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Cartier Panthère de 1983: O Ícone Felino que Transformou o Relógio em Joia Suprema dos Anos 80


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Ícone da década de 80, este modelo introduziu o conceito de jewelry-watch com uma pulseira ultra flexível de pequenos elos quadrados (maillons) que mimetizam a fluidez do movimento de uma pantera. Originalmente equipado com movimentos de quartzo de alta precisão para manter o perfil ultrafino da caixa quadrada com parafusos expostos, tornou-se um pilar da estética feminina e de luxo acessível da maison.

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RESUMO

Lançado em 1983, no auge de uma era definida pela opulência e pelo 'power dressing', o Panthère de Cartier não foi apenas um relógio; foi uma declaração de estilo que fundiu magistralmente a alta joalheria com a horologia. Posicionado como o 'jewelry-watch' por excelência, o Panthère visava um público predominantemente feminino, sofisticado e audacioso, que via o tempo não apenas como uma medida, mas como um acessório de luxo. A sua filosofia de design rompeu com a rigidez dos relógios desportivos da época, focando-se na fluidez, sensualidade e conforto. A pulseira 'maillon', com os seus elos quadrados interligados que mimetizam o movimento sinuoso de uma pantera, tornou-se a sua assinatura inconfundível. Ao optar por movimentos de quartzo suíços de alta precisão, a Cartier fez uma escolha estratégica: privilegiou um perfil ultrafino e uma fiabilidade despreocupada em detrimento da complexidade mecânica, alinhando-se perfeitamente com o espírito pragmático e estético da década. A sua importância transcende a técnica; o Panthère democratizou o luxo da Cartier, tornando-se um símbolo de sucesso e elegância para uma nova geração e solidificando o conceito de que um relógio pode ser, antes de mais nada, uma joia espetacular.

HISTÓRIA

O Panthère de Cartier emergiu em 1983, um momento culturalmente vibrante onde a moda, a finança e a arte celebravam a exuberância. A indústria relojoeira, ainda a recuperar da Crise do Quartzo, via marcas como a Cartier, sob a liderança visionária de Alain Dominique Perrin, a redefinir o luxo. Em vez de competir na complexidade mecânica, Perrin focou-se no design, na imagem e no conceito do relógio como um objeto de desejo. O Panthère foi a personificação desta estratégia. Embora partilhasse elementos de design com o seu antecessor mais masculino, o Santos de Cartier (1904) — nomeadamente a caixa quadrada e os parafusos na luneta —, a sua execução era radicalmente diferente. O Panthère suavizou as linhas, poliu as superfícies e, mais crucialmente, introduziu uma pulseira que era uma obra de arte em si mesma. A pulseira 'maillon', com a sua articulação felina, não era apenas um meio de prender o relógio ao pulso; era a sua alma, oferecendo um conforto e uma fluidez sem precedentes que o transformavam numa segunda pele. O nome do relógio é uma homenagem direta a Jeanne Toussaint, a lendária diretora criativa da Cartier de 1933 a 1970, apelidada de 'La Panthère' pela sua personalidade forte e pela sua paixão pelo motivo do felino, que ela imortalizou na alta joalheria da maison. O relógio foi, portanto, a destilação horológica de um dos símbolos mais potentes da Cartier. Durante a sua produção inicial, que durou até ao início dos anos 2000, o design do Panthère permaneceu notavelmente consistente, uma prova da sua perfeição estética. As variações centravam-se nos materiais — desde o acessível aço até ao opulento ouro amarelo e o popularíssimo bicolor, que capturou o espírito dos anos 80 — e numa miríade de versões com diamantes e pedras preciosas, solidificando o seu estatuto de joia. Referências em aço e ouro, como a ref. 1120 ou a ref. 187957, tornaram-se particularmente icónicas. A sua descontinuação em 2004 deixou um vazio no mercado e fez com que os modelos vintage se tornassem altamente cobiçados, com a sua popularidade a crescer de forma constante. Reconhecendo o seu estatuto de ícone intemporal, a Cartier relançou o Panthère em 2017, com alterações mínimas. O novo modelo manteve a estética original quase intocada, introduzindo apenas melhorias técnicas subtis, como uma construção de pulseira aprimorada e maior resistência à água, validando o design original como uma obra-prima perene. O impacto do Panthère foi imenso: provou que um relógio a quartzo podia ser um objeto de luxo absoluto, influenciou o design de relógios-joia por décadas e consolidou a Cartier como uma força dominante na relojoaria feminina, criando um legado de elegância selvagem que continua a cativar colecionadores e entusiastas da moda em todo o mundo.

CURIOSIDADES

O nome 'Panthère' é uma homenagem a Jeanne Toussaint, a icónica diretora criativa da Cartier, cujo apelido era 'La Panthère'. Famosamente usado por um leque eclético de celebridades, incluindo ícones da pop como Madonna e Grace Jones nos anos 80, e, surpreendentemente, pela lenda do rock Keith Richards, que provou a sua versatilidade unissexo. A pulseira 'maillon Panthère' foi uma proeza de engenharia, desenhada para se mover e sentir como um tecido precioso no pulso, uma fluidez que se tornou a sua caraterística mais distintiva. As campanhas publicitárias originais do Panthère nos anos 80 eram lendárias pela sua audácia e sensualidade, frequentemente utilizando o slogan 'Le must de Cartier' e imagens que evocavam poder e luxo felino. Após ter sido descontinuado em 2004, a procura no mercado vintage disparou, tornando-o um clássico de culto. O seu regresso triunfal em 2017 foi um dos maiores eventos da indústria relojoeira desse ano. O Panthère foi usado por Pierce Brosnan na série de TV 'Remington Steele' antes de ele se tornar James Bond, cimentando o seu estatuto como um acessório de poder e sofisticação da década de 80.

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