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Hamilton e o Micro-Rotor de Buren: A Patente de 1954 que Redefiniu a Elegância dos Relógios Automáticos


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Ano da patente original (Buren Patent US2913870A). Esta invenção técnica, posteriormente integrada ao DNA da Hamilton após a aquisição da Buren, permitiu embutir o rotor no mesmo plano do movimento, possibilitando a criação de relógios automáticos ultrafinos.

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RESUMO

A história do micro-rotor da Hamilton é, na sua génese, a história de uma inovação revolucionária da Buren Watch Company, posteriormente absorvida no ADN da Hamilton. A patente de 1954 para o rotor planetário, ou micro-rotor, representou um marco na relojoaria do pós-guerra, uma solução engenhosa para o desafio que definia os relógios automáticos da época: a espessura. Ao integrar a massa oscilante no mesmo plano que o resto dos componentes do movimento, em vez de a sobrepor, a Buren conseguiu criar calibres automáticos excecionalmente finos. Esta inovação não era meramente técnica; era uma declaração de design. Permitiu a criação de relógios de gala automáticos com uma elegância e um perfil esguio que antes eram exclusivos dos modelos de corda manual. O público-alvo era o cavalheiro moderno que desejava a conveniência de um relógio automático sem sacrificar a sofisticação de uma caixa fina que deslizava discretamente sob o punho da camisa. Quando a Hamilton adquiriu a Buren em 1966, não estava apenas a comprar uma fábrica, mas a herdar uma das invenções mais significativas do século XX. Esta tecnologia tornou-se a espinha dorsal da aclamada linha 'Thin-o-matic' da Hamilton, consolidando a sua reputação como uma marca que fundia o design americano com a precisão e a inovação da engenharia suíça.

HISTÓRIA

No início da década de 1950, a corrida pela supremacia nos relógios automáticos estava no seu auge. Embora o conceito de corda automática existisse há décadas, a maioria dos designs dependia de um grande rotor central montado sobre a platina do movimento, resultando em relógios consideravelmente espessos. Para os padrões de elegância da época, isto representava um compromisso. Foi neste contexto que a Buren Watch Company, uma respeitada manufatura suíça, encarregou o seu diretor técnico, Hans Kocher, de encontrar uma solução. A visão era clara: criar um relógio automático com a finura de um de corda manual. O resultado, patenteado em 1954 (patente US2913870A, concedida em 1959), foi o micro-rotor. Em vez de uma massa oscilante que cobria todo o movimento, a invenção de Kocher consistia num rotor pequeno e denso, tipicamente feito de um metal pesado como o tungsténio, embutido no mesmo plano que a ponte do tambor e a ponte do balanço. Este 'rotor planetário', como foi apelidado, estava ligado a um sistema de engrenagens reversoras que permitia dar corda de forma eficiente em ambas as direções. O primeiro movimento a incorporar esta tecnologia foi o Calibre 1000 'Intramatic', lançado em 1957. Foi uma sensação. A Buren travou uma famosa 'batalha de patentes' com a Universal Genève, que lançou o seu próprio calibre com micro-rotor, o Cal. 215 (usado no icónico Polerouter de Gérald Genta), em 1955. Embora a Universal Genève tenha sido mais rápida a chegar ao mercado, a patente da Buren foi depositada anteriormente, garantindo o seu lugar na história como a pioneira conceptual. A trajetória desta inovação mudou para sempre em 1966, quando a Hamilton Watch Company adquiriu a Buren como parte da sua estratégia para criar uma potência relojoeira suíço-americana. A Hamilton reconheceu imediatamente o potencial comercial do micro-rotor. Adotou a tecnologia e lançou a linha 'Thin-o-matic', que se tornou um sucesso estrondoso, especialmente no mercado americano. Estes relógios personificavam a promessa da marca: estilo sofisticado, conveniência moderna e um preço acessível. O micro-rotor da Buren não apenas definiu uma era de relógios de gala automáticos, mas também se tornou um pilar fundamental da identidade da Hamilton na segunda metade do século XX, demonstrando como a aquisição estratégica de tecnologia de ponta pode transformar e elevar o legado de uma marca.

CURIOSIDADES

Apesar de a Universal Genève ter lançado o seu relógio Polerouter com micro-rotor primeiro em 1955, a patente da Buren foi depositada um ano antes, em 1954, o que gera um debate eterno entre colecionadores sobre quem foi o verdadeiro inventor. O design da Buren era conhecido como 'Rotor Planetário' devido ao engenhoso trem de engrenagens que transferia a energia do pequeno rotor para a mola principal, considerado por muitos engenheiros mais robusto do que os sistemas concorrentes. A aquisição da Buren pela Hamilton em 1966 foi um dos primeiros exemplos de consolidação na indústria relojoeira suíça, um precursor dos grandes conglomerados como o Swatch Group e a Richemont. O nome 'Thin-o-matic' foi um golpe de mestre do marketing da Hamilton, comunicando de forma clara e memorável o principal benefício do relógio: a sua espessura fina aliada à conveniência automática. A tecnologia do micro-rotor da Buren tornou-se tão influente que formou a base para o lendário movimento cronográfico Calibre 11 'Chronomatic'. Neste movimento, o módulo do cronógrafo foi acoplado a uma base de tempo com micro-rotor da Buren, uma solução usada em relógios icónicos como o Heuer Monaco e o Breitling Navitimer. A patente original, US2913870A, é um documento reverenciado por historiadores e um ponto de referência crucial para verificar a proveniência e a importância técnica dos primeiros movimentos com micro-rotor.

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