RESUMO
Lançado em 1968, o Certina DS-2 representou o apogeu da engenharia de "instrumentos de pulso" da manufatura suíça Kurth Frères. Sucendendo o revolucionário modelo DS (Double Security) de 1959, o DS-2 não foi apenas uma atualização estética, mas uma fortificação técnica completa que definiu os padrões de robustez para a relojoaria desportiva da era. Este modelo é o marco zero para a adoção massiva do icónico logótipo da "Tartaruga" em relevo no fundo da caixa, um símbolo que comunica instantaneamente longevidade, impenetrábilidade e resistência à água.
No coração desta peça encontra-se o venerado Calibre 25-651, amplamente considerado pelos horologistas como um dos movimentos automáticos mais robustos e fiáveis alguma vez produzidos na Suíça antes da crise do quartzo. A arquitetura do DS-2 distinguia-se pelo seu sistema de montagem do movimento, que "flutuava" dentro da caixa protegido por um anel elástico de borracha sintética melhorado, isolando o mecanismo de choques verticais e horizontais de forma superior ao seu antecessor. Com uma estética de caixa "tonneau" que antecipava as tendências dos anos 70 e uma construção capaz de suportar pressões extremas, o DS-2 de 1968 transcendeu a categoria de acessório para se tornar uma ferramenta essencial em expedições científicas e desportivas, consolidando a reputação da Certina como a escolha dos aventureiros exigentes.
HISTÓRIA
A história do Certina DS-2 é inseparável da filosofia de engenharia da família Kurth, fundadores da Certina, que em meados do século XX procuravam resolver o maior inimigo dos relógios mecânicos: o choque físico. Em 1959, a marca lançou o conceito DS (Double Security), que suspendia todo o movimento dentro da caixa através de um anel elástico, funcionando como um amortecedor de automóvel para o balanço do relógio. O sucesso foi imediato, mas em 1968, a Certina decidiu que era hora de evoluir.
O lançamento do DS-2 em 1968 marcou a maturação tecnológica da marca. Enquanto o DS original provou o conceito, o DS-2 aperfeiçoou-o. A caixa tornou-se mais volumosa e complexa, adotando as linhas "C-shape" ou tonneau que se tornariam a assinatura visual do final dos anos 60. A engenharia interna foi reforçada: o anel de choque sintético foi redesenhado para maior durabilidade e a fixação do movimento foi tornada mais rígida através de parafusos de fixação mais longos que atravessavam o anel elástico, garantindo que o mostrador nunca tocasse no vidro, mesmo sob impacto severo.
Contudo, o verdadeiro coração do DS-2 de 1968 era o Calibre 25-651. Este movimento "in-house" é hoje venerado por relojoeiros pela sua construção "over-engineered". Numa era anterior à automação total e ao corte de custos, a Certina produzia componentes com tolerâncias mínimas e materiais de alta densidade, resultando numa fiabilidade cronométrica que rivalizava com marcas de preço muito superior, como a Rolex ou a Omega.
Foi com o DS-2 que a Certina solidificou a sua identidade visual com o fundo da caixa gravado com uma tartaruga. A escolha deste animal não foi aleatória; a carapaça da tartaruga representava a caixa de aço robusta do DS-2, enquanto a sua natureza anfíbia aludia à estanqueidade superior do relógio. Antes de 1968, a tartaruga aparecia esporadicamente ou em materiais promocionais, mas com o DS-2, tornou-se o selo de garantia padrão, esculpido em relevo profundo no aço.
O relógio foi submetido a testes brutais, não apenas em laboratório, mas no mundo real. O DS-2 acompanhou mergulhadores da Marinha dos EUA e cientistas da NASA nos projetos Tektite, habitats subaquáticos onde os relógios foram expostos a ambientes de saturação e alta pressão por semanas. A sua performance nestas condições cimentou o DS-2 não como uma peça de joalharia, mas como um instrumento de sobrevivência, criando um legado que perdura até às reedições modernas da marca.
CURIOSIDADES
1. O projeto Tektite: O DS-2 foi utilizado oficialmente durante as experiências subaquáticas Tektite I (1969) e Tektite II (1970) nas Ilhas Virgens, onde cientistas viveram submersos durante meses, comprovando a resistência do relógio em ambientes de saturação.
2. A Variação de Rubis: O Calibre 25-651 pode ser encontrado em versões de 27 ou 28 rubis; a versão de 28 rubis é tecnicamente idêntica mas frequentemente associada a mercados de exportação específicos ou lotes posteriores.
3. O Anel Amarelo: Ao abrir um DS-2 vintage, é comum ver um anel de borracha amarela endurecida. Este é o famoso componente de absorção de choque. Em muitos exemplares não restaurados, este anel pode ter-se deteriorado, mas é a assinatura da tecnologia DS.
4. Expedição Himalaia: Em 1970, uma expedição japonesa ao Monte Everest utilizou relógios Certina DS-2, onde estes resistiram a mudanças drásticas de temperatura e altitude sem falhas mecânicas.
5. Diversidade de Mostradores: Existem mais de 15 variações conhecidas de mostrador para o DS-2 de 1968, variando desde o prateado clássico até cores exóticas como azul turquesa, borgonha e mostradores com textura de 'poeira de estrelas'.
6. O 'Chronolympic': A base do DS-2 foi tão bem sucedida que serviu de plataforma para a linha de cronógrafos 'Chronolympic', utilizada em Jogos Olímpicos e eventos de desportos motorizados.
7. A Tartaruga Variável: Nos primeiros modelos de transição de 1968, o fundo da caixa por vezes apresentava a tartaruga num fundo liso, enquanto versões posteriores apresentavam o fundo texturizado com 'ondas', tornando os primeiros modelos particularmente colecionáveis.