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Zodiac Autographic 1949: A Revolução do 'Medidor de Combustível' Horológico e o Pioneirismo do Calibre 1150


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Relógio automático com indicador de reserva de marcha (Power Reserve) no mostrador (Calibre 1150/1250). Nota Forense: Este é o verdadeiro lançamento de 1949; o Astrographic (Mystery Dial) listado na exclusão pertence historicamente a 1969.

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RESUMO

O Zodiac Autographic, lançado em 1949, representa um marco fundamental na história da relojoaria mecânica de meados do século XX, posicionando-se como uma resposta técnica e pragmática à emergente popularidade dos relógios automáticos. Num período em que a tecnologia de corda automática ainda gerava ceticismo quanto à sua eficiência de carregamento no uso diário, a Zodiac introduziu uma complicação funcional raramente vista em peças de produção em série: o indicador de reserva de marcha. Diferente do lendário Astrographic de 1969 — com o qual é frequentemente confundido por amadores devido à semelhança fonética, mas que se distingue pelo seu mostrador de 'mistério' — o Autographic de 1949 é um triunfo da engenharia mecânica tangível. Equipado com os robustos calibres baseados no AS (A. Schild) modificados, especificamente as variações 1150 e 1250, este relógio apresentava um mostrador que exibia a energia restante da mola principal, funcionando analogamente a um medidor de combustível de um automóvel. Esta característica não era apenas uma novidade estética, mas uma ferramenta vital que permitia ao usuário visualizar a 'vida' do relógio, garantindo a precisão cronométrica. Com uma estética que equilibra o utilitarismo desportivo e a elegância do pós-guerra, o Autographic solidificou a reputação da Zodiac como uma manufatura inovadora, pavimentando o caminho para os futuros ícones da marca, como o Sea Wolf.

HISTÓRIA

A história do Zodiac Autographic é indissociável da corrida tecnológica do pós-guerra para aperfeiçoar o relógio de pulso automático. Em 1949, a indústria suíça vivia uma transição: os relógios de corda manual eram a norma, e os automáticos, embora convenientes, sofriam de uma desconfiança inerente por parte do público, que temia que o relógio parasse subitamente se o movimento do pulso fosse insuficiente. A resposta da Zodiac foi uma solução de transparência mecânica. A manufatura, estabelecida em 1882 por Ariste Calame, já possuía uma reputação de solidez, mas o Autographic elevou a marca ao patamar de inovadora técnica. O coração deste modelo reside na modificação engenhosa dos calibres base A. Schild (AS). A Zodiac desenvolveu um sistema de engrenagem diferencial complexo que conectava o barril da mola principal a uma mão indicadora no mostrador. Enquanto o rotor (frequentemente um sistema de 'martelo' ou 'bumper' nos modelos inaugurais de 1949, caracterizado pelo impacto físico que o usuário podia sentir) carregava a mola, a engrenagem movia o ponteiro para o 'cheio'. À medida que o relógio funcionava e a mola desenrolava, o ponteiro recuava para o vazio. Historicamente, é imperativo distinguir este modelo do seu 'primo' fonético posterior. Enquanto o Zodiac Astrographic (1969) capturou o espírito da Era Espacial com discos flutuantes transparentes para indicar as horas, o Autographic de 1949 era uma ferramenta de precisão industrial. Ele competia diretamente com o LeCoultre Powermatic (Calibre 481), lançado apenas um ano antes, em 1948. No entanto, o Zodiac Autographic democratizou esta complicação, oferecendo uma robustez e um preço que o tornaram acessível a profissionais e aventureiros, não apenas à elite. O sucesso do Autographic forneceu o capital e a confiança técnica que permitiram à Zodiac desenvolver, quatro anos depois, o lendário Sea Wolf em 1953, um dos primeiros relógios de mergulho comerciais do mundo. Portanto, o Autographic não é apenas um modelo vintage curioso; é o alicerce técnico sobre o qual a era de ouro da Zodiac foi construída.

CURIOSIDADES

1. O Apelido 'Medidor de Combustível': Em anúncios de época, a Zodiac frequentemente comparava o indicador de reserva de marcha ao painel de um automóvel, utilizando o slogan 'The watch with a gauge like your car' (O relógio com um medidor como o do seu carro). 2. A Sensação do 'Bumper': Nos modelos de 1949 equipados com os primeiros movimentos de para-choque (bumper), o usuário pode sentir fisicamente o peso oscilante batendo nas molas de amortecimento dentro da caixa, uma característica tátil muito apreciada por colecionadores hoje. 3. Diferenciação de Layout: Enquanto muitos concorrentes (como a LeCoultre) colocavam o indicador de reserva de marcha às 12 horas, a Zodiac produziu muitas variações com o indicador às 6 horas, criando uma simetria visual distinta. 4. Cristal 'Inquebrável': A Zodiac comercializava o Autographic com cristais descritos como 'unbreakable', utilizando um sistema de fixação e materiais acrílicos avançados para a época, visando o mercado de relógios esportivos. 5. O Erro Comum de Identificação: É um erro forense frequente em leilões classificar peças de 1949 como 'Astrographic'. O historiador atento sabe que 'Autographic' refere-se à grafia da autonomia (reserva), enquanto 'Astrographic' refere-se à estética espacial de 1969. 6. Swiss Gold: Exemplares raros do Autographic de 1949 foram produzidos em ouro maciço 18k, sendo estes o 'Santo Graal' para colecionadores deste modelo específico.

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