. O Santos de 1978 não só salvou a Cartier durante um período tumultuado, como também definiu a estética bimetálica da década seguinte e estabeleceu um novo pilar para a marca, provando que a elegância Cartier podia, de facto, ser forjada em aço.

HISTÓRIA

O nascimento do Santos de Cartier em 1978 não foi apenas um lançamento, foi um manifesto. Na década de 1970, a relojoaria suíça enfrentava uma crise existencial com o advento dos movimentos de quartzo, mais precisos e baratos. Simultaneamente, um novo paradigma de luxo emergia: o relógio desportivo em aço, uma categoria audaciosamente criada por Gérald Genta com o Audemars Piguet Royal Oak em 1972. A Cartier, uma joalheira por excelência, cujas criações eram sinónimo de ouro e platina, parecia mal equipada para este novo mundo. No entanto, a visão de Alain Dominique Perrin, então CEO, e do designer de relógios Guy Bove, mudou o rumo da história. Eles entenderam que a sobrevivência não estava em competir em preço, mas em redefinir o valor. O desafio era claro: como criar um Cartier que fosse moderno, acessível a um público mais vasto, mas inquestionavelmente luxuoso? A resposta foi encontrada no próprio ADN da marca. Resgataram a história do primeiro relógio de pulso masculino, o Santos-Dumont de 1904, mas injetaram-lhe uma dose de modernidade industrial e ousadia. O delicado relógio de pulso com bracelete de cabedal foi transformado numa escultura de metal. A caixa quadrada ('carrée') tornou-se mais angular e robusta. A luneta, agora proeminente e fabricada em ouro maciço, foi aparafusada diretamente à caixa, com parafusos funcionais que se tornaram o principal elemento estético, evocando os rebites da fuselagem de um avião ou a estrutura da Torre Eiffel. A inovação mais radical foi a pulseira integrada. Pela primeira vez, a Cartier oferecia uma pulseira de metal, e não era uma pulseira qualquer. Era uma continuação perfeita do design da caixa, com elos de aço escovado pontuados pelos mesmos parafusos de ouro da luneta, criando uma identidade visual instantaneamente reconhecível e inimitável. O sucesso comercial foi estrondoso. O Santos bimetálico tornou-se o relógio de eleição para uma geração que celebrava o sucesso e o estilo. Definiu a estética dos anos 80 e estabeleceu a combinação de aço e ouro como um padrão de facto na indústria. Após o sucesso inicial, a Cartier expandiu a linha com versões em aço e em ouro maciço. No final dos anos 80, o modelo evoluiu para o 'Santos Galbée', que introduziu uma curvatura mais ergonómica na caixa e na pulseira, suavizando as linhas angulares do original de 1978. No entanto, o modelo 'Carrée' original continua a ser o mais procurado pelos colecionadores, visto como a expressão mais pura desta revolução de design. O seu impacto foi profundo: provou que o luxo não reside apenas no material, mas na força do design, na herança da marca e na capacidade de capturar o espírito do seu tempo.

CURIOSIDADES

O relógio tornou-se um ícone da cultura pop ao ser usado por Michael Douglas no papel de Gordon Gekko no filme 'Wall Street' (1987), cimentando a sua imagem como o símbolo máximo do poder e da ambição financeira dos anos 80. O design dos parafusos na luneta e na pulseira foi diretamente inspirado nos parafusos visíveis na estrutura da Torre Eiffel, um monumento que Louis Cartier admirava como um triunfo da estética industrial moderna. Na comunidade de colecionadores, este modelo é frequentemente apelidado de 'Santos Carrée' (francês para 'quadrado') para o distinguir da sua evolução posterior, o mais curvilíneo 'Santos Galbée', lançado em 1987. Para combater as falsificações, que se tornaram galopantes com o sucesso do modelo, a Cartier introduziu a sua 'assinatura secreta' nos anos 70, que pode ser encontrada neste modelo: o nome 'Cartier' é microimpresso numa das pernas do numeral romano VII ou X. O lançamento oficial do relógio foi um evento extravagante realizado no Musée de l'Air et de l'Espace em Le Bourget, Paris, com a presença de celebridades e artistas como Andy Warhol, reforçando a ligação histórica do modelo com a aviação e o mundo do luxo. A combinação de aço e ouro, hoje comum, era uma escolha radical e arriscada em 1978. A Cartier foi pioneira em popularizar o visual 'two-tone', que viria a dominar a relojoaria de luxo na década seguinte. Apesar de ser um relógio de luxo, a escolha de um robusto movimento automático de origem ETA (posteriormente modificado e acabado pela Cartier) foi uma decisão pragmática que garantiu fiabilidade e a capacidade de produção em larga escala, fatores cruciais para o seu enorme sucesso comercial.

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