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Universal Genève Polerouter Electric: A Ponte Eletromecânica de Gérald Genta para a Era Pré-Quartzo


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Evolução da linha Polerouter incorporando o movimento elétrico (desenvolvido com a Lip), marcando a entrada da marca na era pré-quartzo.

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RESUMO

Lançado em 1963, o Universal Genève Polerouter Electric representa um capítulo fascinante e ousado na história da horologia, uma fusão da icónica estética de Gérald Genta com a tecnologia de vanguarda da era pré-quartzo. Posicionado como uma evolução futurista de um clássico já estabelecido, o Polerouter Electric visava o consumidor moderno, aquele que apreciava a sofisticação de um design de renome, mas que se sentia atraído pela promessa de precisão e conveniência oferecida pela energia elétrica. A sua filosofia de design manteve-se fiel ao original de 1954, com a sua distinta caixa de asas 'bombé' e um mostrador de uma legibilidade impecável, mas o seu coração foi radicalmente transformado. Em vez do aclamado movimento micro-rotor, a Universal Genève, em colaboração com a pioneira francesa Lip, integrou um calibre eletromecânico. Esta peça não era um relógio de mergulho ou de aviação no sentido estrito, mas sim um relógio de uso diário de luxo que simbolizava o progresso. A sua importância transcende o seu sucesso comercial limitado; ele é um artefacto histórico que captura o exato momento em que a relojoaria suíça tradicional enfrentou o desafio da eletrónica, criando uma ponte tecnológica que, embora de curta duração, demonstra o espírito inovador e a vontade da Universal Genève de explorar o futuro antes da iminente revolução do quartzo.

HISTÓRIA

A história do Universal Genève Polerouter Electric é a crónica de uma era de transição sísmica na indústria relojoeira. Lançado em 1963, este modelo surgiu num momento em que a supremacia do relógio mecânico suíço começava a ser desafiada por novas tecnologias. O nome 'Polerouter' já era uma lenda, nascido em 1954 como 'Polarouter' para comemorar os voos transpolares da Scandinavian Airlines (SAS), e imortalizado pelo design de um jovem Gérald Genta. O seu sucesso inicial foi impulsionado pelo inovador movimento micro-rotor da UG, que permitia uma caixa elegante e fina. No entanto, no início dos anos 60, a corrida pela precisão e autonomia estava a tomar um novo rumo. A Hamilton tinha lançado o seu Ventura elétrico em 1957, e a Lip, em França, era uma força motriz na tecnologia eletromecânica. A Universal Genève, sempre atenta à inovação, viu uma oportunidade de fundir o seu design mais icónico com o que parecia ser a tecnologia do futuro. O Polerouter Electric não foi concebido para substituir os seus irmãos mecânicos, mas para oferecer uma alternativa de vanguarda. Para tal, a marca estabeleceu uma parceria estratégica com a Lip, adotando o calibre R184, uma evolução mais robusta e fiável dos primeiros movimentos elétricos. A Universal Genève refinou e terminou este calibre sob as suas próprias designações, Cal. 1-52 e 1-53. O resultado foi um relógio que mantinha a silhueta inconfundível do Polerouter — a caixa com as suas asas fluidas e torcidas, o anel de tensão interno e a clareza do mostrador — mas que 'tiquetaqueava' a um ritmo diferente. Frequentemente, a sua natureza elétrica era assinalada por um subtil ponteiro de segundos em forma de raio ou pelo texto 'Electric' no mostrador. O modelo existiu em várias referências, como a 153.501, com variações em aço, folheadas a ouro e com ou sem complicação de data. Contudo, a sua janela de produção foi tragicamente curta. A chegada do Bulova Accutron com o seu diapasão mais preciso e, finalmente, o terramoto do Seiko Astron a quartzo em 1969, tornaram os movimentos eletromecânicos instantaneamente obsoletos. O Polerouter Electric foi assim apanhado no fogo cruzado da história, tornando-se uma nota de rodapé fascinante em vez de um novo capítulo principal. O seu legado, no entanto, é profundo. Para os colecionadores, representa o auge da experimentação de uma marca de topo, uma tentativa corajosa de evoluir que encapsula perfeitamente a ansiedade e a esperança da era pré-quartzo. É um Polerouter com uma alma secreta e elétrica, um testemunho da inovação de uma das maiores casas relojoeiras do século XX.

CURIOSIDADES

A Colaboração Franco-Suíça: O movimento não era um desenvolvimento interno da UG, mas sim uma versão de alta qualidade do calibre R184 da marca francesa Lip, demonstrando uma rara colaboração transfronteiriça numa era de intensa competição nacional. O Sinal Elétrico: Muitos exemplares do Polerouter Electric utilizavam um distinto ponteiro de segundos em forma de raio, um símbolo visual comum nos relógios elétricos da época para os diferenciar imediatamente dos seus homólogos mecânicos. Um Som Distinto: Ao contrário do tique-taque suave de um relógio mecânico ou do silêncio de um de quartzo, o Polerouter Electric emite um zumbido ou 'hum' muito baixo e rápido, resultado do balanço a ser impulsionado eletromagneticamente, um som característico que lhe valeu o apelido de 'hummer' entre alguns colecionadores. Design Genta, Coração Elétrico: É um dos raríssimos exemplos de um design de caixa do lendário Gérald Genta — mais tarde famoso por ícones puramente mecânicos como o Royal Oak e o Nautilus — a ser combinado com um movimento alimentado por bateria. Um Beco Sem Saída Tecnológico: O Polerouter Electric, juntamente com outros relógios eletromecânicos, representa um 'beco sem saída' evolutivo. Foi uma tecnologia de ponte que foi rapidamente superada pelo diapasão e, logo depois, pelo quartzo, tornando estes relógios raros e historicamente significativos. A Referência Chave: Colecionadores experientes procuram especificamente a referência 153.501 gravada no fundo da caixa para identificar um autêntico Polerouter Electric, distinguindo-o das muito mais comuns versões com movimento micro-rotor.

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