RESUMO
O Hamilton Everest de 1958 não é apenas um relógio; é uma declaração de vanguarda encapsulada em ouro, um artefacto da Era Espacial que se usa no pulso. Lançado um ano após a estreia do revolucionário movimento elétrico da Hamilton, o Everest posicionou-se como uma peça de design audacioso, destinada a um público que via o futuro não como uma possibilidade distante, mas como um estilo de vida iminente. Desenhado pelo lendário designer industrial Richard Arbib, famoso pelas suas criações automobilísticas futuristas, o Everest abandonou a simetria tradicional em favor de uma forma dinâmica e angular que evocava velocidade, tecnologia e otimismo. A sua filosofia de design era disruptiva, transformando um instrumento de medição do tempo numa peça de arte cinética. A sua importância horológica é imensa: representa o auge da inovação americana antes da crise do quartzo, incorporando o primeiro movimento de relógio a bateria do mundo, o Calibre 500. Mais do que um relógio de luxo ou uma ferramenta, o Everest era um símbolo de status para o homem moderno dos anos 50, um testemunho do seu gosto sofisticado e da sua crença no progresso tecnológico. É uma peça fundamental na história do design do século XX e um ícone cobiçado que representa um momento fugaz em que a relojoaria mecânica e a eletrónica colidiram de forma espetacular.
HISTÓRIA
A história do Hamilton Everest está intrinsecamente ligada a um momento de fervoroso otimismo e inovação na América do pós-guerra. Na década de 1950, o design era dominado pela estética da Era Atómica e da Corrida Espacial, com formas aerodinâmicas e futuristas a influenciarem tudo, desde carros a eletrodomésticos. Foi neste cenário que a Hamilton Watch Company, após uma década de desenvolvimento secreto no 'Projeto X', chocou o mundo em 3 de janeiro de 1957 com o lançamento do primeiro relógio a bateria da história. O Hamilton Electric era uma maravilha tecnológica, e para vestir esta inovação, a marca recorreu a um visionário: Richard Arbib. Arbib, cuja fama provinha do seu trabalho radical no design de automóveis para a General Motors e a Hudson, aplicou a sua filosofia de 'forma livre' aos relógios, resultando em caixas assimétricas que pareciam ter sido esculpidas pelo vento.
O Everest foi introduzido em 1958, fazendo parte da segunda vaga de modelos elétricos que se seguiram ao icónico Ventura. Se o Ventura era um escudo triangular, o Everest era uma asa delta, uma forma trapezoidal dinâmica com uma 'barbatana' pronunciada que se estendia para além da ansa inferior direita, criando um desequilíbrio visual deliberado e cativante. Esta não era uma evolução de um modelo anterior; era uma criação pura, nascida da imaginação de Arbib e da proeza técnica da Hamilton. O coração do relógio era o Calibre 500, um movimento pioneiro mas notoriamente temperamental. O seu sistema de contato elétrico era delicado e propenso a falhas, o que levou a Hamilton a introduzir rapidamente versões melhoradas como o 500A e, finalmente, o muito mais robusto e fiável Calibre 505 em 1961. Consequentemente, muitos Everests originais foram posteriormente reparados com o movimento 505.
A produção do Everest foi relativamente curta, durando aproximadamente de 1958 a 1961, tornando-o significativamente mais raro do que o seu irmão mais famoso, o Ventura. Não houve gerações ou 'Marks' distintos no sentido moderno; as principais variações que os colecionadores procuram são a cor do mostrador (o preto é mais cobiçado que o prateado) e o material da caixa (a versão em ouro branco é excecionalmente rara em comparação com o padrão de ouro amarelo). O impacto do Everest e de toda a linha Hamilton Electric foi profundo. Embora a era dos movimentos eletromecânicos tenha sido breve, esmagada pela chegada do quartzo no final da década de 60, o seu legado no design é indelével. O Everest cimentou a ideia de que um relógio podia ser uma expressão de arte e de futurismo, libertando o design de relógios das suas amarras redondas e simétricas. Hoje, o Hamilton Everest é um testemunho de um tempo audacioso, uma peça de coleção essencial que captura a essência de um futuro que já foi.
CURIOSIDADES
O designer do Everest, Richard Arbib, era primariamente um aclamado designer de automóveis, responsável por modelos icónicos como o Hudson Hornet e o conceito 'Astra-Gnome' para a American Motors.
O slogan da Hamilton para toda a sua linha elétrica era audacioso e inesquecível: 'A primeira melhoria fundamental na medição do tempo em 477 anos'.
O nome 'Everest' não tem qualquer ligação com a montanha, ao contrário do Rolex Explorer. Foi escolhido para evocar um sentimento de pináculo, de conquista e modernidade, em linha com outros nomes futuristas da coleção como Ventura, Pacer e Meteor.
Encontrar um Everest com o seu Calibre 500 original e em pleno funcionamento é extremamente raro. Devido à fragilidade do movimento inicial, a maioria foi convertida para o Calibre 505, mais fiável, ou, em casos mais recentes, para movimentos de quartzo.
Apesar de Elvis Presley ser o embaixador mais famoso dos Hamilton Elétricos, estando para sempre associado ao Ventura, toda a linha, incluindo o Everest, beneficia dessa aura de 'rock and roll' e rebeldia de meados do século.
O Everest, juntamente com o Ventura e o Pacer, é considerado parte da 'Santíssima Trindade' dos designs assimétricos de Richard Arbib para a Hamilton, sendo os mais procurados por colecionadores de design e horologia.
As versões com caixa banhada a ouro branco 10k são exponencialmente mais raras do que as de ouro amarelo, e os exemplares com mostrador preto original são particularmente valorizados no mercado de colecionismo.