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Blancpain Flying Tourbillon Ref. 0023 (1989): O Primeiro Turbilhão Voador de Pulso e a Obra-Prima do Renascimento Mecânico


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Introduziu o primeiro turbilhão voador de pulso do mundo e o turbilhão de corda manual mais fino da época. Impulsionado pelo calibre manual 23, com 8 dias de reserva de marcha, foi uma peça-chave no renascimento da relojoaria mecânica da Blancpain e destacou a inovação na construção do turbilhão sem ponte superior.

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RESUMO

O Blancpain Flying Tourbillon Ref. 0023, lançado em 1989, não é apenas um relógio; é um manifesto horológico que desafiou a hegemonia do quartzo no final do século XX. Num momento em que a indústria suíça ainda vacilava, a Blancpain, sob a liderança visionária de Jean-Claude Biver e a mestria técnica de Jacques Piguet, apresentou ao mundo o primeiro turbilhão voador jamais encapsulado numa caixa de relógio de pulso. Diferente dos turbilhões tradicionais, que exigem uma ponte superior para estabilizar a gaiola rotativa, o Calibre 23 deste modelo suspendeu o mecanismo apenas pela base, oferecendo uma visão desobstruída e hipnotizante do coração pulsante do relógio. Além da inovação estética e arquitetônica, esta peça estabeleceu um recorde mundial como o turbilhão de corda manual mais fino da época, mantendo, surpreendentemente, uma reserva de marcha robusta de 8 dias. Este modelo foi uma das 'Seis Obras-Primas' da Blancpain, uma estratégia que provou que a alta relojoaria mecânica não era uma relíquia do passado, mas a forma suprema de arte luxuosa. O Ref. 0023 representa a fusão perfeita entre a tradição inventada por Breguet e a inovação moderna de miniaturização, solidificando o status da Blancpain como uma manufatura de elite.

HISTÓRIA

A história do Blancpain Flying Tourbillon Ref. 0023 é indissociável da ressurreição da própria marca e, por extensão, da alta relojoaria mecânica após a devastadora 'Crise do Quartzo'. No início da década de 1980, Jean-Claude Biver e Jacques Piguet adquiriram o nome Blancpain, que estava adormecido, com uma premissa audaciosa: 'Desde 1735, nunca houve um relógio de quartzo Blancpain. E nunca haverá'. Para sustentar tal afirmação, a marca precisava demonstrar competência técnica inigualável. O plano culminou na criação das 'Seis Obras-Primas' da arte relojoeira, sendo o Turbilhão o pináculo da complexidade e do prestígio. Até 1989, o turbilhão era uma complicação vista quase exclusivamente em relógios de bolso e, quando adaptada para pulso, utilizava uma ponte superior robusta que obstruía a visão do mecanismo. O desafio técnico de criar um 'turbilhão voador' (inventado por Alfred Helwig em 1920 para relógios de escola e cronômetros de marinha) num relógio de pulso ultra-fino era imenso. A falta da ponte superior exigia uma rigidez estrutural e um equilíbrio de componentes microscópicos que poucos relojoeiros ousavam tentar. Para esta tarefa hercúlea, a Blancpain contou com a genialidade do mestre relojoeiro Vincent Calabrese. O resultado foi o Calibre 23. Calabrese e a equipe da Blancpain conseguiram não apenas eliminar a ponte superior, criando a ilusão de que o mecanismo flutuava no vazio, mas também integraram uma reserva de marcha colossal de 8 dias. Isso foi alcançado apesar da extrema fineza do movimento, o que o tornou o turbilhão manual mais plano do mundo naquele momento. O lançamento do Ref. 0023 em 1989 chocou o mundo da relojoaria. Ele provou que a complexidade mecânica podia ser miniaturizada sem sacrificar a elegância estética ou a funcionalidade. O posicionamento do turbilhão às 12 horas, com submostradores de data e reserva de marcha equilibrando o design, tornou-se um ícone visual. Este modelo não apenas validou a estratégia de Biver, mas também redefiniu o que um relógio de luxo deveria ser: uma máquina cinética de arte, complexidade e história. O Ref. 0023 permanece, até hoje, como o marco zero para a popularização dos turbilhões voadores na relojoaria de pulso contemporânea.

CURIOSIDADES

1. O Calibre 23 foi desenvolvido em estreita colaboração com o lendário relojoeiro independente Vincent Calabrese, famoso por seus movimentos 'flutuantes' e criador da academia AHCI. 2. Este foi o primeiro turbilhão voador do mundo a ser comercializado num relógio de pulso; até então, a tecnologia 'voadora' (cantilevered) estava restrita a cronômetros de grande porte. 3. Apesar de sua complexidade e da gaiola rotativa que consome muita energia, o relógio ostentava uma impressionante reserva de marcha de 8 dias, algo raríssimo para turbilhões da época. 4. O tamanho da caixa de 34mm, considerado pequeno para os padrões atuais, representava a elegância clássica absoluta de 1989 e tornava a miniaturização do movimento ainda mais impressionante. 5. O modelo fazia parte do famoso conjunto das 'Seis Obras-Primas' (Six Masterpieces) da Blancpain, que incluía também o Ultra-Fino, Fase da Lua, Calendário Perpétuo, Cronógrafo Split-Seconds e Repetição de Minutos. 6. A ausência da ponte superior no turbilhão exigiu o uso de rolamentos de esferas cerâmicas ou rubis de precisão extrema na base para garantir que a gaiola não oscilasse com o movimento do braço. 7. O Ref. 0023 é frequentemente creditado por iniciar a 'loucura dos turbilhões' dos anos 90 e 2000, transformando uma complicação funcional de precisão em um espetáculo visual de luxo.

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