RESUMO
O Breguet Reine de Naples Ref. 8967, lançado em 2009, representa um momento crucial e estratégico na história de uma das mais icónicas coleções de relojoaria feminina. Numa audaciosa quebra de tradição, a Breguet introduziu o aço inoxidável numa linha até então reservada exclusivamente a metais preciosos, democratizando o acesso à sua herança real sem comprometer a sua essência. Posicionado como uma peça de alta-relojoaria para o uso diário, o 8967 visava uma clientela sofisticada que desejava a elegância e a história de um Breguet, mas com a versatilidade e a robustez necessárias para a vida moderna. A sua filosofia de design mantém a distinta caixa em forma de ovo (ovóide), inspirada no primeiro relógio de pulso da história, criado para a Rainha de Nápoles. No entanto, troca a opulência dos diamantes por uma estética purista e contemporânea, centrada num deslumbrante mostrador de madrepérola adornado com grandes e artísticos algarismos arábicos. Esta referência é significativa não apenas por tornar a coleção mais acessível, mas por afirmar que o verdadeiro luxo reside no design, na história e na excelência mecânica, independentemente do material da caixa. O Ref. 8967 provou que a realeza horológica podia ser, ao mesmo tempo, quotidiana e extraordinária, solidificando o status do Reine de Naples como um ícone de design intemporal e adaptável.
HISTÓRIA
A génese da coleção Reine de Naples, lançada em 2002, é uma das mais românticas e historicamente significativas da relojoaria. Ela revive o espírito do relógio de pulso número 2639, uma peça oval encomendada em 1810 por Caroline Murat, Rainha de Nápoles e irmã de Napoleão Bonaparte, a Abraham-Louis Breguet. Este relógio, considerado o primeiro relógio de pulso da história, estabeleceu um precedente de elegância e inovação técnica que a coleção moderna se esforça por honrar. Durante os seus primeiros anos, a linha Reine de Naples foi a personificação do luxo superlativo, com caixas em ouro ou platina, frequentemente engastadas com diamantes e abrigando complicações poéticas como fases da lua e indicadores de reserva de marcha.
O ano de 2009 marcou, no entanto, uma viragem paradigmática. No rescaldo da crise financeira global de 2008, o mercado de luxo começou a valorizar uma forma de sofisticação mais discreta e versátil. Foi neste contexto que a Breguet, numa jogada estratégica brilhante, apresentou a referência 8967. Pela primeira vez, a icónica caixa em forma de ovo era forjada em aço inoxidável. Esta decisão não foi meramente uma questão de preço; foi uma declaração filosófica. O Ref. 8967 foi concebido para a mulher moderna que admira a tradição da alta-relojoaria, mas cuja vida dinâmica exige uma peça que transite sem esforço do escritório para um evento social.
O design da Ref. 8967 destilou a essência da coleção à sua forma mais pura. A silhueta inconfundível, a lateral da caixa finamente canelada e a coroa às 4 horas (uma escolha ergonómica e estética) foram mantidas. A grande inovação estava na sua face: um mostrador etéreo em madrepérola natural, sobre o qual dançavam grandes algarismos arábicos. Estes números, com a sua tipografia alongada e quase lúdica, conferiram ao relógio uma personalidade contemporânea e ousada, contrastando com os mais clássicos numerais romanos ou índices de diamante de seus antecessores. A legibilidade e o impacto visual tornaram-se o foco principal. O relógio era inconfundivelmente um Reine de Naples, mas falava uma nova linguagem visual, mais fresca e acessível.
O impacto da Ref. 8967 foi profundo. Demonstrou a força e a adaptabilidade do design original, provando que a sua elegância não dependia exclusivamente de materiais preciosos. Abriu a coleção a um público mais vasto e estabeleceu um novo pilar dentro da linha: o do 'luxo quotidiano'. Embora a Breguet continuasse a produzir as versões de alta joalharia e complicação, a variante em aço tornou-se um sucesso comercial e um ponto de entrada crucial para novos admiradores da marca. O Reine de Naples 8967 não diluiu o legado; pelo contrário, fortaleceu-o, mostrando que uma verdadeira peça de realeza horológica pode reinar em qualquer contexto, seja num baile de gala ou na azáfama do dia-a-dia.
CURIOSIDADES
A inspiração para toda a coleção Reine de Naples é o Breguet No. 2639, o primeiro relógio de pulso documentado da história, criado para a irmã de Napoleão, Caroline Murat, Rainha de Nápoles, e concluído em 1812.
A introdução do aço inoxidável na Ref. 8967 em 2009 foi um movimento ousado e quase disruptivo para uma coleção que, até então, era exclusivamente fabricada em metais preciosos como ouro e platina.
O design assimétrico dos grandes e estilizados algarismos arábicos não é apenas decorativo; o seu tamanho e posicionamento foram cuidadosamente projetados para maximizar a legibilidade dentro da forma oval incomum do mostrador.
Como a maioria dos relógios Breguet, os mostradores da Ref. 8967 apresentam a 'assinatura secreta' de Breguet, uma marca extremamente fina gravada no mostrador, visível apenas com luz rasante, como uma medida anti-falsificação.
O movimento automático Calibre 586/1 que equipa o relógio, apesar de estar numa caixa de aço, não poupa no luxo, apresentando um rotor de corda em ouro maciço de 22 quilates, finamente decorado com guilhochê feito à mão.
A posição da coroa às 4 horas é uma característica de design da coleção, que não só melhora o conforto no pulso, mas também preserva a simetria visual da caixa em forma de ovo.
Ao contrário de muitos relógios desportivos, o Reine de Naples 8967 não possui um apelido na comunidade de colecionadores, mas é inequivocamente reconhecido como o 'Reine de Naples de Aço', marcando a sua identidade única na linhagem.