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A Mecânica da Transparência: Andreas Strehler Calibre Papillon Classic e a Revolução da Engrenagem de Safira (2008)


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Primeiro movimento de pulso da manufatura. Arquitetura aberta com ponte em forma de borboleta. Dois barriletes de mola principal em série. Frequência de 2.5Hz (18.000 vph), 19 rubis, reserva de marcha de 78 horas. Mostrador misterioso de horas e minutos acionado por duas grandes rodas de safira.

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RESUMO

- Tipo de Calibre: Mecânico de Corda Manual (Manufatura In-house). - Dimensões do Movimento: 32.0 x 30.0 mm (Forma Tonneau/Retangular adaptada). - Frequência: 2.5 Hz / 18.000 vibrações por hora. - Reserva de Marcha: 78 horas (Garantida por duplo barrilete em série). - Número de Rubis: 19. - Sistema de Balanço: Balanço de inércia variável com espiral Breguet overcoil. - Complicações: Horas e Minutos Misteriosos (via rodas de safira), Indicação de reserva de marcha (movimento reverso/lateral). - Arquitetura: Ponte central esqueletizada 'Papillon', Trem de engrenagens exposto. - Materiais Específicos: Rodas de engrenagem em Safira, Aço, Latão banhado. - Acabamento: Anglage manual profundo, Polimento Negro, Jateamento, Bordas estiradas, Côtes de Genève circulares ou texturização granular (dependendo da versão).

HISTÓRIA

O Calibre Papillon Classic, introduzido por Andreas Strehler em 2008, representa um marco fundamental na relojoaria independente contemporânea e estabeleceu a linguagem de design definitiva para a manufatura de Sirnach. Andreas Strehler, um membro venerado da AHCI (Académie Horlogère des Créateurs Indépendants) e ex-prototipista chefe da Renaud & Papi, concebeu este movimento não apenas como um motor de medição do tempo, mas como uma escultura cinética onde o mecanismo é, simultaneamente, o mostrador. Historicamente, o Papillon surgiu após o sucesso crítico de Strehler com o 'Opus 7' da Harry Winston e seu relógio de bolso 'The Two', adaptando conceitos de complexidade arquitetônica para o formato de pulso. A característica definidora deste calibre é a sua arquitetura aberta e simétrica, dominada pela ponte central em forma de 'Papillon' (borboleta). Esta ponte não é um mero adorno estético; ela serve como o suporte estrutural vital para o trem de engrenagens central. No entanto, a verdadeira inovação técnica reside no seu sistema de exibição 'misterioso'. Diferente dos relógios misteriosos tradicionais que usam discos de safira para segurar ponteiros, Strehler utilizou a própria engrenagem como elemento de exibição. O movimento emprega duas grandes rodas dentadas de safira transparente – uma para as horas e outra para os minutos – que são acionadas por pinhões ocultos. A fabricação destas rodas requer uma precisão nanométrica, pois a safira, sendo extremamente dura e frágil, não permite erros na tailha dos dentes, sob risco de fratura ou desgaste prematuro do trem de rodagem metálico adjacente. Do ponto de vista da cronometria e gestão de energia, o movimento utiliza dois barriletes de mola principal dispostos em série. Esta configuração, preferida por Strehler em detrimento da disposição em paralelo, visa não duplicar o torque, mas sim estender a reserva de marcha e, crucialmente, aplanar a curva de torque (Lei de Hooke), garantindo uma amplitude mais constante no balanço ao longo das 78 horas de autonomia. A frequência de 2.5 Hz (18.000 vph) foi uma escolha deliberada de engenharia tradicionalista; um oscilador de baixa frequência permite um balanço de maior diâmetro e inércia, proporcionando um espetáculo visual mais gratificante e uma estabilidade de marcha robusta, reminiscente dos cronômetros de marinha. Outro detalhe técnico de suprema elegância é o mecanismo de remontagem. Strehler incorporou engrenagens cônicas reais (bevel gears) no sistema de corda e ajuste, uma raridade na relojoaria devido à complexidade de usinagem e polimento dos dentes em ângulo. Isso resulta em uma transmissão de força perpendicular suave e durável, eliminando a necessidade de molas de tensão excessiva e proporcionando uma sensação tátil superior ao usuário. O acabamento do calibre segue os rigorosos padrões da Haute Horlogerie suíça, com anglage (chanfradura) executado manualmente em componentes de arquitetura complexa, polimento negro (black polish) em parafusos e superfícies de aço, e um tratamento estético que enfatiza a profundidade e a tridimensionalidade. O Papillon Classic não é apenas um movimento; é o manifesto técnico de Strehler sobre a desconstrução do mostrador em favor da honestidade mecânica.

CURIOSIDADES

1. As duas grandes rodas transparentes que indicam o tempo possuem 126 dentes (minutos) e 144 dentes (horas) usinados diretamente em cristal de safira sólido. 2. Andreas Strehler desenhou, construiu e programou suas próprias máquinas CNC para conseguir cortar os componentes complexos deste movimento. 3. O uso de engrenagens cônicas (bevel gears) no sistema de corda é uma assinatura técnica de Strehler, inspirada em antigas brocas manuais e na mecânica automotiva, raríssima em relógios de pulso. 4. A frequência de 18.000 vph foi escolhida especificamente para que o 'batimento cardíaco' do relógio fosse visível e auditivamente distinto, evocando relógios de bolso clássicos. 5. O movimento contém um micro-diferencial oculto para gerenciar a energia dos dois barriletes em série. 6. Apesar da aparência delicada da safira, o sistema de transmissão foi projetado para ser à prova de choques, com os dentes de safira apresentando um perfil especial para minimizar o atrito. 7. A ponte 'Papillon' (Borboleta) tornou-se tão icônica que definiu o logotipo e a identidade visual da marca Andreas Strehler nos anos seguintes.

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