Logo Time66
Foto do Perfil

Confira as vantagens do Assinante!

Ver Assinatura

Universal Genève Auto-Rem (1925): O Visionário Mecanismo que Ensinou o Relógio de Pulso a Dar Corda a Si Mesmo


Compartilhar postagem:

Patente de um dos primeiros sistemas de corda automática para relógios de pulso. Utilizava um mecanismo oscilante acionado pela abertura e fechamento da caixa (sistema shuttle), equipado com o Calibre 15 de 15 rubis.

Avaliar
Últimos comentários


RESUMO

Nos anais da relojoaria, poucas inovações são tão fundamentais quanto o desenvolvimento do mecanismo de corda automática. Em 1925, num período de efervescência criativa, a Universal Genève (então conhecida como Perret & Berthoud) patenteou o Auto-Rem, um sistema que se posiciona como um dos verdadeiros pioneiros desta tecnologia. Longe de ser um relógio de produção em massa, o Auto-Rem era uma prova de conceito, uma declaração de proeza técnica destinada a um público de vanguarda, fascinado pela promessa de um relógio que dispensaria a corda manual diária. A sua filosofia de design não era ditada pela estética, mas pela função pura: o próprio movimento da caixa, ao abrir e fechar, acionava um sistema de alavancas que alimentava a mola principal. Esta solução engenhosa, embora mecanicamente complexa, representa um capítulo crucial e muitas vezes esquecido na história do relógio automático. A sua importância não reside no sucesso comercial, que foi limitado, mas no seu testemunho do espírito inovador da Universal Genève. O Auto-Rem demonstrou ao mundo que a marca era uma força a ser reconhecida na vanguarda da engenharia horológica, estabelecendo as bases para décadas de excelência técnica que culminariam em ícones como o Polerouter e o Tri-Compax.

HISTÓRIA

A década de 1920 representou um ponto de inflexão para a relojoaria. O relógio de pulso, solidificado como uma ferramenta indispensável pela sua utilização na Primeira Guerra Mundial, estava em plena transição de um adorno feminino para um acessório masculino essencial. No entanto, persistia uma inconveniência fundamental: a necessidade de dar corda diariamente. Este desafio desencadeou uma verdadeira corrida tecnológica entre as principais manufaturas para desenvolver um sistema de corda automática viável e fiável. Foi neste cenário competitivo que a Universal Genève, sob o seu nome original Perret & Berthoud, entrou em cena. Em 1925, a empresa registou a patente do sistema 'Auto-Rem', uma das primeiras e mais engenhosas soluções para o problema. A sua abordagem era radicalmente diferente da do seu contemporâneo mais famoso, o sistema 'bumper' de John Harwood (patenteado em 1924). Enquanto Harwood utilizava uma massa oscilante que batia contra duas molas, a Universal Genève concebeu um mecanismo integrado na própria estrutura da caixa. O Auto-Rem utilizava uma caixa articulada, onde o movimento de abertura e fecho, ou mesmo a oscilação natural durante o uso que pressionava a caixa contra as suas molas, acionava uma pequena alavanca. Esta alavanca, por sua vez, engrenava com a roda de roquete para enrolar gradualmente a mola principal. O coração deste sistema era uma adaptação do robusto Calibre 15 de corda manual, ao qual foi adicionado este módulo de carregamento externo. Não foi um modelo com 'gerações' ou 'evoluções' no sentido moderno. O Auto-Rem foi um conceito brilhante, mas um beco sem saída tecnológico. A sua complexidade e a eficiência inferior em comparação com os sistemas de rotor que se seguiriam (especialmente o rotor 'Perpetual' da Rolex de 1931) fizeram com que a sua produção fosse extremamente limitada, restrita a protótipos e a um pequeno número de peças vendidas. O seu verdadeiro legado não está nos números de produção, mas na sua existência como prova irrefutável da cultura de inovação da Universal Genève. Demonstrou que, desde os seus primórdios, a marca não se contentava em seguir tendências, mas em criá-las. Para os colecionadores, o Auto-Rem não é apenas um relógio antigo; é um artefacto histórico, um testemunho tangível de um momento em que os limites da micro-mecânica foram ousadamente desafiados, estabelecendo a reputação da Universal Genève como uma verdadeira 'manufacture' de vanguarda.

CURIOSIDADES

O nome 'Auto-Rem' é um portmanteau das palavras francesas 'Automatique' e 'Remontage' (corda). A patente foi registada em nome de Perret & Berthoud, o nome original da empresa antes de adotar a marca Universal Genève, o que o torna uma peça chave da sua herança inicial. Ao contrário dos sistemas 'bumper' que usavam uma massa oscilante interna, o Auto-Rem utilizava a própria caixa do relógio como um componente ativo do mecanismo de corda, uma solução mecânica única na história da relojoaria. Exemplares sobreviventes do Auto-Rem são de uma raridade extrema, considerados peças 'graal' para colecionadores avançados da marca e da história dos relógios automáticos, raramente aparecendo em leilões públicos. Este sistema antecede em seis anos a célebre patente do rotor 'Perpetual' da Rolex, colocando a Universal Genève no panteão dos pioneiros da corda automática, ao lado de John Harwood. A complexidade e a menor eficiência passiva do sistema levaram a que a própria Universal Genève o abandonasse em favor de movimentos 'bumper' mais convencionais na década seguinte, antes de desenvolver os seus próprios e famosos micro-rotores. O Calibre 15, base para o Auto-Rem, era um movimento de corda manual respeitado pela sua fiabilidade, o que demonstra a abordagem da UG de construir inovação sobre uma base técnica sólida.

Você pode gostar

Ver Mais

Marcas